Problemas de visão não tratados afetam o rendimento escolar de 800 mil crianças

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Problemas de visão não tratados afetam o rendimento escolar de 800 mil crianças


Erros de refração como a miopia costumam ser confundidos com déficit de atenção; atividades ao ar livre e exames precoces ajudam na prevenção


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Cerca de 800 mil crianças brasileiras frequentam a escola com problemas visuais não diagnosticados ou sem o tratamento adequado. O dado, apurado pela Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) em parceria com a Fundação Seva, acende um alerta para pais e educadores: a dificuldade de enxergar com clareza compromete diretamente a retenção de conteúdo e o desenvolvimento infantil.

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Sinais de alerta

Dificuldades para acompanhar a matéria escrita no quadro ou a leitura de livros frequentemente levam ao desinteresse e à queda no desempenho. Em muitos casos, esses sintomas acabam sendo confundidos com distúrbios de aprendizado ou déficit de atenção.

Por essa razão, a recomendação médica é que a avaliação oftalmológica completa seja o primeiro passo investigativo diante de quedas de rendimento escolar.

Alguns comportamentos diários servem como aviso para que a família agende uma consulta médica:

  • Esfregar os olhos com frequência constante;
  • Aproximar-se excessivamente de cadernos, livros ou telas;
  • Tropeçar ou esbarrar em objetos com facilidade;
  • Apresentar desvio ocular (desalinhamento dos olhos);
  • Demonstrar falta de interesse repentina por brincadeiras que exigem visão de longe.

Aumento global da miopia e riscos à saúde ocular

O avanço de alterações visuais na infância, em especial a miopia — condição que dificulta a nitidez de objetos distantes —, tem preocupado especialistas.

Estudos apontam um salto substancial de casos no período pós-pandêmico. Levantamentos internacionais registraram aumentos expressivos na incidência do problema entre crianças nos últimos anos. A estimativa global é que, até 2050, cerca de metade da população mundial seja míope.

“A criança com dificuldade em copiar no quadro pode ir demonstrando dificuldade no aprendizado desde cedo”, pontua a oftalmologista Ana Catarina Delgado, do Centro de Referência no Controle da Miopia do Grupo Oftalmo.

“Altos graus de miopia podem causar também cegueira permanente, mais possibilidade de ter glaucoma, descolamento de retina, maculopatia (alteração grave na retina) e mais possibilidade de catarata”, alerta a especialista.

O fator genético também exerce peso importante: quando um dos pais é míope, a chance de o filho desenvolver a condição é três vezes maior. Caso ambos os pais tenham o diagnóstico, o risco salta para sete vezes.

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Terapias atuais para conter o avanço do grau

A oftalmologia dispõe hoje de recursos que vão além da simples correção do foco, atuando na desaceleração do crescimento do olho e no controle da progressão do grau. Entre as opções terapêuticas aplicáveis sob orientação profissional estão:

  • Colírios específicos: atuam nas fibras oculares para frear o aumento do comprimento do globo ocular;
  • Lentes de contato de desfoque periférico: de uso diurno e diário, indicadas a partir dos 6 anos para auxiliar no controle da progressão;
  • Ortoceratologia: lentes rígidas utilizadas durante o sono que remodelam a córnea de forma temporária e reversível;
  • Óculos com lentes especiais: desenvolvidos com tecnologia voltada à estabilização do grau.

Hábitos diários e limites para telas

Além dos tratamentos clínicos, ajustes na rotina desempenham papel fundamental na prevenção. O tempo dedicado a atividades ao ar livre sob a luz natural, idealmente de pelo menos duas horas diárias, estimula a liberação de dopamina no organismo, hormônio que auxilia na regulação do crescimento ocular.

Em contrapartida, o uso excessivo de dispositivos eletrônicos exige atenção rigorosa. As diretrizes gerais de saúde infantil recomendam:

  • Até 2 anos: evitar totalmente a exposição a telas digitais;
  • De 2 a 5 anos: limitar a no máximo 1 hora por dia;
  • A partir dos 5 anos: restringir a no máximo 2 horas diárias.

Privilegiar aparelhos com telas maiores e mais distantes, como televisores, em detrimento de celulares e tablets, reduz o impacto do esforço visual prolongado a distâncias muito curtas.






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