Ópera de Arame de Curitiba cancela espetáculo que critica pedofilia na Igreja

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Ópera de Arame de Curitiba cancela espetáculo que critica pedofilia na Igreja


Uma encenação do espetáculo “A Igreja de Fran” —em que a atriz e palhaça Rafaela Azevedo aborda questões como a pedofilia na Igreja, a isenção fiscal de casas religiosas e passagens da Bíblia que podem ser lidas como misóginas— foi cancelada em Curitiba.

A peça de humor estava marcada para acontecer dia 23 de agosto, na Ópera de Arame, com a divulgação em andamento e quase 200 ingressos já vendidos, segundo Azevedo. Ela afirma que se trata de um caso de censura e que, como a Ópera de Arame é um equipamento cultural da Prefeitura de Curitiba, a decisão do cancelamento partiu do poder público e tem a ver com os temas abordados no espetáculo.

Questionada, a Fundação Cultural de Curitiba, o órgão da prefeitura responsável pela política cultural do município, diz que não tem ingerência sobre a programação da Ópera de Arame e que o espetáculo não tem qualquer vínculo com o poder público.

“A Ópera de Arame é administrada por meio de concessão à iniciativa privada, e a realização do evento decorre de uma relação comercial exclusivamente privada entre os responsáveis pelo espaço e os organizadores [do espetáculo]”, diz a assessoria de imprensa da Fundação Cultural de Curitiba, por meio de nota.

A DC Set, concessionária que cuida da programação da casa de espetáculos, afirma, por meio de sua assessoria de imprensa, que o cancelamento se deu “por questões contratuais que impediram a confirmação do evento na data pré-definida”. Disse ainda que não há qualquer relação com censura.

Questionada se então não seria possível ver outra data para o espetáculo, a produtora não respondeu mais.

Agora, após o cancelamento, a atriz diz estar atrás de outros teatros em Curitiba que possam receber a peça.

“A Igreja de Fran” está em cartaz agora em São Paulo e, em setembro, fará temporada no teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro. A montagem dá continuidade ao universo criado em “King Kong Fran”, monólogo que transformou Azevedo em um pequeno fenômeno teatral nos últimos anos.

“King Kong Fran”, que estreou em 2022, acumulou mais de 400 apresentações, temporadas lotadas no Rio e em São Paulo, turnês pela Europa e indicações a prêmios.

“A Igreja de Fran” foi viabilizada com R$ 100 mil oriundos de financiamento coletivo, sem o uso de leis de incentivo do governo.



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