Quando o petróleo sobe, a economia sente: os efeitos do conflito no Oriente Médio no Brasil

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Quando o petróleo sobe, a economia sente: os efeitos do conflito no Oriente Médio no Brasil


Apesar do Brasil ser autossuficiente na produção de petróleo bruto, essa condição não se estende aos derivados. O país possui limitações

Por

JC


Publicado em 28/03/2026 às 5:00



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O conflito entre EUA/Israel e Irã, iniciado final de fevereiro, elevou significativamente o preço internacional do petróleo, já que a região concentra grande parte da produção global. Com a escalada das tensões e riscos no Estreito de Ormuz, o barril Brent passou de cerca de US$ 73-75, para valores entre US$ 114 e US$ 119, pressionando os mercados internacionais e impactando economias dependentes de combustíveis fósseis, como a brasileira. Esse aumento refletiu rapidamente nos preços domésticos de gasolina e, sobretudo, de diesel, elevando custos de transporte, produção e, consequentemente, de bens e serviços.

Apesar do Brasil ser autossuficiente na produção de petróleo bruto, essa condição não se estende aos derivados. O país possui limitações no parque de refino, o que exige importação de combustíveis. No caso do diesel, a dependência varia entre 20% e 30% do consumo nacional, principalmente dos EUA. Já a gasolina apresenta maior equilíbrio, com produção interna suficiente para atender à demanda, embora ocorram importações pontuais.

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A Petrobras responde por cerca de 70% a 80% do refino nacional, mas importadores e refinarias privadas, que seguem preços internacionais, aceleram o repasse das altas ao consumidor.

Diante da alta dos combustíveis e de seus efeitos inflacionários, o governo federal adotou medidas para reduzir impactos. Entre elas, a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e a concessão de subvenção a produtores e importadores, com expectativa de repasse ao consumidor. Em conjunto, essas ações podem reduzir o preço em até R$ 0,64 por litro. O governo também tentou articular a redução do ICMS, sem sucesso até o momento.

Apesar disso, representantes do setor apontam que as medidas são insuficientes para compensar a diferença entre os preços internos e internacionais. Como resultado, observa-se redução nas importações de diesel desde março e registros pontuais de falta de combustíveis. Ainda assim, ANP, Petrobras e distribuidoras afirmam não haver desabastecimento no país.

Esse cenário reforça a vulnerabilidade do país a choques externos, especialmente devido à dependência do transporte rodoviário, que amplia os efeitos dos combustíveis sobre a inflação e o custo de vida da população e sobre a dinâmica econômica nacional no curto prazo.

Keynis Cândido de Souto, Doutora em Economia. Docente do DECON/UFRPE. Presidente do Corecon-PE
Cristiane Soares de Mesquita Callou,  Doutora em Economia. Docente do DECON/UFRPE.
Priscila Michelle Rodrigues Freitas, Doutora em Economia. Docente da UAST/UFRPE






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