Fui seu amigo, mais que amigo, um companheiro, inclusive de suas dores e sofrimentos, especialmente durante as visitas diárias no hospital
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Quem conheceu o mestre Salustiano, ou simplesmente Salu, como era chamado com carinho, sabe o prazer d’alma que emanava de suas prosas, da alegria de estar com ele em rodas de conversa, dos conhecimentos transmitidos, da energia que brotava de suas cantorias, danças, cores e da própria vida.
Fui seu amigo, mais que amigo, um companheiro, inclusive de suas dores e sofrimentos, especialmente durante as visitas diárias que lhe fazia quando estava deitado em leito hospitalar.
Nascido em 1945, em Aliança, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, Manoel Salustiano Soares, o mestre Salustiano, encarnou como poucos o espírito do povo nordestino: gente forte, alegre, resiliente, criativa e devotada, por vocação, à cultura de raiz.
Ele foi um guerreiro, movido pela energia que corria no seu sangue de fiel escudeiro da luta em defesa da cultura popular – espelho da alma de um povo, como costumo dizer.
Salustiano, o Dom Quixote da cultura popular, brandindo a rabeca como quem defende sonhos.
Vitimado pela doença de Chagas, dizia-me sempre com humor e resignação, sobre o “coração crescido” – um aperreio constante em seu cotidiano. Deus o chamou cedo, ainda aos 62 anos, para levar à eternidade a sua arte.
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Exímio rabequeiro, teve no pai, João Salustiano, o mestre não apenas da música, mas também da carpintaria da própria rabeca.
Se pudermos chamar de “obra-prima”, a sua foi o povo. Onde estivesse a nossa gente, lá estava ele também, com seu maracatu, seu mamulengo ou sua ciranda.
Músico, compositor e símbolo da cultura pernambucana, deixou um legado que sustenta até hoje sua constelação familiar – uma herança transmitida de geração em geração.
Desde a infância, viveu mergulhado num mundo mágico de brincadeiras populares, cavalos-marinhos, maracatus, cocos e cirandas. Aprendeu a tocar rabeca, repita-se, com o pai, e fez do instrumento uma extensão da própria voz.
Desde a adolescência, destacou-se não apenas como rabequeiro e compositor, mas também como pintor e escultor – um artista completo, cuja obra transcendia cor, ritmo e devoção.
Foi o criador, em Olinda, da Casa da Rabeca, entidade que segue firme, alinhada às lições do mestre que tão cedo nos deixou, mas que – “da lei da morte vai se libertando” – permanecendo vivo no legado que resiste às intempéries do tempo.
Alvíssaras, meu povo! Salustiano é de Aliança, de Pernambuco e do mundo.
Em 2007, por justiça e mérito, recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, reconhecimento à altura de sua grandeza artístico-cultural.
Mestre Salustiano foi um talento caleidoscópico: rabequeiro, cantor, compositor e brincante.
Sua contribuição foi fundamental para o fortalecimento das manifestações populares – as chamadas culturas de chão – como o maracatu, o cavalo-marinho, o coco e a ciranda, fomentando e promovendo a valorização das expressões artísticas pernambucanas e nordestinas.
No dia 12 de novembro, se vivo estivesse, o nosso mestre completaria 80 anos de nascimento. Em sua homenagem, a Casa da Rabeca se engalanou para celebrar essa efeméride, com apresentações de música, dança e rodas de conversa – todas dedicadas ao repertório do mestre Salu.
Maciel Salu, filho e herdeiro mais genuíno do pai, é rabequeiro, cantor, compositor, mestre de maracatu rural e proativo na consecução das tradições populares. Membro ilustre de uma das famílias mais expressivas da cultura pernambucana, dono do DNA artístico herdado do seu genitor, tornou-se o nome mais destacado da rabeca pernambucana em sua geração.
Mestre Salustiano foi o fundador do Maracatu Piaba de Ouro, um dos grupos mais tradicionais do Estado, presença marcante nos festejos populares e em eventos por todo o Brasil e pelo mundo. Aonde chegava, antecipava o sucesso: símbolo emblemático das raízes culturais de Pernambuco e do Nordeste.
Além de músico e brincante, foi também contador de histórias – um mestre no sentido mais amplo e profundo, que transmitia saberes e fazeres, acolhia aprendizes e mantinha acesa a chama da cultura popular.
Salustiano está eternizado como símbolo da resistência da nossa cultura de raiz.
Em declaração à imprensa, Pedro Salustiano, um de seus filhos, afirmou: “Mestre Salustiano vive no meio de nós, com sua força de preservação e valorização do que é genuinamente nosso. Celebrar seus 80 anos é manter viva sua mensagem de respeito e amor pela cultura popular.”
Parabenizo o deputado João Paulo pelo Projeto de Lei que estabelece o dia 12 de novembro, data de nascimento do nosso mestre, como o Dia Estadual da Cultura Popular. Bravo!”
Mestre Salustiano foi dos raros artistas que parecem nascer com a luz-farol das coisas eternas: aonde chegava, esplendia cores, ritmos e afetos.
Filho da Zona da Mata, mas pertencente ao mundo, fez da rabeca sua voz e do povo sua grande obra, costurando maracatus, cirandas, cocos e cavalos-marinhos com a naturalidade de quem conversa com a alma do Nordeste.
Mais que músico, foi guardião de uma ancestralidade viva, capaz de transformar a dor em poesia e o cotidiano em celebração. Salustiano não apenas preservou a cultura popular – ele a fez florescer, generosa e indomável, como ele próprio.
Onde a cultura popular pulsa, ali está Salustiano – vivo como o canto e a dança, forte como a raiz e o sonho.
*Roberto Pereira é membro efetivo e benemérito do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano; do Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Goiana; da Academia de Artes e Letras de Goiana; da Academia Brasileira de Eventos e Turismo; e da Academia Pernambucana de Letras.

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