Roberto Pereira: Adeus, Bertini

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Roberto Pereira: Adeus, Bertini


Dedicado aos estudos, destacava-se pela inteligência, disciplina e liderança. Tive a oportunidade de testemunhar essas virtudes em sala de aula


Clique aqui e escute a matéria

Onde está, ó morte, a tua vitória? Assim exclamou o apóstolo Paulo ao refletir sobre o sentido da existência e da eternidade. Para ele, a morte não representava castigo ou derrota, mas a passagem para o encontro definitivo com Deus.

Foi igualmente Paulo quem afirmou: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé”. O combate a que se referia não era uma guerra, mas a perseverança nos valores, a fidelidade aos princípios e a dedicação a uma causa. Creio que Alfredo Bertini, meu ex-aluno e querido amigo, percorreu esse caminho com admirável coerência.

Escrevo estas linhas com profunda tristeza. Receber a notícia de sua partida foi uma dolorosa pancada no coração. Acompanhávamos sua luta pela continuidade da vida, sempre marcada pelo entusiasmo, pela capacidade de trabalho e pelo espírito empreendedor que o distinguiu em todas as etapas de sua trajetória.

Na gestão de Joaquim Francisco, presidiu Suape e deixou uma marca de competência, ética e compromisso com o interesse público. Exercia a liderança com naturalidade, unindo lucidez e honradez em uma combinação rara e inseparável de seu caráter.

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

Mas quem foi Alfredo Bertini?

Desde os tempos de estudante, revelava qualidades incomuns. Dedicado aos estudos, destacava-se pela inteligência, pela disciplina e pela liderança. Tive a oportunidade de testemunhar essas virtudes em sala de aula.

Formou-se em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco, onde também concluiu o mestrado. Posteriormente, obteve o doutorado em Economia, pela Universidade de São Paulo. Sua sólida formação acadêmica permitiu-lhe desenvolver uma visão ampla, capaz de integrar cultura, desenvolvimento econômico e geração de renda, temas que orientariam sua atuação profissional e intelectual.

Ao lado de sua esposa, Sandra Bertini, criou e consolidou o Cine-PE – Festival do Audiovisual. O evento, que nasceu como Festival de Cinema do Recife, transformou-se em um dos mais importantes do país. Sob sua liderança, tornou-se espaço de encontro para cineastas, produtores, atores, estudantes e pesquisadores, contribuindo para fortalecer o audiovisual brasileiro e ampliar a visibilidade da produção realizada além do eixo Rio-São Paulo.

Em 2016, assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. Defendeu a continuidade dos mecanismos de incentivo ao setor, buscou aprimorar a gestão pública e trabalhou em favor da modernização das políticas voltadas às novas plataformas de distribuição audiovisual.

Também deixou contribuição relevante como autor. Entre suas obras, destaca-se Quando o caso é de cinema, a paixão é um festival, livro que reúne reflexões sobre o universo cinematográfico e o papel dos festivais na difusão da cultura.

Entre 2004 e 2005, exerceu o cargo de secretário municipal de Turismo e Esportes do Recife. Nesse período, aprofundou sua compreensão da cultura como instrumento estratégico para o desenvolvimento econômico e social.

Mais do que gestor público ou produtor cultural, Alfredo Bertini tornou-se uma referência na defesa do audiovisual brasileiro e da economia criativa, como fatores de transformação da sociedade.

Brilha igualmente em sua trajetória a passagem pela Presidência da Fundação Joaquim Nabuco, onde reafirmou seu compromisso com a cultura, a educação, a pesquisa e a produção do conhecimento. Em todas as funções que exerceu, deixou a marca da competência, da dedicação e da visão de futuro.

Sua caminhada foi exemplar. Por suas obras e realizações, legou à família, aos amigos e à sociedade um patrimônio que o tempo não apagará. Permanecerá a saudade, mas uma saudade iluminada pelo orgulho e pela gratidão. Afinal, quanto mais os anos passarem, mais sua memória se libertará dos limites da morte.
Morte apenas biológica. Alfredo Bertini pode repetir, com justiça, as palavras de São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé”.

*Roberto Pereira, Cadeira 35 — Academia Pernambucana de Letras






Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *