Prejuízos vão além da escola

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Prejuízos vão além da escola



Pesquisa sobre o comportamento de pais e filhos mostra que o uso prolongado de telas pelos adultos pode deixar crianças e adolescentes vulneráveis

Por

JC


Publicado em 25/06/2026 às 0:00

Clique aqui e escute a matéria

Desde que os telefones móveis se tornaram unidades de vida passiva através de telas ativas, incorporando utilidades de TV, rádio, computador, calculadora, gravador, videogame, livro eletrônico e enciclopédia de pesquisa sobre qualquer assunto, entre outras iscas para a atenção, a preocupação de seu uso por crianças e adolescentes só aumenta. Nas escolas, a constatação da queda de rendimento no aprendizado e da baixa interação social, demonstrou a obviedade da armadilha levada pelas telas portáteis para as salas de aula. A proibição foi aceita como inevitável, restringindo a outros horários a diversão da fuga para a identidade digital. Mesmo assim, diante da invasão da informação entre os dedos de crianças e adolescentes, educadores, gestores públicos e as famílias continuam desconfiados de que é preciso fazer mais para desviar os jovens do vício virtual.
Que tal começar admitindo o mau exemplo dos mais velhos, que por trabalho ou similar impulso de fuga, se atiram nas redes sociais e demais funcionalidades dos celulares, em horas seguidas presos à tela? A responsabilidade não se limita ao controle no ambiente escolar. Dentro de casa, nas relações familiares, no cotidiano com amigos e em atividades recreativas ou de complemento educativo, a infância e a adolescência podem se encontrar tão ou mais expostas a esse vício – e aos seus desdobramentos durante anos, comprometendo o desenvolvimento cognitivo, mental e emocional, com prejuízos duradouros em toda a fase adulta.
A percepção, pelos filhos, de pais frequentemente imersos em telas, pode ser um atalho para crianças e adolescentes se sentirem inseguros, emocionalmente vulneráveis e com dificuldades evidentes de formação de vínculos, além de propensão a problemas de saúde mental no futuro próximo. É o que revela nova pesquisa nos Estados Unidos, do Centro de Pesquisa e Inovação da Newport Healthcare, publicada na revista Frontiers in Psychology, cujos resultados foram noticiados pela seção VivaBem, do UOL. A sensação dos jovens é de estarem em competição com as telas pela atenção dos adultos. Como não reproduzir um comportamento que serve de modelo de isolamento e desconexão com a realidade, vinculado ironicamente ao hábito da conexão digital?
Uma das indicações do estudo é a necessidade contínua de disponibilidade dos pais em relação aos filhos, seja em que idade for. A qualidade dos vínculos – e dos afetos projetados ou formados – depende de os pais estarem disponíveis em laços presenciais. A hipnose da tela distancia os filhos que enxergam o pai e a mãe hipnotizados. A repetição da indisponibilidade é perniciosa para crianças e adolescentes, gerando desconfortos que podem desaguar em outros momentos, como gatilhos de ansiedade, aversão social e doenças que reflitam, no corpo, a desconexão com as figuras parentais.
É importante que seja mantido o cuidado nas escolas, diante das tentações virtuais, para que não se perca o foco do desenvolvimento integral aliado à aquisição de conhecimentos. Mas o reconhecimento de padrões refletidos em crianças e adolescentes, vindos de casa e das relações mais próximas, merece aprofundamento e reflexão, para que as medidas corretamente tomadas no ambiente escolar não sejam iniciativas fadadas ao fracasso na educação das novas gerações.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *