Péricles emociona Rock in Rio com clássicos da Motown

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Péricles emociona Rock in Rio com clássicos da Motown


Péricles trocou o pagode por sucessos do soul e do R&B norte-americanos e foi ovacionado em show tributo à Motown Records no Palco Sunset do Rock in Rio.

O cantor Péricles substituiu o repertório de pagode por sucessos do soul e do R&B norte-americanos durante apresentação no Palco Sunset do Rock in Rio, na noite de segunda-feira (7), em um show dedicado à Motown Records, gravadora fundada em 1959 nos Estados Unidos. A homenagem foi criada especialmente para o festival a partir de sugestão de Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, e reuniu 14 faixas do catálogo da gravadora, com uma banda de nove músicos e quatro backing vocals montada só para a ocasião.

A Motown Records nasceu em Detroit, no estado americano de Michigan, sob comando do produtor Berry Gordy Jr., em um período no qual boa parte dos Estados Unidos ainda mantinha leis de segregação racial. A gravadora se tornou uma das principais plataformas para artistas negros na indústria fonográfica americana e ajudou a consolidar o que passou a ser chamado de black music, conjunto de gêneros como soul, R&B e funk produzidos majoritariamente por músicos negros. Passaram pelo selo nomes como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Diana Ross, The Supremes, The Temptations, The Jackson 5, Lionel Richie e Smokey Robinson & The Miracles, artistas que ajudaram a levar essa produção musical a um público que ia muito além do mercado afro-americano.

Péricles citou a gravadora como referência direta para decisões da própria carreira. Em entrevista ao g1 antes do show, o cantor afirmou que o exemplo da Motown o motivou a estruturar um selo e uma empresa próprios, a Farias Produções. A declaração coloca a homenagem além do tributo musical, ligando a história da gravadora ao processo de autonomia que Péricles buscou construir dentro da indústria musical brasileira.

Vestido com figurino prateado e capa estampada com fotos de artistas ligados à Motown, Péricles abriu a apresentação com “Ain’t No Mountain High Enough”, de Marvin Gaye, seguida por “I Want You Back”, do Jackson 5. O repertório incluiu ainda “My Girl”, dos Temptations, “Cruisin’”, de Smokey Robinson, “I’ll Be There”, também do Jackson 5, “End of the Road”, do Boyz II Men, e “Let’s Get It On” e “All Night Long”, de Lionel Richie. A apresentação terminou com “ABC”, do Jackson 5, e “Superstition”, de Stevie Wonder. Ficou de fora “Stand by Me”, de Ben E. King, música que o cantor costuma inserir em seus shows de pagode mas que não pertence ao catálogo da gravadora homenageada.

A apresentação também colocou o samba e o pagode em um espaço historicamente ocupado por outros gêneros no line-up do Rock in Rio. Em depoimento ao g1, Péricles comparou a postura do rock com a trajetória do samba no cenário musical brasileiro e defendeu a presença de outras vertentes populares no festival. Segundo ele, o samba carrega uma atitude de transformação semelhante à atribuída historicamente ao rock and roll: “Quando a gente fala de rock, a gente fala da atitude rock and roll, atitude de revolucionar. O samba já vem mostrando isso há muito tempo. E num palco como o Rock in Rio, nada mais justo do que a gente ter outras vertentes de movimentos e segmentos que fazem a diferença, que fazem a revolução”, disse o cantor.

Os ensaios para o show tributo ocorreram junto com a produção de um novo álbum de Péricles, com lançamento previsto para o fim de setembro. O cantor já se apresentou em edições anteriores do Rock in Rio, incluindo uma homenagem a Alcione em 2024, mas ainda não subiu ao palco do festival com um show autoral dedicado aos próprios sucessos.




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