Jerry Gogosian, morta em São Paulo, passou últimos dias se dedicando à aquarela

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Jerry Gogosian, morta em São Paulo, passou últimos dias se dedicando à aquarela


A artista americana Hilde Lynn Helphenstein, conhecida nas redes sociais como Jerry Gogosian, foi encontrada morta no hotel de luxo Rosewood, em São Paulo, no último domingo, ao lado de comprimidos e perto de uma garrafa de vodca, segundo o boletim de ocorrência.

Helphenstein, que veio ao país para fazer uma cirurgia plástica, enfrentava problemas com depressão e alcoolismo, embora estivesse se mantendo sóbria havia um tempo, afirma o galerista Thiago Gomide, que a conheceu pela internet há oito anos.

Os dois saíram para jantar no restaurante Spot, perto da avenida Paulista, no início do mês passado, poucos dias depois da chegada dela à cidade. “Hilde disse que faria a cirurgia plástica aqui porque soube que era um lugar de bons cirurgiões. Disse que encontrou um online. Não estendi muito esse assunto”, diz Gomide.

O cirurgião que ela encontrou é Jonathas Aquino, que comanda uma clínica no bairro de Moema. A reportagem tentou contato com ele pelo WhatsApp da clínica, nesta sexta-feira, e uma recepcionista respondeu que ele não estava presente. Em visita à clínica, a reportagem foi barrada pela recepção do prédio porque não havia agendado uma consulta. Aquino também não retornou os contatos feitos por email até o momento da publicação.

Segundo o boletim de ocorrência, o cirurgião disse aos gerentes do hotel que dias antes havia socorrido Helphenstein numa Unidade de Pronto Atendimento por causa de uma possível overdose.

Questionados pela reportagem nesta sexta-feira, funcionários do Rosewood não falaram sobre o ocorrido, pedindo que o contato fosse feito por email com a equipe de marketing.

Em resposta, o hotel se limitou a reenviar a nota que havia mandado à imprensa no dia da morte, em que diz que “desde a constatação do ocorrido, tem prestado total colaboração às autoridades competentes, fornecendo prontamente todas as informações solicitadas para auxiliar na apuração dos fatos” e que não vai dar mais detalhes sobre o caso.

“Hilde sempre teve problemas com álcool, mas ficou sóbria no tempo de casada. Estava se tratando. Tinha questões de depressão e ansiedade também”, diz o galerista.

A consultora de arte Carolina Cataldi Pedrosa, amiga de Helphenstein desde o ano passado, conta que a artista se dedicou à pintura com aquarela nos últimos meses, reservando quatro horas diárias ao ofício.

“Às vezes, ela mandava mensagem para mim no WhatsApp para ter meus palpites e trocar uma ideia. Sua última mensagem foi com um vídeo da aquarela que ela estava pintando, dois dias antes de morrer. Até o fim, estava focada em seu trabalho.”

Gomide confirma que a pintura havia mesmo voltado a ser uma espécie de refúgio para a artista, abalada pelo divórcio ainda recente.

Helphenstein ficou conhecida no mundo da arte pelo jeito afiado com que satirizava o meio, especialmente com vídeos e memes nas redes sociais. Em 2019, ela disse, em entrevista a este jornal, que tinha “espiões no mundo todo”, que a mantinham sempre informada sobre escândalos sexuais, acordos internos entre galerias e listas de preços que movem o mundo das artes.

“Ela não hesitava em falar em voz alta o que todos apenas ousavam pensar. O olhar dela sem filtro sobre o mercado era único e ela teve grande impacto sobre a forma como olhamos, consumimos e falamos de arte”, diz Pedrosa, por email.

Em vídeo publicado no fim de maio no Instagram, plataforma em que tem 157 mil seguidores, Helphenstein compartilha uma recomendação bem-humorada sobre autoestima. Sentada à mesa no que parece ser um dos restaurantes do hotel Rosewood, ela brinca que gostaria de levar uma vida olhando o mar, se preocupando só com problemas típicos dos muito ricos. “Espero que você tenha um ótimo fim de semana. Eu sei que vou ter. Estou no Brasil.”

A influenciadora incentivou os seguidores a se produzirem, investirem em maquiagem e acessórios elegantes e incorporarem uma versão mais sofisticada de si mesmos. “Dizem que você não deve se vestir para o trabalho que tem, mas para o trabalho que deseja ter”, afirma na postagem.

Em um vídeo anterior, Helphenstein questiona se alguém estaria disponível para ir com ela até a pizzaria Bráz, a sua preferida na cidade. Ela ficou hospedada no bairro de Moema, num apartamento alugado pelo Airbnb, antes de ir ao Rosewood, afirma Gomide, o galerista.

No site de sua clínica, Jonathas Aquino diz ser especialista em cirurgia plástica, membro da sociedade brasileira de cirurgia plástica e parte da International Society of Aesthetic Plastic Surgery, a principal associação internacional de cirurgiões dessa especialidade. Nas redes sociais, Aquino publica vídeos em que explica conceitos da profissão.

Colaborou João Rabelo





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