Leitura é capacidade de escuta

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Leitura é capacidade de escuta


Patronesse do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas, a escritora Carla Madeira defende o ato de ler como um resgate da imaginação



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Teve início no sábado, 25, e segue até 3 de maio, o 21º Festival Literário Internacional de Poços de Caldas – Flipoços, no sul de Minas Gerais. Este ano o tema do evento é “Cartas e diários na literatura – O intimismo das palavras”. A patronesse é a escritora mineira Carla Madeira, publicitária por formação, autora de “Tudo é rio”, de “A natureza da mordida” e de “Véspera”, obras marcantes da literatura brasileira contemporânea.
Neste domingo, 26, a patronesse conversa com a curadora do Flipoços, Gisele Ferreira, sobre “A Intimidade como Território Literário – Afeto, silêncio e profundidade emocional na ficção contemporânea”, no Palco Sulfurosa, a partir das 7 e meia da noite. Carla Madeira concedeu breve entrevista à coluna, em que trata do silêncio na literatura, da diferença essencial entre o processo criativo da publicidade e da literatura, e da importância da leitura de livros em nossa época.

Como o silêncio se manifesta na literatura contemporânea? E como se conecta com o leitor?
Carla Madeira – A literatura, hoje, já é uma possibilidade de silêncio. A gente sair desse caos de estímulo, de informação, parar para ler um livro ou para escrever, já é preciso fazer algum silêncio dentro de si mesmo, para ouvir. Tanto escrever quanto ler me parece um processo de escuta. Ao mesmo tempo, o silêncio como recurso literário: a possibilidade da entrelinha, do subentendido, daquilo que não é dito, mas que está sendo percebido, ouvido. Você não dizer, mas deixar uma provocação a partir do silêncio, que leva o leitor a sentir, ou formular, ou entrar em contato, a partir da sua subjetividade, com aquilo que está sendo não dito, mas está gritando de alguma maneira.

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A linguagem literária e a linguagem publicitária acessam a emoção das pessoas de modo diferente? Ou pode haver semelhança, em abordagens diversas?
Carla Madeira – A diferença essencial da linguagem publicitária para a linguagem literária, quando a publicidade está se propondo a contar uma história, com começo, meio e fim, essencialmente a diferença não está na linguagem. Está no processo criativo. A publicidade parte de um objetivo mercadológico, de um briefing, de uma decisão a priori do que precisa ser dito. A literatura, não. A literatura inclui a subjetividade do autor e do leitor. Tem um coeficiente artístico, que é uma certa distância entre a intenção do autor, do que ele quer dizer, e aquilo que é compreendido pelo público. A arte permite e quer essa distância. A publicidade, não. A publicidade quer que aquilo que seja dito, seja exatamente aquilo que vai ser compreendido. Do ponto de vista do domínio de linguagem, de saber contar uma história com sensibilidade, com a capacidade de afetar as pessoas, de emocionar ou fazer pensar, a publicidade trabalha muito bem esses lugares. A essência da diferença está no propósito, na intenção, no espaço subjetivo que a publicidade não tem, não deve ter.

Qual a importância da leitura de um livro nos dias atuais, Carla?
Carla Madeira – Tirando a importância que sempre existiu, de abrir reflexões sobre a existência humana, sobre a condição humana e o que somos capazes de fazer ou não, sobre a ludicidade e os lugares que a linguagem nos leva, e as possibilidades que a leitura sempre trouxe, hoje tem uma questão interessante sendo incluída: a de resgatar a nossa capacidade de se entregar a um processo menos vertiginoso do que tem sido o nosso consumo de informação, comunicação, o que falei do silêncio. A leitura, hoje, nos resgata. Resgata o nosso potencial de aprofundar, de se demorar, e de imaginar, não ter tudo ali pronto. E de sair de um processo de fragmentação muito grande. A leitura opera nesse lugar essencial que a gente não deveria perder, a capacidade de ouvir e se entregar a uma história. No final das contas, as possibilidades que a leitura traz são um processo de humanização. Da gente saber se colocar no lugar do outro, entender que o mundo não é só o nosso ponto de vista, o que a gente quer enxergar. Que o outro enxerga diferente, o outro é diferente. Essa é a riqueza da leitura.

Encontro no Flipoços

Após passar pelo Recife, na Academia Pernambucana de Letras, e São Paulo, na Livraria Martins Fontes, o Lançamento do “Encontro escrito à mão – Cartas sobre cartas” chega ao Flipoços, com apresentação do livro e sessão de autógrafos por Bruna Maciel Borges e este colunista. A partir das 10h no Palco Sulfurosa, na praça ao lado do Palace Hotel, em Poços de Caldas.

O intimismo das palavras

Alguns destaques na programação do Flipoços:

Políticas Públicas de Livro, Leitura e Bibliotecas: Trazendo a experiência prática de atuação em conselhos municipais e comissões setoriais – Com Danielle Roveré e Luis Nassor. Participações especiais de Zoara Failla e Bárbara Botega. Mediação de José Castilho. No Palco Coreto Cultural EPTV, domingo, 26, às10h.

O caminho do Jabuti – Com Hubert Alquéres, André Kondo, Marcelo Henrique Silva e Rafael Zoehler. Mediação de Pedro Gontijo. No Palco Sulfurosa, domingo, 26, às 11h.

Festivais e Bienais em diálogo – Com Fabiano Piúba, Gisele Ferreira, Sevani Matos e Júlio Ludemir. Mediação de Leonardo Neto. No Palco Coreto Cultural EPTV, domingo, 26, a partir do meio-dia.

Ler cartas, um crime que nos seduz – Com Nisia Duarte Werneck, Marília Paiva, Inês Gariglio e Maria Angélica Alves. Mediação de Humberto Werneck. No Becco Gastronomia, segunda, 27, a partir de 13h30.

Cartas Vivas: memória, narrativa e presença – Com Alex Andrade, Andrea Taubman e Érica Toledo. No Palco Sulfurosa, segunda, 27, às 15h.

Freud no Recife e seus últimos dias no Marco Zero – Com Spencer Hartmann Júnior. Na Chocolateria Lascaux, segunda, 27, às 16h.

Escritas do Sentir: Corpo, Memória e Cena na Literatura Contemporânea – Com Beatriz Aquino e Julia Wähmann. Mediação de Silvia Schmidt. Na Chocolateria Lascaux, segunda, 27, às 17h30.

Amar Até o Fim: Afetos, Cuidado e a Condição Humana – Com Alexandre Coimbra Amaral e Ana Quintana Arantes. No Palco Sulfurosa às 19h30.

O fim da psiquiatria

Walter Macedo Filho também está no Flipoços. No domingo, 26, conversa sobre “”O fim da psiquiatria: arte, loucura e invenção” com a mediação do também escritor Alexandre Gossn, na Chocolateria Lascaux, às 12h30. Na segunda, 27, coordena a oficina de iniciação à escrita de ficção, “Sua vida NÃO daria um livro”. O escritor promove no evento o lançamento de seu livro “O fim da psiquiatria e outros contos”, em publicação da Folheando.

 


Divulgação

Manoella Valadares é poeta – Divulgação

A Tasquinha do Cupim

Manoella Valadares lança a plaquete poética “A Tasquinha do Cupim” (Impressões de Minas) na Feira Na Foz, neste domingo, 26, no Recife. A obra tem Projeto gráfico de Elza Silveira, foi produzida de modo artesanal, com impressão em tipografia, e costurada à mão. A sessão de autógrafos será nos jardins do Museu do Estado de Pernambuco, a partir das 4 da tarde.

Eventos na APL

A Academia Pernambucana de Letras (APL) abriga mais uma edição do “Domingo sem Tela”, com variada programação de atividades para crianças a partir dos 3 anos de idade. A realização é da Companhia Editora de Pernambuco – Cepe. Na sede da APL, no Recife, a partir das 2 da tarde deste domingo, 26.
E na segunda, 27, Lourival Holanda faz conferência em homenagem aos 140 anos de Manuel Bandeira, a partir das 3 da tarde. A entrada é gratuita para os dois eventos, com estacionamento no local.






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