Nas seis semanas desde que Josh D’Amaro assumiu a Disney, os contratempos têm sido praticamente ininterruptos.
A OpenAI descontinuou sua ferramenta de texto para vídeo, Sora, anulando um acordo de US$ 1 bilhão com a Disney. Uma grande desenvolvedora de videogames vacilou, obscurecendo uma parceria com a qual a Disney conta para crescer. “The Bachelorette“, da ABC, de propriedade da Disney, implodiu em meio a um escândalo envolvendo sua estrela. Em seguida, D’Amaro anunciou demissões relacionadas a cortes de marketing em toda a empresa.
Mas agora o mais novo CEO de Hollywood foi confrontado com uma emergência genuína, que pode marcar seu mandato: guiar a Disney através de uma crise política com o presidente Donald Trump.
Reguladores federais ordenaram na terça-feira uma revisão de todas as licenças de estações de propriedade da ABC. A Comissão Federal de Comunicações (FCC) disse em um documento que a revisão estava ligada a uma investigação sobre as políticas de diversidade e inclusão da ABC, mas ela chegou depois que Trump exigiu que a emissora demitisse o apresentador Jimmy Kimmel.
O governo federal nunca havia ordenado uma revisão tão abrangente das licenças de uma grande rede de televisão, que permitem às empresas transmitir em mercados locais. Se a FCC decidir bloquear a renovação das licenças das estações da ABC, a emissora terá amplo recurso nos tribunais.
A Disney provavelmente venceria uma batalha judicial: o padrão legal para negar uma renovação de licença é quase intransponível, disseram advogados independentes de mídia. Mas a Disney pode se ver presa em meses, se não anos, de custosas disputas legais com o governo federal.
“É altamente incomum que um novo CEO receba um teste tão grande tão cedo”, disse Jeffrey Sonnenfeld, presidente do Chief Executive Leadership Institute de Yale, que recentemente publicou um livro sobre o estilo de liderança de Trump. “É um fardo, mas também pode ser extremamente valioso. Josh agora vai ver em quem pode confiar internamente, quem entende como ele quer operar.”
A Disney possui apenas oito das mais de 200 estações locais que transmitem a programação da ABC. Mas as estações da Disney são a espinha dorsal da rede porque cobrem os maiores mercados, incluindo Nova York, Los Angeles, Chicago, Filadélfia, Houston e São Francisco.
A Disney recusou disponibilizar D’Amaro para uma entrevista. Em um comunicado, a empresa disse estar “confiante” de que suas estações operavam em “total conformidade” com as regras da FCC.
“Nosso histórico demonstra nossas qualificações contínuas como licenciados sob a lei de comunicações e a Primeira Emenda“, disse a Disney, acrescentando que estava preparada para se defender “através dos canais legais apropriados”.
James P. Gorman, presidente do conselho da Disney, disse em uma conferência na Noruega na terça-feira que estava confiante na capacidade de D’Amaro de conduzir a empresa através da crise.
“Ele é de classe mundial, então tenho certeza de que estará à altura da ocasião e fará o que é certo”, disse ele, observando que D’Amaro seria “orientado pelo conselho”.
Antes de se tornar CEO, D’Amaro passou toda sua carreira no lado de experiências dos negócios da Disney parques temáticos, resorts, navios de cruzeiro. Então a situação com Kimmel e Trump é um terreno novo.
Navegar por ela exigirá que D’Amaro se apoie em sua recém-instalada equipe de liderança sênior —notadamente a presidente da Disney, Dana Walden, que desempenhou um papel fundamental em desarmar uma briga semelhante entre Kimmel e conservadores em setembro.
D’Amaro e Walden eram rivais pelo cargo principal, e o conselho da Disney criou uma nova posição para convencer Walden a permanecer na empresa. Agora os dois precisam compartilhar a mesma trincheira.
D’Amaro precisa apenas olhar para a história recente de liderança da Disney para ter um exemplo do quanto está em jogo. Logo depois que Bob Chapek assumiu a empresa em 2020, ele entrou em uma acalorada disputa política com o governador da Flórida, Ron DeSantis, sobre uma legislação conhecida como “Don’t Say Gay“.
A forma como Chapek lidou com a situação desencadeou uma tempestade política, com figuras de direita atacando a “Disney lacração”. O assunto contribuiu para sua demissão em 2022. Foi aí que Bob Iger saiu da aposentadoria para reassumir o comando da Disney e permaneceu até D’Amaro assumir.
Não há sinais de que a Disney pretenda demitir Kimmel. Na verdade, o CEO novato enviou a mensagem oposta na segunda-feira.
Mais cedo naquele dia, Trump e a primeira-dama, Melania Trump, disseram que Kimmel deveria ser demitido por uma piada que ele fez no “Jimmy Kimmel Live!” na última quinta-feira. O apresentador fingiu ser o mestre de cerimônias do próximo jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca e, dirigindo-se a uma falsa Trump, disse que ela tinha o “brilho” de uma “viúva em expectativa”.
No sábado, o jantar foi cancelado depois que um homem portando armas letais violou a segurança do lado de fora do salão de baile do hotel em Washington onde o evento estava acontecendo. Um suspeito de 31 anos foi acusado de tentar assassinar Donald Trump.
Melania Trump disse na segunda-feira que Kimmel “não deveria ter a oportunidade de entrar em nossas casas todas as noites para espalhar ódio”. Mas em vez de tirá-lo do ar ou pressioná-lo a se desculpar, D’Amaro permitiu que o comediante apresentasse seu programa normalmente.
“Foi uma piada muito leve sobre o fato de que ele tem quase 80 anos e ela é mais jovem do que ele”, disse Kimmel em seu monólogo. “Não foi, de forma alguma, um chamado ao assassinato, e eles sabem disso.”
Nos próximos meses, D’Amaro também terá que lidar com questões que vão muito além do “Jimmy Kimmel Live!”. Alguns analistas questionaram se as operações de televisão da Disney, que incluem várias redes a cabo, fazem sentido na era do streaming.
“Será muito interessante ver como Josh navega isso — se ele mostra disposição para enfrentar algumas decisões realmente difíceis”, disse Rich Greenfield, fundador da LightShed Partners, uma empresa de pesquisa.
“Espero que isso catalise discussões mais profundas sobre quais ativos são críticos para a Walt Disney Company e quais ativos são secundários. A televisão de late-night não dá dinheiro para a Disney. Por que eles estão nesse negócio?”


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