Cerca de 400 pessoas se reuniram, na manhã deste domingo (3), em frente ao vão livre do Masp, em protesto contra o encerramento das atividades da Rádio Eldorado, previsto para 15 de maio. Com cartazes e megafone, ouvintes da emissora se alternaram para ressaltar o inconformismo com fechamento e o vínculo afetivo com a emissora, no ar há quase 70 anos.
A Eldorado, do grupo Estado, operava em frequência educativa com a Fundação Brasil 2000. O fim da parceria e mudanças no consumo de áudio, segundo nota, inviabilizaram a operação, que segue até dia 15 de maio, quando a faixa passará a ser operada pela Band. Como mostrou a Folha, aproximadamente 60 profissionais ligados à rádio devem ser desligados, enquanto o grupo afirma que está estudando a realocação de parte da equipe.
De acordo com a organizadora do protesto, a artista Nina Vogel, que criou um abaixo-assinado na Change.org, a repercussão online é grande, com milhares de mensagens recebidas. Há ainda outras petições no site com o mesmo propósito, que já somam quase 15 mil assinaturas ao todo.
“A rádio dos melhores ouvintes é nossa, é um bem imaterial brasileiro”, disse. “Enquanto cidadã, não posso aceitar o desmonte de instituições culturais fundantes. A Eldorado formou ouvintes, é uma questão pedagógica.”
O vereador Nabil Bonduki (PT) destacou a defesa da memória, da qualidade musical e da liberdade de expressão associadas à emissora. Também afirmou apoio à mobilização para manter a rádio no ar, sugerindo um modelo de gestão da comunidade e sem fins lucrativos.
O encontro, que durou duas horas sob chuva fina na avenida Paulista, teve a presença de apresentadores da grade como Paula Lima, Leandro Cacossi, Felipe Tellis, Baba Vacaro, André Góis e Roberta Martinelli.
Martinelli, que apresenta os programas “Som a Pino” e “Clube do Livro”, destacou a curadoria musical e a liberdade editorial, com espaço para experimentação e conteúdos como literatura.
“Onde mais iam me deixar atender telefone para falar com as pessoas sem filtro? Onde iam deixar um programa de literatura em que você fica uma hora falando e isso entra no ar?”, disse ela, que numa transmissão recente falou o verso “a nossa onda de amor não há quem corte“, da banda Gang 90 e as Absurdettes, frase que alguns ouvintes também levavam em uma faixa.
A assistente social Eliana Mariani, de 59 anos, destaca essa relação de intimidade com a emissora. Em 2021, durante o tratamento de um câncer, em plena pandemia de Covid e sem poder receber visitas, ela afirma que a rádio foi uma companhia. “Eu encontrei acolhimento na fala dos locutores. Sinto que eles estão falando mesmo comigo.”
Ouvinte do “Som a Pino”, ela participa de um grupo de WhatsApp com mais 50 pessoas, no qual comentam as edições e organizam encontros.
Por vezes, os manifestantes gritavam: “Não é algoritmo. É Eldorado”. Baba Vacaro, que apresenta o “Navega” desde 2016, afirma que essa percepção vem da liberdade dada ao trabalho dos locutores, de buscar e apresentar o que quiserem, numa relação em que a sensibilidade do apresentador está a favor do programa.
O representante comercial Pedro Roberto Evangelista, 69, diz ser ouvinte há 45 anos. Em uma edição do extinto programa “Sunrise”, foi selecionado para ir aos estúdios e apresentar uma música. “Foi uma experiência inesquecível. O que você ouve na Eldorado não ouve em nenhuma outra do Brasil. Eu sinto que vamos ficar um pouco órfãos.”

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