Pela mobilidade sustentável

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Seminário nacional em Brasília destaca necessidade de investimentos no transporte coletivo em face dos desafios das mudanças climáticas

Por

JC


Publicado em 13/08/2025 às 0:00

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Em uma cidade travada como o Recife, num estrangulamento que se estende a boa parte da Região Metropolitana, é fácil notar a falta que fazem alternativas eficientes, rápidas, confortáveis e seguras de transporte coletivo. A prevalência dos automóveis, o sucateamento do metrô, a insuficiência de ônibus e a solução falaciosa do uso maciço das motos com passageiros apenas aumentam a percepção de que está tudo errado no trânsito da capital pernambucana.
Dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) mostram que, nos últimos quatro anos, 25% dos brasileiros deixaram de andar de ônibus. Desde 2014, são cerca de 20 mil passageiros a menos – por dia – em todo o território nacional. As razões para essa debandada são diversas, e refletem uma crise profunda, coroada pela multiplicação de sinistros envolvendo motocicletas em serviço de transporte de pessoas ou alimentos. Em relação aos ônibus, que perderam 44% do público em uma década, as frotas antigas, o desconforto e a insegurança nos trajetos, o preço alto que é visto como baixo custo-benefício, as rotas pouco atrativas e o desrespeito ou inexistência de faixas exclusivas para os coletivos, compõem uma lista de fatores que desestimulam os usuários.
Com a cobertura da coluna Mobilidade, do JC, a NTU realiza em Brasília o 38º Seminário Nacional de Transporte Público, sob o tema central “Rotas para um transporte público mais sustentável”. A questão é atual e bem posta para os desafios de uma era impactada por mudanças climáticas em níveis ainda incipientes, com a ocorrência de temperaturas extremas de calor e de frio, além de fenômenos intensos como temporais e prolongados períodos de estiagem. As cidades brasileiras, em sua maioria, não possuem planos de adaptação climática, o que dificulta ainda mais o redimensionamento da mobilidade para a população, em condições que atendam às demandas reprimidas através de soluções sustentáveis.
Como registrado pela colunista Roberta Soares, para o presidente do Conselho Diretor da NTU, Edmundo Pinheiro, o transporte coletivo é fundamental para “enfrentar a emergência climática global, sendo essencial para a redução das emissões de gases de efeito estufa”. Mas para cumprir tal desígnio, investimentos precisam ser feitos “em qualidade, inovação e acesso universal, complementados por tarifas módicas e financiamento público adequado”, afirma. Trata-se de uma equação complexa, que requer a abordagem combinada entre a recuperação estrutural com viés de sustentabilidade, e a atratividade urgente que traga de volta os passageiros em movimento de fuga desde antes da pandemia.
Embora se refira quase sempre à realidade ambiental, o termo sustentabilidade pode ser dirigido à face econômica da crise do transporte público no Brasil. Por isso a discussão que traz para a mesma mesa o preço da tarifa e a remuneração do serviço não pode se restringir ao evento, cativando a atenção dos gestores públicos e privados dos sistemas em operação. A mobilidade sustentável deve sê-lo ambiental e economicamente, com resultados socialmente justos, focados, antes de mais nada, na qualidade de vida dos cidadãos.



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