Três galerias e 15 artistas nascidos ou radicados no estado participam da quinta edição da feira, em São Paulo, evento que reúne cerca de 70 galerias
Laís Nascimento
Publicado em 30/08/2026 às 15:34
| Atualizado em 30/08/2026 às 18:36
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Galerias e artistas pernambucanos marcam presença na SP-Arte Rotas, feira que chega à sua 5ª edição no ARCA, em São Paulo. O evento reúne projetos artísticos em uma proposta de colocar novas perspectivas e ideias no centro da narrativa.
De nomes em ascensão apresentados pela primeira vez ao grande público a mestres consagrados reinventando o acervo, o Rotas é um convite à experimentação. Neste ano, a feira conta com cerca de 70 galerias e desfigura fronteiras, em especial com a América Latina.
“É uma oportunidade para olhar com mais profundidade e descobrir histórias que muitas vezes ficam fora de grandes circuitos”, diz o texto de apresentação do SP-Arte Rotas.
Pernambuco é representado por três galerias e 15 artistas nascidos ou radicados no estado, com obras que destacam cultura popular, experimentação, memória, corpo, paisagem e transformação da matéria.
As galerias BOI, Marco Zero e Número e artistas como Clara Moreira, amorí e Hugo Sá se juntam a artistas nacionais e internacionais na SP-Arte Rotas e mostram a amplitude da produção pernambucana e novas formas de narrar o Nordeste do país.
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Do Recife a cidades como Caruaru, no Agreste, e Petrolina, no Sertão, as obras mobilizam o rural e o urbano, as feiras populares, a ancestralidade e integram territórios.
Realizada desde 2022, a SP-Arte Rotas dedica cada estande a um projeto desenvolvido especialmente para o evento.
BOI: De tudo que há no mundo



Estreante na feira, a galeria Boi, de Caruaru, apresenta o projeto “De tudo que há no mundo”, que surge de um verso da canção “A Feira de Caruaru”, imortalizada por Luiz Gonzaga.
Na mostra, os artistas Amanda Nunes, Edson Atikum, Pedro Vinicio, Rafael Chavez, Toni Graton, Yuri Bruscky e Renata Felinto apresentam formas de reencantar o cotidiano, em uma cartografia da produção contemporânea nordestina.
“A Feira de Caruaru, assim como as feiras de arte, têm um lugar de encontro, de trocas”, explica o galerista Carlos Mélo.
Das mukitas feitas com barro cru em Petrolina a pinturas da cultura digital, a mostra propõe uma cartografia da produção contemporânea nordestina, onde memória, ancestralidade, espiritualidade e experimentação coexistem e se conectam.
Marco Zero: Encantamento


Do espaço fixo em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, para São Paulo, a Galeria Marco Zero construiu um projeto em torno da ideia de “encantamento”.
Com curadoria de Cristiano Raimondi, as obras são de artistas como Abiniel Nascimento, Lu Ferreira, Tunga, Montez Magno, Chacha Barja, Kuenan Mayu, Rayana Rayo, Juliana Lapa e Ramonn Vieitez.
Através da pintura da escultura, instalação e práticas experimentais, diferentes tempos e imaginários da arte produzida no estado se aproximam. Desta forma, grafismo indígena e travessias do sertão se conectam, apresentando um diálogo intergeracional, entre o popular e o pernambucano, entre o moderno e o contemporâneo.
“É o encanto que não tem que ser considerado do mundo mágico ou fantástico, mas como podemos aprender a observar melhor. Se aprendemos a observar bem, a vida se torna fantástica”, destacou o curador Cristiano Raimondi, em entrevista ao JC.
Um dos artistas da galeria, Abiniel Nascimento levou ao Rotas uma obra que dialoga com a Zona da Mata de Pernambuco. Na tela, o canavial representa o que ele entende como “campo discursivo”.
“Eu trago a cana-de-açúcar para discutir as relações ambíguas dela: ao mesmo tempo que é uma espécie utilizada para o território indígena e posteriormente quilombola, é também de onde surgem algumas resistência, como o maracatu rural e os caboclinhos”, explica.
Número: Curvar arestas



A Número Galeria, localizada em Boa Viagem, apresenta a mostra “Curvar arestas”, com curadoria de Paula Borghi e trabalhos de Christina Machado, Hugo Sá, Iza do Amparo, José Paulo e Rodrigo Braga.
Com obras que transitam entre a fragilidade e a resistência, o projeto “parte da ideia de pensar a geometria não como algo rígido, mas como uma linguagem atravessada pelo território, pela memória e pela cultura popular”, como aponta o texto curatorial.
São obras históricas e inéditas que usam o barro, a cera de abelha, o papel e o bronze para traçar novas histórias, colocam outros protagonistas no centro e propõem curvar estruturas e temporalidades a partir da geometria viva, afetiva e brasileira.
*A repórter viajou a convite da SP-Arte Rotas











