O Rio de Janeiro continua lindo. Resta saber se continua sendo. As galerias que desbravam nesta semana mais uma edição da ArtRio vão à feira no ritmo do samba, dois passos para a frente, um para trás, talvez alguns mais. A seleção das casas tem figuras repetidas que não encontraram comprador na última SP-Arte, mas também muitos nomes de grosso calibre que dão as caras no mais encantador dos balneários do mundo.
Esse charme irresistível da cidade, aliás, é o motor do evento que toma a Marina da Glória, um lance hedonista até não poder mais, mas que deixa os contadores nervosos com barquinhos que vão e vêm sem qualquer Pix confirmado na conta.
No alto da pirâmide, duas obras do império conhecido como Almeida & Dale chamam a atenção. Um móbile de Alexander Calder, com preço estimado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, e uma tela bem rasgada de Lucio Fontana, à venda por R$ 15 milhões, figuram no topo da lista de preços nesta feira. Esta última apareceu na Gomide&Co na recente edição da SP-Arte, em abril, mas segue no mercado.
Há ainda outros nomes na casa dos muitos milhões. Na Continua, galeria italiana com sedes no mundo todo, entre elas uma casa em São Paulo, tem uma escultura do indiano Anish Kapoor à venda por R$ 7 milhões e outra do italiano Michelangelo Pistoletto por R$ 3,1 milhões. A mesma Almeida & Dale dos cifrões inflados tem à venda uma obra de Sergio Camargo por R$ 5 milhões.
A carioca Flexa tem um dos trabalhos mais sedutores de Adriana Varejão, artista que representa o país na atual Bienal de Veneza, na Itália, também por R$ 5 milhões, além de uma obra de Lygia Pape por R$ 3,1 milhões. Na Danielian, com espaços em São Paulo e no Rio de Janeiro, há uma tela de Antonio Bandeira à venda por R$ 3,8 milhões, enquanto na paulistana Dan há um trabalho de Alfredo Volpi ofertado pelo mesmo valor.
Na mesma galeria, há pinturas de Emiliano Di Cavalcanti por R$ 1,35 milhão e de Hermelindo Fiaminghi, por R$ 1,8 milhão. A Galatea, com espaços em São Paulo e Salvador, tem um trabalho do venezuelano Carlos Cruz-Diez à venda por R$ 3,6 milhões. Na Raquel Arnaud, de São Paulo, outra obra do artista sai por R$ 2,2 milhões.
O lastro desses medalhões pode dar estofo à feira num ano de enorme turbulência no mercado, assolado pelas guerras em curso em vários fronts, as eleições legislativas americanas e as presidenciais brasileiras, ou seja, a carnificina em cena. Ao mesmo tempo, deixa nítido o pavor dos compradores, que ou fecham a carteira ou fecham negócios muito seguros.
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ESPELHO, ESPELHO MEU Muitos artistas em evidência no momento, como não poderia deixar de ser, têm vitrine aberta nesta ArtRio. Ismael Nery, alvo de uma retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, tem uma tela de R$ 1,8 milhão à venda na galeria Frente. Beatriz Milhazes, com uma obra no recém-inaugurado túnel do Museu de Arte de São Paulo, o Masp, tem uma colagem de R$ 256 mil à venda na Fortes D’Aloia & Gabriel. Clarissa Tossin, com retrospectiva recente no Masp, está na Luisa Strina por R$ 128 mil.
EFEITO PANORAMA Uma série de artistas escalados para o atual Panorama da Arte Brasileira, que marca a reabertura do Museu de Arte Moderna de São Paulo depois de dois anos de reforma no parque Ibirapuera, está na ArtRio. A Fortes D’Aloia & Gabriel tem trabalhos de Rodrigo Cass à venda por R$ 179 mil, e a Danielian vende esculturas de Darks Miranda por R$ 38 mil.
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