Executivo foi afastado do cargo pela Justiça no âmbito da Operação Compliance Zero, que levou o presidente do Master, Daniel Vorcaro, à prisão
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Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa informou nesta sexta-feira, 21, que retornou ao Brasil da viagem que havia feito aos Estados Unidos e prometeu colaborar com as investigações sobre a tentativa de compra do Banco Master.
Costa foi afastado do cargo pela Justiça no âmbito da Operação Compliance Zero, que levou o presidente do Master, Daniel Vorcaro, à prisão na terça-feira, 18.
Em nota, Costa disse reconhecer a importância das apurações e garantiu ter sempre atuado nos melhores interesses do BRB, “seguindo os padrões do mercado”.
Ele acrescentou que fornecerá informações e esclarecimentos necessários para a elucidação dos fatos, mas que não vai comentar os detalhes do processo. “Confio que a apuração trará os devidos esclarecimentos à sociedade”, ressaltou.
Inicialmente, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, indicou Celso Eloi para substituir Costa, mas depois voltou atrás e nomeou o ex-presidente da Caixa Nelson Antônio de Souza.
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Dois empresários são soltos
Dois empresários investigados pela Polícia Federal (PF) por suposto envolvimento nas fraudes do Banco Master foram soltos na noite de quinta-feira, 20. André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza Silva Peretto deixaram a sede da PF em São Paulo após três dias detidos. Segundo a PF, os dois constam como donos de empresas que teriam sido usadas nas fraudes do banco.
Eles estavam presos temporariamente por determinação da Justiça Federal, devido às investigações da Operação Compliance Zero. O prazo da prisão venceu e não foi renovado. Os outros cinco presos na operação, que englobam o dono do Master, Daniel Vorcaro, são executivos do banco e continuam detidos porque, no caso deles, as prisões são preventivas – ou seja, não têm prazo para terminar.
Ao decretar as prisões no âmbito da Operação Compliance Zero, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal no Distrito Federal, apontou que André Felipe tem “vínculos funcionais e societários que o colocam no centro das operações fraudulentas investigadas”.
André Felipe é dono da Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações e sócio da fintech Cartos. A Polícia Federal afirma que a empresa foi constituída em um processo “marcado por indícios de simulação, antedatamento e manipulação documental destinados a ludibriar a fiscalização” do Banco Central.
Segundo as investigações, a solução encontrada pelo Master para resolver sua insolvência foi adquirir créditos de terceiros para repassá-los a parceiros comerciais. O Ministério Público Federal (MPF) alega que o Master comprou carteiras de crédito da Tirreno sem realizar qualquer pagamento, por ausência de comprovação de existência dos créditos adquiridos, e logo em seguida revendeu os mesmos créditos ao BRB, com pagamento imediato.
Já Henrique Peretto aparece como responsável, no papel, pela integralização do capital social da Tirreno, que saltou de R$ 100 para R$ 30 milhões. O incremento foi considerado suspeito. A PF acredita que houve uma manobra societária para conferir aparência de capacidade econômica à empresa. Ele também seria CEO da Cartos.
“Há diversos vínculos societários entre Henrique Peretto e André Felipe de Oliveira Seixas Maia – este último diretor da Tirreno e ex-funcionário do Banco Master -, indicando atuação coordenada no âmbito das empresas envolvidas”, diz um trecho da decisão do juiz Ricardo Leite.
Peretto tem formação em engenharia de produção e MBA em finanças Ele abriu a fintech Cartos há mais de 15 anos. Antes, a experiência profissional dele foi em bancos como Santander e Bradesco.
Em nota, a Cartos diz que permanece à disposição das autoridades, colaborando e prestando os esclarecimentos necessários. A empresa afirma que não mantém “qualquer operação com o Banco Master”.
“Embora a Cartos conste entre as instituições mencionadas no procedimento, é importante esclarecer que a empresa não é alvo da investigação, tampouco há qualquer imputação de irregularidade e reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a atuação ética e responsável em todas as suas atividades”.

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