‘O mundo hoje está mais livre e mais conservador’, diz Fernanda Torres sobre ‘A Casa dos Budas Ditosos’

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‘O mundo hoje está mais livre e mais conservador’, diz Fernanda Torres sobre ‘A Casa dos Budas Ditosos’


Espetáculo que rendeu a Fernanda Torres Prêmio Shell de Melhor Atriz chega ao Teatro Guararapes, em Olinda, nos dias 2 e 3 de setembro


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De volta aos palcos com um dos espetáculos mais marcantes de sua trajetória, Fernanda Torres apresenta “A Casa dos Budas Ditosos” em Pernambuco. A peça, baseada no livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro e dirigida por Domingos de Oliveira, chega ao Teatro Guararapes, em Olinda, para duas sessões nos dias 2 e 3 de setembro.

Em 23 anos de trajetória, o espetáculo reuniu cerca de 3 milhões de espectadores para assistir à força da personagem central: uma mulher baiana de 68 anos que, sentada diante do público, narra suas experiências sexuais, relações amorosas e reflexões sobre liberdade e prazer.

O trabalho rendeu a Fernanda Torres o Prêmio Shell de Melhor Atriz e, em 2004, o Prêmio Qualidade Brasil nas categorias Melhor Atriz, Melhor Diretor e Melhor Comédia.

Para a atriz, a longevidade da montagem está ligada à capacidade do texto de atravessar diferentes períodos históricos e ainda provocar novas leituras.

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A peça é a história da sexualidade brasileira ao longo do século XX, CLB, do Brasil colônia, recém saído da escravidão, à revolução de costumes. A Baiana termina nos dias de hoje, fechando um acordo pragmático, um contrato mesmo, com um garoto a quem trata como filho e amante”, disse Fernanda Torres, em entrevista ao JC.

Liberdade e conservadorismo

Na peça, a personagem criada por João Ubaldo Ribeiro transforma o próprio relato em uma espécie de manifesto sobre desejo e espiritualidade.

Para Fernanda Torres, essa contradição ajuda a explicar a permanência da personagem. Ela destaca que “o mundo hoje está mais livre e mais conservador”.

“O bonito do livro e da peça é que ela vem a público narrar a sua vida libertina, não para chocar, ou se exibir, mas para dizer que a Luxúria é de Deus, é sagrada. É uma personagem importante, porque ela junta esses dois lados, o libertino e o conservador, falando da sacralidade do sexo”, completa.

Na narrativa, Baiana permanece sentada enquanto conduz o público por suas memórias. Ao seu redor, alguns objetos ajudam a construir a atmosfera da personagem, entre eles o livro “Nossa Vida Sexual”, de Fritz Kahn, da biblioteca de seu avô, e os dois Budas Ditosos, estatuazinha em miniatura de dois budas praticando o sexo.

Encontro entre João Ubaldo e Domingos de Oliveira

A adaptação teatral de “A Casa dos Budas Ditosos” nasceu do encontro entre a literatura de João Ubaldo Ribeiro e a direção de Domingos de Oliveira. Torres define o espetáculo como “um encontro impressionante do delírio libertino do Ubaldo, com o romantismo do Domingos”.

Mais de duas décadas depois da estreia, Fernanda Torres encara novamente o desafio de manter a montagem viva. Ela destaca que o maior trabalho está em preservar o frescor do espetáculo.

“A peça nunca se esgotou em mim, é como rever esses dois grandes artistas, como estar de novo com eles”, diz.

A atriz conta que, mesmo depois de tantos anos, continua encontrando novas possibilidades no texto.

“O que fiz foi descobrir as intenções escondidas no texto: até hoje encaixo falas que antes passavam despercebidas e que, de repente, revelam uma força enorme. É como ir afinando um instrumento. Hoje, sinto que domino muito melhor cada nota da partitura”.

Serviço

Espetáculo “A Casa dos Budas Ditosos”
Datas: 2 e 3 de setembro
Horário: às 21h
Local: Teatro Guararapes – Centro de Convenções de Pernambuco, Olinda
Ingressos: a partir de R$ 125






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