O Brasil é uma potência regional com comportamento estratégico de país pequeno. Precisa estruturar sua Defesa a partir de suas condições endógenas
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Debate-se a ideia de que o Brasil gasta demais com Defesa, de que suas Forças Armadas são pouco úteis diante das guerras contemporâneas e de que sua presença institucional deveria ser reduzida.
Será isso mesmo?
Mapeei as perguntas mais recorrentes que aparecem em textos de grandes jornais e que apontam supostas deficiências a serem enfrentadas por nossas Forças Armadas.
Há muito a questionar e responder. Nosso esforço reside em pôr o tema sob holofote e fazer a sociedade, ainda despreocupada, identificar os antagonismos à nossa soberania que batem diariamente à nossa porta.
Estamos tendo mais uma guerra pelo petróleo. Teremos uma pelas terras raras, pelos chips, pelos grãos e pela água.
Alguém duvida? À exceção dos chips, são todos recursos naturais que o Brasil abriga em seu território.
Vamos às perguntas.
Se não há ameaças imediatas, por que investir mais em Defesa?
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Porque a Defesa não se constrói em reação à crise, mas em antecipação a ela. Míssil hipersônico não se compra pela internet com um simples clique do mouse.
A ausência de conflitos não elimina o risco de enfrentá-los. Em um ambiente internacional marcado pela competição entre potências, essa ausência apenas indica que eles ainda não se materializaram em nosso quintal.
As guerras modernas tornaram obsoletas as Forças Armadas tradicionais?
Não. Tornaram-nas mais complexas. O poder militar contemporâneo associa capacidades convencionais na terra, no mar e no ar às dimensões imateriais cibernética, espacial e informacional. A combinação entre o passado e o futuro torna-se condição para o êxito nas novas guerras.
O orçamento está excessivamente concentrado em pessoal e previdência?
Há, de fato, desafios estruturais. Mas eles não se resolvem com cortes indiscriminados, ranço ideológico ou agendas persecutórias.
Importante ressaltar que a profissão das armas não carrega privilégios. Ela possui especificidades, restrições e exigências permanentes que demandam tratamento distinto e justificado.
Reformas, se necessárias, devem ser conduzidas com responsabilidade, equidade e, mais importante, sem comprometer as capacidades de Defesa do país.
Deveríamos seguir os padrões internacionais de gasto?
Comparações internacionais exigem cautela, embora ajudem a compreender a dimensão do problema. Países inseridos em alianças militares ou envolvidos em conflitos diretos possuem realidades distintas. A maioria deles elevou drasticamente o percentual do PIB destinado à Defesa nos últimos anos.
O Brasil é uma potência regional com comportamento estratégico de país pequeno. Precisa estruturar sua Defesa a partir de suas condições endógenas para oferecer dissuasão eficaz com os meios de que dispõe.
A participação dos militares no debate público representa risco à democracia?
Em democracias maduras, Defesa é tema de Estado. Isso pressupõe diálogo institucional entre civis e militares. A exclusão dos militares — atores tão centrais quanto os civis — não fortalece a democracia. Ao contrário, empobrece a formulação de políticas coerentes para a Defesa.
E mais, o soldado profissional, diante do desafio inerente à guerra, tem o dever de requisitar meios e assessorar a liderança política na tomada de decisão. Igualmente, espera que a liderança política compreenda e proveja esses meios.
Há países que não possuem Forças Armadas. Por que não os imitamos?
É verdade. Mas é verdade também que são inexpressivos do ponto de vista geopolítico ou são protegidos por outros países com interesses diretos sobre esses territórios. Como exemplos: Costa Rica, Islândia, Panamá, Mônaco, Hong Kong, Aruba, Tuvalu.
Como conclusão, o Brasil gasta demais com Defesa?
Com cerca de 360 mil militares ativos, desdobrados em um território de 8,5 milhões de km², o país apresenta uma densidade de 0,04 militar por km². Submetidos ao mesmo cálculo, os Estados Unidos contam com cerca de 0,13 militar por km², a Colômbia alcança 0,26 por km² e a Alemanha, 0,51 por km².
Quando se observa a relação com a população, apenas cerca de 0,17% dos 203 milhões de brasileiros integra as Forças Armadas. Nos Estados Unidos, esse percentual é da ordem de 0,39%, na Alemanha, cerca de 0,22% e, na Colômbia, aproximadamente 0,56%.
Igualmente, o esforço orçamentário reforça essa assimetria. Dados do SIPRI (2025) indicam que o Brasil destina algo como 1,1% do PIB à Defesa, com gastos aproximados de US$ 22 bilhões. No mesmo período, os Estados Unidos aplicaram cerca de US$ 997 bilhões (3,4% do PIB), a Alemanha cerca de US$ 88 bilhões (1,6% do PIB) e a Colômbia aproximadamente US$ 15 bilhões (3,2% do PIB).
Ainda, quando se pensa nos custos para o cidadão pelo apoio direto à Defesa, chega-se à cifra de R$ 1,30 por pessoa por dia. Isso mesmo, R$ 1,30 é quanto cada um de nós gasta para garantir nossa liberdade.
Em síntese, o Brasil combina grande território, população expressiva, mas pouco participativa no esforço pela Defesa, baixa densidade militar em seu território e reduzido esforço orçamentário — uma equação que sugere mais fragilidade do que capacidade dissuasória de nossa Defesa.
No fundo, a questão não é como o Brasil pensa Defesa sob os tantos e importantes aspectos, mas se está disposto a assumir os riscos de ser pego de calças curtas quando a guerra chegar — e ela virá!
Otávio Santana do Rêgo Barros, general de Divisão da Reserva

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