Pessoas neurodivergentes processam sons de forma diferente, fazendo estímulos comuns parecerem muito mais intensos
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Junho chega marcado por duas grandes celebrações que movimentam os brasileiros: as festas juninas e a Copa do Mundo. O período costuma ser acompanhado por comemorações com músicas altas, fogos de artifício, gritos e manifestações de euforia que fazem parte da cultura popular.
No entanto, especialistas alertam para a necessidade de atenção aos impactos desses estímulos em pessoas com maior sensibilidade auditiva, especialmente indivíduos neurodivergentes.
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil possui cerca de 2,5 milhões de pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA). Entre as características frequentemente associadas ao grupo está a hipersensibilidade sensorial, principalmente auditiva.
Processamento de sons para pessoas atípicas
Segundo a psicopedagoga, analista do comportamento e mãe atípica Cinthia Cardoso, pessoas com funcionamento neurológico atípico podem processar os sons de maneira diferente, o que faz com que estímulos considerados comuns sejam percebidos de forma mais intensa e, em alguns casos, dolorosa.
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“O uso desses artifícios pode alterar a saúde e até causar uma parada cardíaca em neurotípicos, neurodivergentes, pessoas com problemas cardíacos, animais e qualquer outro ser que tenha hipersensibilidade e possa ter uma crise de saúde diante da surpresa de fogos de artifício”, afirma.
Em Pernambuco, a legislação estadual proíbe a queima e a soltura de fogos de artifício com estampido. A medida está prevista na Lei nº 15.736/2016, posteriormente atualizada pela Lei nº 17.195/2021, e vale para espaços públicos e privados.
O objetivo é reduzir impactos sobre pessoas com sensibilidade auditiva, além de proteger outros grupos vulneráveis.
Conscientização
Apesar da proibição, a especialista destaca que a aplicação da norma ainda enfrenta desafios e reforça a necessidade de conscientização da população.
“Com a festa, ninguém quer acabar. Com a venda, que leva sustento para a casa de quem vende, também ninguém quer acabar. Mas vamos pensar que há pessoas com a saúde mais vulnerável nesse exato momento”, diz.
Cinthia também ressalta que organizadores de eventos, condomínios e comunidades podem adotar medidas simples para tornar as comemorações mais inclusivas, como identificar moradores com hipersensibilidade e buscar soluções que reduzam os impactos sonoros.
Além da conscientização coletiva, familiares de pessoas autistas podem tomar algumas medidas para diminuir o desconforto durante o período festivo. Entre as orientações estão conversar antecipadamente sobre os eventos e situações que irão ocorrer, criar ambientes tranquilos para acolhimento em momentos de sobrecarga sensorial e utilizar abafadores ou fones de proteção auditiva.
Especialistas destacam que preservar as tradições culturais e ampliar a acessibilidade não são objetivos incompatíveis. A adoção de alternativas menos agressivas pode contribuir para que as celebrações sejam aproveitadas por mais pessoas, sem comprometer a saúde e o bem-estar de grupos mais vulneráveis.
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