Letramento digital é visto como demanda crucial de oportunidade para o aproveitamento da Inteligência Artificial no mercado de trabalho
JC
Publicado em 29/06/2026 às 0:00
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Sob a inspiração de artigo publicado neste JC, em que o presidente do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), João Carlos Paes Mendonça, expressou a preocupação de muitos com os impactos sociais do uso cada vez mais disseminado da Inteligência Artificial (IA) no mercado de trabalho, abrimos a série de debates no JC Negócios Entrevista a respeito da “IA e empregabilidade”. No quarto episódio, o entrevistado foi o gerente de Tecnologia da Informação do Grupo Cornélio Brennand, Leonardo Vieira, em conversa com o colunista Fernando Castilho e o diretor de jornalismo do SJCC, Laurindo Ferreira.
Para Vieira, a IA Generativa pode funcionar como uma retroescavadeira em comparação com uma pá. “É uma tecnologia que aumenta drasticamente a capacidade humana de fazer mais e melhor, com muito mais assertividade”, disse. Mas para que deixe de ser apenas potencialidade, e se torne benefício real, seu uso precisa ser precedido do letramento digital. A exemplo do que se adotou no Grupo Cornélio Brennand, a descentralização do acesso à tecnologia é uma rota para a eficiência, com a capacitação tecnológica em todas as áreas da empresa. A ilustração do caso pode valer para qualquer entidade, pública ou privada: a formação continuada em IA surge como exigência numa época em que o conhecimento seja não apenas plataforma para o desenvolvimento profissional individual, mas também, instrumento de atualização de ferramentas tecnológicas que apoiam o desenvolvimento humano coletivo.
O entrevistado afirmou que acredita numa substituição bem-vinda para o mundo do trabalho. Segundo ele, a IA assumirá “atividades que não trazem valor estratégico, liberando o humano para o que realmente importa, como o cuidado nas relações, a saúde e a análise crítica”. Antes dessa etapa, no entanto, Leonardo Vieira chama a atenção da necessidade de políticas públicas dirigidas à educação tecnológica da população, de maneira consistente e ininterrupta, já que a aceleração deve ser rotineira. “O processo de aprendizado precisa ser constante. A tecnologia que usamos hoje será superada amanhã”, avisa, com a experiência de duas décadas na área.
Em mais um testemunho de como a IA vai se incorporando à realidade econômica em Pernambuco e na região Nordeste, a série do JC Negócios Entrevista traça um mapa com localizações determinadas para o futuro do estado e da região. Para que a demanda pela inovação não se revele um gargalo ao crescimento, e sim, seja atendida enquanto vantagem competitiva, a base da educação tecnológica há de estar presente desde cedo, entre os jovens em idade escolar, e contar com a capacitação para aqueles que exercem carreiras no mercado de trabalho.
A atenção ao letramento digital não dispensa o letramento tradicional, nem a formação básica, como as que servem de parâmetro para avaliações internacionais de desempenho do aprendizado – em nosso caso, língua portuguesa, interpretação do texto lido e matemática. O que se vê nas empresas que assumem a responsabilidade e investem na formação continuada para a tecnologia em tempos de IA, lança ao poder público a provocação de que se faça mais, em maior escala, a fim de evitar efeitos negativos com repercussões sobre a atual e futuras gerações.













