Investigação esclareceu que crime não teve motivação política. Duas diaristas e dois seguranças do político foram apontados como responsáveis
Raphael Guerra
Publicado em 10/03/2026 às 10:09
| Atualizado em 10/03/2026 às 10:14
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Após dois anos, a Polícia Civil concluiu as investigações sobre o incêndio criminoso que destruiu parcialmente as casas de luxo do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e da irmã dele, Maria Emília Rueda, localizadas no Condomínio Toquinho, na praia de Serrambi, em Ipojuca, Litoral Sul de Pernambuco. Duas diaristas e dois seguranças foram indiciados, mas não foi possível comprovar se houve mandante para o crime.
O incêndio foi registrado na noite de 11 de março de 2024. Na época, Rueda chegou a declarar que o atentado poderia ter motivação política. Na época, havia uma disputa de poder pela presidência do União Brasil. Dias antes, o deputado federal Luciano Bivar foi afastado do comando da sigla.
Durante as investigações, a polícia identificou uma câmera de segurança que captou o início do avanço do fogo numa das residências. O mesmo equipamento conseguiu registrar a presença de uma pessoa em fuga.
“Restou evidente que a dinâmica do delito foi cuidadosamente planejada, levando em consideração a escassez de câmeras de segurança no local e o horário em que o crime foi praticado, após o anoitecer”, descreveu o delegado Ney Luiz Rodrigues, em inquérito, cuja cópia foi obtida pela coluna Segurança.
Apesar de a análise papiloscópica não ter identificado digitais ou objetos relacionados para descobrir a identidade dos suspeitos, a perícia criminal descartou que o incêndio tivesse ocorrido por curto-circuito, combustão espontânea ou ação da natureza.
“Além disso, a perícia revelou que a entrada dos suspeitos em uma das casas [de Rueda] se deu mediante arrombamento de uma das portas”, disse o delegado, no relatório final da investigação.
CONTRADIÇÕES EM DEPOIMENTOS
No inquérito, o delegado destacou contradições observadas nos depoimentos das diaristas e seguranças indiciados.
A diarista Maria das Dores dos Santos Maciel afirmou ter tomado conhecimento do incêndio somente dois dias depois do ocorrido, por meio da imprensa. Disse ainda que esteve três dias antes no condomínio. Ela omitiu a informação de que trabalhava a cerca de 50 metros das residências incendiadas.
Em novo depoimento, questionada pela polícia, Maria das Dores confirmou que, no dia do incêndio, telefonou para o marido, o segurança José Pereira Gomes. Ele trabalha na Usina Petribu, localizada perto do condomínio.
A polícia identificou uma linha telefônica usada no Condomínio Toquinho no dia do incêndio. E descobriu que aquele terminal pertencia à segurança da Usina Petribu e não poderia ser usado em outro local. Ao verificar as escalas dos funcionários da Petribu, os investigadores descobriram que José Pereira estava de plantão naquela noite.
Ao menos seis ligações foram identificadas do número analisado. Todas direcionadas à esposa de José Pereira, Maria das Dores, no horário do incêndio, aumentando as suspeitas da polícia.
A polícia descobriu ainda que o segurança efetuou uma transferência via Pix para um posto de combustíveis no dia do crime. Na avaliação dos investigadores, isso reforça o indício de aquisição do combustível para a execução do incêndio.
OUTRAS PROVAS
O segurança Aluisio Angelo da Silva, que estava de plantão na Usina Petribu na mesma noite, também mentiu para a polícia – conforme descrito em inquérito. No depoimento, ele afirmou que estava de folga no dia do incêndio e que estava no município de Paudalho, na Mata Norte do Estado. A polícia identificou o terminal telefônico pessoal dele no Condomínio Toquinho num horário próximo ao incêndio.
A polícia descobriu ainda 20 boletins de ocorrência de incêndios registrados por Aluisio quando trabalhava como vigilante na Usina Petribu em São Lourenço da Mata, no Grande Recife.
“Os históricos do BOs trazem sempre a mesma narrativa, noticia-se que pessoas desconhecidas tocaram fogo em toneladas de canas pertencentes a Usina Petribu”, apontou a polícia.
Em novo depoimento à polícia, Aluisio revelou que a cunhada, Maria Valéria dos Santos, trabalhava na residência da irmã de Antônio Rueda.
A mulher tinha acesso às chaves da casa de Maria Emília, único imóvel que não foi arrombado antes de incêndio. Para os investigadores, Maria Valéria facilitou a entrada dos executores para incendiar a casa.
Durante a investigação, o marido dela também chegou a ser investigado por apresentar contradições nos depoimentos, mas acabou não indiciado por falta de provas.
INDICIAMENTO
Na conclusão do inquérito, a Polícia Civil indiciou José Pereira Gomes, Maria das Dores dos Santos Maciel, Aluisio Angelo da Silva e Maria Valéria dos Santos por incêndio criminoso e associação criminosa.
Todos estão em liberdade. O inquérito foi remetido na semana passada ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que vai decidir se denuncia os quatro à Justiça.
A coluna não conseguiu contato com as defesas dos indiciados. O espaços segue aberto.
Uma cópia da investigação também foi remetida à Polícia Federal por determinação do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).


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