Anitta mistura seu pop a referências religiosas em show de ‘Equilibrium’

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Anitta mistura seu pop a referências religiosas em show de ‘Equilibrium’


Anitta abriu seu show neste sábado (8), no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, cercada por tambores. Um grupo de percussionistas a recebeu no palco, que era formado por duas grandes escadarias e plantas espalhadas pela cenografia. Antes de começar a cantar, o público ouviu um monólogo sobre ser luz na jornada do outro. Depois, a cantora surgiu descalça, com um vestido branco de crochê e uma coroa de conchas. Assim começou o show que embala os dois discos “Equilibrium“, de Anitta.

Na primeira parte do espetáculo, dançarinas vestidas de Oxum acompanham a cantora, enquanto a banda, posicionada ao fundo, reúne saxofone, trompete, tambores e backing vocals. Em outro momento, um homem toca berimbau enquanto capoeiristas se apresentam no palco.

Aqui entram músicas como “Ternura”, um cover de “É d’Oxum”, de Gerônimo, “Deus Mãe”, “Andar com Fé”, de Gilberto Gil, “Eu Não Sou Santa” e “Não Me Cutuca”.

A apresentação durou quase duas horas, com cerca de 40 músicas distribuídas em atos que mudam de estética e de clima. Os monólogos entre os blocos funcionam como uma espécie de passagem entre essas diferentes Anittas. No segundo ato, a atmosfera fica mais sensual.

A iluminação muda e ela retorna vestida de vermelho, com um lenço na cabeça, assumindo uma figura de cigana ou cartomante. O fogo passa a fazer parte da cenografia. Surgem então Exus, Pombagiras, com forte destaque para a energia associada a Maria Padilha, e o malandro Zé Pelintra —aliás, parte do público adotou a estética de figuras de religiões de matriz africana celebradas pela cantora.

As canções acompanham essa atmosfera, com “Desgraça”, “Mandinga”, “Feitiço” e “Ponta do Pé” aparecendo por aqui.

No terceiro ato, Anitta tira seu vestido vermelho e revela um body também vermelho, cheio de recortes, em uma das passagens mais sensuais do espetáculo. O figurino deixa boa parte do corpo à mostra e acompanha coreografias mais provocantes.

A banda e os bailarinos permanecem quase o tempo todo em cena, dando ao show uma dimensão de espetáculo coletivo, ainda que Anitta seja o centro permanente. Na plateia, os fãs dançam, cantam alto e acompanham as coreografias.

A cantora reservou as poucas interações com a plateia para reforçar o quão difícil foi a construção de um show desta dimensão, mas também disse que está muito feliz com o resultado.

O quarto ato retoma o caráter ritualístico. Depois de um monólogo sobre Exu, Anitta surge sentada em um trono coberto por velas queimadas, agora usando um macacão preto de renda, colado ao corpo. A iluminação e o fogo fazem a cena parecer uma espécie de incorporação. Outras referências religiosas aparecem no palco, entre elas Oxóssi e Obaluaiê.

Neste momento, “Você Já Sabe”, a colaboração com Shakira, “Choka Choka”, “Sal Grosso”, “Vai Dar Caô”, “Meia Noite” e “Oke” tiram o público para dançar.

Apesar das muitas colaborações presentes nas músicas de Anitta, nenhum convidado apareceu no palco.

Para o ato final, a cantora deixou de lado as músicas mais recentes e escolheu três faixas de outros álbuns, levando os fãs à loucura com “Lose Ya Breath”, “Lugar Perfeito” e “Boys Don’t Cry”.

Ao som do coro “Larissa eu te amo”, referência ao nome de batismo da cantora, Anitta disse que este é o lugar onde se sentiu à vontade para ser Larissa com seus fãs. “Eram poucos que tinham esse privilégio, agora vocês também têm.”



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