Onda da direita amplia eleitos no Senado e reforça pauta anti-STF

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Onda da direita amplia eleitos no Senado e reforça pauta anti-STF


Em contrapartida, os partidos do campo da esquerda registraram retração. O PT manteve sua bancada de nove senadores, enquanto o PSB perdeu três

Por

JC


Publicado em 05/10/2026 às 0:24


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As eleições deste domingo (4) consolidaram o PL como a maior força partidária do Senado Federal. A legenda ligada ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (RJ) elegeu 19 senadores e passará a contar com uma bancada de 28 parlamentares a partir de fevereiro, no início da 58ª legislatura — ante os 15 integrantes atuais. Com o novo desenho, o partido passa a ocupar cerca de um terço da Casa, obtendo musculatura suficiente para negociar a presidência do Senado e aprovar matérias de maioria simples (41 votos) com o apoio de aliados.

O crescimento do PL ameaça diretamente os planos de reeleição do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Caso consiga eleger o comando do Senado, a ala bolsonarista ficará mais próxima de pautar projetos prioritários do seu grupo político, como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A ampliação da presença na Casa era uma das metas declaradas do ex-presidente Jair Bolsonaro, que visava controlar as sabatinas e indicações para a Suprema Corte.

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Apesar do avanço e da pressão sobre ministros do STF — em especial Alexandre de Moraes —, o bloco conservador ainda permanece distante do número necessário para aprovar a cassação de um magistrado. O processo de impeachment exige o voto favorável de dois terços dos senadores, o equivalente a 54 parlamentares.

Encolhimento da esquerda e reconfiguração do centro

Em contrapartida, os partidos do campo da esquerda registraram retração na Câmara Alta. O PT manteve sua bancada de nove senadores, enquanto o PSB perdeu três cadeiras e o PDT reduziu sua representação em um assento. Somando a vaga conquistada pela Rede, o bloco de esquerda contará com 15 parlamentares a partir de 2027, frente aos 18 eleitos na legislatura iniciada em 2022.

O centro político também sofreu severas perdas. A maior desidratação ocorreu no PSD, que perdeu nove assentos e passará a ter cinco senadores. O PP encolheu para seis cadeiras após a derrota do presidente nacional da sigla, Ciro Nogueira (PI), nas urnas. O MDB perdeu o assento de Renan Calheiros (AL) e deve registrar oito senadores no total. Em movimento oposto no bloco central, o União Brasil expandiu sua presença, passando de três para cinco representantes.

Eleitos por Pernambuco

 Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) foram eleitos senadores por Pernambuco nas eleições 2026. O petista 2.531.389 votos (27,19%) e renovou seu mandato no Senado; a pedetista somou 2.325.127 votos (24,97%), com 100% das urnas apuradas.

“A minha vitória foi resultado, em primeiro lugar, da aliança política que nós construímos. A nossa campanha cresceu bastante nessa reta final e isso pesou para que nós tivéssemos esse resultado. Como disse João, é até inusitado a gente não ter conseguido fazer a eleição de governo e ter eleito dois senadores. É uma demonstração da força que essa articulação política tem […] E eu acho que nós demos uma demonstração de muita força e essa força política precisa ser reconhecida. Acredito também que o peso da vinda do presidente Lula foi importante para a nossa vitória”, disse Humberto após o resultado. 

Humberto Sérgio Costa Lima é médico, jornalista e uma das figuras mais proeminentes na história do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco. Foi deputado estadual, deputado federal e o primeiro vereador eleito pelo PT no Recife. Como Ministro da Saúde no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2005). Humbeto já foi eleito senador por Pernambuco em 2010 e reeleito em 2018. 

Marília Valença Rocha Arraes de Alencar é advogada e herdeira direta de uma das linhagens políticas mais tradicionais de Pernambuco, sendo neta do ex-governador Miguel Arraes. Construiu uma carreira caracterizada por forte apelo popular, protagonismo em disputas eleitorais acirradas e independência de posicionamento.

Ela iniciou sua trajetória eleitoral como vereadora do Recife, elegendo-se posteriormente deputada federal em 2018. Marília protagonizou uma das eleições mais acirradas da capital pernambucana no segundo turno contra seu primo João Campos (PSB), em 2020. Candidata ao Governo de Pernambuco pelo Solidariedade (SD), ela liderou a maior parte da disputa e chegou ao segundo turno, consolidando-se como principal nome da oposição estadual no pleito de 2022 contra Raquel Lyra. Após deixar o PSB e o PT em momentos marcados por divergências internas de construção de candidaturas, filiou-se ao Solidariedade e, posteriormente, ao PDT.

“Debatemos o bom debate. Foi uma campanha limpa e propositiva e foi a escolha das urnas. Eu acho que agora é a hora de desarmar os palanques e de a gente lutar por Pernambuco. Independentemente de quem esteja no governo do Estado, o povo de Pernambuco não vai pagar a conta por nenhuma desavença política”, disse Marília Arraes. 






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