Nova líder do governo no Senado amplia peso do grupo que defende a parceria com o PSB e ganha influência sobre decisões do partido em Pernambuco.
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A promoção de Teresa Leitão (PT) à liderança do governo no Senado demorou menos de duas semanas para produzir um efeito político que vai muito além da reorganização da bancada petista e atinge Pernambuco também. Na quarta-feira (8), a senadora transmitiu a liderança do PT a Camilo Santana (PT) para assumir definitivamente a função para a qual foi escolhida por Lula após a saída de Jaques Wagner (PT). A primeira mulher a ocupar o posto de liderança da gestão lulista na Casa Alta passa a falar oficialmente em nome do Planalto justamente quando Pernambuco se transforma em uma das prioridades eleitorais do presidente para 2026.
A mudança reorganiza também o equilíbrio interno do PT pernambucano porque dá influência maior ao grupo que hoje é mais próximo de João Campos (PSB).
Escolha
A substituição de Jaques Wagner ocorreu em circunstâncias excepcionais. O governo precisava preencher rapidamente uma vaga estratégica, mas não bastava encontrar um senador experiente. Era necessário escolher alguém inteiramente disponível para a função, capaz de reconstruir pontes depois do desgaste provocado pelo caso Banco Master e suficientemente confiável para negociar em nome do presidente da República.
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Teresa reunia essas condições. Não está envolvida em uma disputa majoritária, construiu uma relação de diálogo entre os colegas e desfruta da confiança pessoal de Lula. A liderança do governo, afinal, não se restringe à bancada do PT. O ocupante do cargo articula toda a base aliada, negocia diretamente com a presidência do Senado e representa institucionalmente o Palácio do Planalto nas votações mais delicadas da Casa.
Recado
Teresa representa, há anos, o setor do PT pernambucano que defende uma convivência estratégica com o PSB. Sua promoção fortalece exatamente essa corrente no momento em que o partido discute qual será o grau de envolvimento na campanha de João Campos (PSB) ao Governo de Pernambuco.
Não é necessário concluir que essa tenha sido a motivação principal de Lula para a nomeação. Pode não ter sido a ideia. Mas o efeito político existe independentemente da intenção. A dirigente que mais se identifica com esse campo passa a ocupar um dos cargos institucionais mais relevantes do governo federal. Sua influência nas conversas entre Brasília e Pernambuco cresce naturalmente.
Isso altera o peso relativo das diferentes correntes petistas no estado. Enquanto Humberto Costa (PT) concentra seus movimentos na própria disputa pela reeleição ao Senado, que hoje não é considerada tranquila, Teresa amplia sua capacidade de participar das decisões nacionais que inevitavelmente repercutirão sobre a estratégia eleitoral pernambucana. E é considerada uma “vitória” de João Campos na relação com os petistas locais que não o apoiam com muito vigor ou até o rejeitam.
Prova
O novo cargo, naturalmente, também cobra resultados. O primeiro grande teste deverá surgir com a tramitação da proposta que reduz a jornada semanal de trabalho e extingue a escala 6×1, uma das prioridades legislativas do governo para o período pré-eleitoral. A matéria enfrenta resistência de setores expressivos do Senado e dependerá de uma articulação política intensa para avançar.
Mais do que aprovar uma pauta específica, Teresa terá de demonstrar que consegue transformar a confiança de Lula em capacidade de coordenação dentro de uma Casa que, nos últimos anos, ampliou significativamente sua autonomia em relação ao Executivo.
Sua promoção fortalece uma liderança política em Pernambuco, mas o tamanho dessa influência dependerá da capacidade de produzir resultados em Brasília. E, se der errado, pode atrapalhar Campos também.












