Pernambuco no limite: UTIs para recém-nascidos atingem 100% de ocupação e 49 crianças estão em fila para vaga por síndrome respiratória

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Pernambuco no limite: UTIs para recém-nascidos atingem 100% de ocupação e 49 crianças estão em fila para vaga por síndrome respiratória


Nas UTIs pediátricas (a partir de 29 dias de vida), o cenário também preocupa: ocupação é de 94,19%. Pacientes têm síndrome respiratória aguda grave

Por

Cinthya Leite


Publicado em 16/04/2026 às 20:48
| Atualizado em 16/04/2026 às 20:50



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O cenário se repete. Mais uma vez, Pernambuco chega ao período mais crítico da sazonalidade das doenças respiratórias na infância (fase do ano em que agentes como influenza e vírus sincicial respiratório, conhecido pela sigla VSR, circulam com maior intensidade). Com o aumento das infecções entre crianças, a rede hospitalar de alta complexidade chega ao esgotamento.

Dados da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) mostram que todas as unidades de terapia intensiva (UTI) neonatais do Estado estão ocupadas, sem vagas disponíveis para recém-nascidos com quadros respiratórios em estado grave. As UTIs neonatais são especializadas no atendimento de recém-nascidos (geralmente até 28 dias). 

Nas UTIs pediátricas (a partir de 29 dias de vida), o cenário também é preocupante: a taxa de ocupação chegou a 94,19%.

Todos os pacientes apresentam diagnóstico de síndrome respiratória aguda grave (srag).

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O reflexo imediato dessa pressão aparece na fila de regulação estadual. Até as 16h desta quinta-feira (16), segundo a SES-PE, 49 crianças aguardavam por leitos de UTI: 46 para UTI pediátrica e três para UTI neonatal.

Atualmente, a rede estadual conta com 517 leitos voltados para srag. Desse total, 299 foram abertos apenas neste ano para enfrentar o aumento sazonal de casos. Mesmo assim, a velocidade do crescimento da demanda tem superado a capacidade de expansão da rede.

Veja o panorama de ocupação dos leitos 

  • UTI Neonatal: 100% de ocupação
  • UTI Pediátrica:94,19%
  • Enfermarias Pediátricas: 87,50%

Veja o panorama de fila de espera

  • 46 pacientes pediátricos
  • 3 pacientes neonatais
  • A espera por suporte intensivo

Cenário no Hospital da Criança do Recife

No recém-inaugurado Hospital da Criança do Recife (HCR) Antonio Carlos Figueira, o cenário também é de superlotação. Estão em atividade e ocupados 30 leitos de enfermaria e 10 de UTI pediátrica. 

Na UTI, todos os pacientes apresentam quadro de de síndrome respiratória aguda grave (srag), de acordo com a Secretaria de Saúde do Recife (Sesau). Nos leitos de enfermaria, a maioria tem diagnóstico de doenças respiratórias. 

A previsão da Sesau é que mais 20 leitos de enfermaria sejam inaugurados na próxima semana. 

Estruturas intermediárias

Enquanto não surgem vagas em UTI, a rede de saúde estadual tenta absorver a demanda mantendo os pacientes em estruturas intermediárias.

Segundo a SES-PE, as crianças que aguardam regulação estão sendo atendidas em salas vermelhas de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou em enfermarias de hospitais de referência.

Embora o Estado informe que os pacientes permanecem sob monitoramento de equipes multiprofissionais e recebendo suporte avançado de vida, a pressão sobre as unidades de urgência e emergência é considerada máxima.

Radiografia da crise: o peso da sazonalidade

O período entre março e agosto costuma ser o mais desafiador para a saúde infantil, devido à maior circulação de vírus respiratórios como influenza, VSR, rinovírus e covid-19.

Em 2026, esse cenário tem se refletido em números elevados. Até 11 de abril, Pernambuco registrou 1.652 casos de srag. Mais da metade das ocorrências (902) foram registradas em crianças de 0 a 2 anos.

Para tentar conter o avanço da demanda, o governo estadual ativou o Plano de Contingência para Doenças Respiratórias na Infância.

Teleinterconsulta: estratégia para evitar internações

Uma das apostas da SES-PE para reduzir a pressão sobre os hospitais é a teleinterconsulta pediátrica.

O serviço permite que médicos de UPAs e de unidades de menor complexidade discutam casos clínicos em tempo real (por telefone ou videochamada) com especialistas da Central de Regulação Estadual.

A estratégia busca qualificar a assistência, a fim de permitir que alguns casos sejam resolvidos na própria unidade de origem para evitar encaminhamentos desnecessários para hospitais de maior complexidade.

Durante os meses de maior circulação viral, o sistema registra entre 500 e 800 teleinterconsultas por mês. 

Ainda assim, com a ocupação das UTIs próxima do limite, a capacidade de resolução nas unidades de origem se torna cada vez mais desafiadora quando o quadro clínico evolui para necessidade de suporte intensivo.

A SES-PE informou que novos leitos de UTI devem ser abertos nos próximos dias e que a Central Estadual de Regulação segue monitorando continuamente as solicitações para agilizar transferências.






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