Maior nome da música relacionado à Copa do Mundo, Shakira liderou um show de sabor latino e muito playback na abertura da Copa do Mundo, realizado na tarde desta quinta-feira (11). A apresentação aconteceu no mítico estádio Azteca, na Cidade do México, antes do primeiro jogo da competição, entre México e África do Sul.
O show, que durou cerca de 15 minutos, serviu para a Fifa emplacar algumas das —muitas— músicas que lançou para esta Copa do Mundo. A canção oficial, “Dai Dai”, foi interpretada por Shakira e pelo rapper nigeriano Burna Boy —os últimos a entrarem no campo, no ápice da apresentação.
A colombiana é a voz por trás de “Waka Waka”, música da Copa de 2010 que se tornou um sinônimo do próprio torneio. Desde então, ela vem sendo chamada pela Fifa a cada mundial, na esperança de repetir o sucesso que obteve quando o torneio foi sediado na África do Sul.
“Dai Dai” tem uma levada contagiante, com elementos do reggaeton e dos afrobeats, sob uma produção de verniz pop e pontuada por uma guitarra aguda e suingada. Comparado com músicas de outras Copas, o novo hino da competição evita um tom épico cafona que costuma dar a tônica nessas faixas oficiais.
Como outras músicas de Copa, “Dai Dai” deve grudar nos ouvidos do público, menos por seus méritos musicais e mais porque será martelada na televisão mundo afora incansavelmente pelas próximas semanas. No show da abertura, porém, o público não se mostrou animado com a canção.
O que os mexicanos no estádio cantaram foi “Oye Mi Amor”, sucesso da banda local Maná. O grupo foi um dos primeiros a cantar na cerimônia, logo após a cantora Lila Downs, também mexicana, dar as boas-vindas de seus conterrâneos aos turistas e atletas da Copa.
Diferente das músicas oficiais da Fifa, a faixa de 1992, de uma das bandas mais famosas do México, inflamou a plateia, apesar de o som de playback descarado dar as caras. Uma virada de bateria tinha mais sons do que a versão reduzida do instrumento que foi levado ao palco era capaz de tocar. Foi assim durante toda a apresentação.
O venezuelano Danny Ocean cantou o reggaeton “Partidazo”, presente no disco da Fifa, que fala de romance com termos do futebol. É uma fórmula parecida com a de “Por Ella”, outra faixa do disco oficial do torneio, em que a cantora Belinda —espanhola radicada no México— e o grupo mexicano Los Angeles Azules cantam sobre o desejo de botar uma estrela no peito.
Antes de Shakira e Burna Boy tomarem o palco, o reggaetonero colombiano J Balvin ainda teve destaque. Um dos grandes nomes da música latina na última década, ele conseguiu fugir da trilha oficial do torneio cantando sucessos como “Que Calor” e um trecho de “I Like It” —música muito famosa da rapper americana Cardi B à qual o colombiano empresta suas rimas.
Tudo soou como uma grande forçação de barra da Fifa, que optou por tentar emplacar seus próprios temas bobos sobre futebol em vez de criar um grande momento musical. Cada vez mais, a entidade quer injetar no jogo o mesmo tipo de entretenimento que os americanos põem nos esportes e competições que exportam para o mundo.
Principal sede da Copa neste ano, os Estados Unidos terão seu próprio show de abertura na sexta (12), assim como o Canadá. Nos últimos dias, a Fifa tem aceitado que o país mais rico do mundo proíba a entrada de profissionais no território —caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan— e impor restrições à delegação do Irã, contra quem o governo de Donald Trump está em guerra.
Tanta leniência e admiração não se aplicaram no aprendizado de como fazer espetáculos musicais. Os shows do intervalo do Super Bowl, o jogo final da liga dos Estados Unidos de futebol americano, são um acontecimento porque os artistas têm liberdade de usar o tempo como querem, para criar um show atrativo a partir de sua obra. E, principalmente, porque a performance musical, não só um teatrinho de playback, ainda importa.













