O ‘microscópio aumentou’: a nova era de precisão no combate ao câncer de mama

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
O ‘microscópio aumentou’: a nova era de precisão no combate ao câncer de mama


Tecnologia, genética e mudanças no estilo de vida transformam combate ao câncer de mama e abrem caminho para terapias cada vez mais individualizadas

Por

Cinthya Leite


Publicado em 28/03/2026 às 15:49
| Atualizado em 28/03/2026 às 16:06



Clique aqui e escute a matéria

RIO DE JANEIRO – Imagine uma paciente de apenas 44 anos. Ela seguiu todos os protocolos: fez cirurgia, seguiu protocolo de tratamento e compareceu religiosamente às consultas. Mesmo assim, um ano e meio depois, o câncer de mama (do tipo receptor hormonal positivo, o mais comum) encontrou um caminho para o fígado (metástase).

Até pouco tempo atrás, esse tipo de evolução da doença levaria a um tratamento relativamente padronizado. Hoje, porém, casos como esse abrem espaço para uma discussão valiosa: a individualização da terapia.

Para a oncologista clínica Candice Lima, da Oncologia D’Or Pernambuco, esse caso clínico recente, debatido durante o 11º Congresso Internacional Oncologia D’Or – Onco in Rio, ilustra uma transformação importante na forma de tratar o câncer na medicina. “O microscópio aumentou”, resumiu Candice, ao recordar essa frase usada por uma patologista.

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

“Antes, o médico apenas apalpava ou via uma mancha no ultrassom. Hoje nossas lentes chegaram ao DNA. Conseguimos dividir o câncer em subgrupos moleculares e buscamos a molécula exata que faz a célula crescer para, então, bloqueá-la.”

O tumor como organismo vivo

Um dos grandes avanços da oncologia moderna é que o câncer não é uma entidade estática. Ele evolui, adapta-se e interage com o ambiente e com o próprio organismo.

A oncologista clínica Jurema Telles, da Oncologia D’Or Pernambuco, explica que a doença é dinâmica e pode mudar ao longo do tempo. “Quando biopsiamos a metástase, descobrimos que, em cerca de 25% dos casos, ela é diferente do tumor original”, afirma.

Essa transformação, de acordo com a médica, está ligada à chamada epigenética, conjunto de fatores ambientais e comportamentais que influenciam a expressão dos genes.


CINTHYA LEITE/JC

“A doença é dinâmica e pode mudar ao longo do tempo”, destaca Jurema Telles – CINTHYA LEITE/JC

Segundo a especialista, o envelhecimento é hoje o principal fator de risco, pois está associado a processos como inflamação crônica, obesidade e inatividade física. “O exercício tem papel importante nesse contexto, porque pode ajudar a ativar ou silenciar mecanismos de proteção no organismo”, explica Jurema.

Nesse cenário também ganham espaço terapias mais modernas, como a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e destruir células tumorais que escaparam do controle natural do corpo.

O desafio do diagnóstico precoce

Apesar de todos os avanços tecnológicos, o maior inimigo ainda é o diagnóstico tardio, que continua associado a pior prognóstico.

Nesse sentido, Jurema costuma dizer que gostaria que cada paciente tivesse um ‘chipzinho’ para que os médicos nunca perdessem o acompanhamento do tratamento. Na prática, porém, os obstáculos muitas vezes são humanos.

“Nem sempre é falta de acesso. Muitas vezes é o fator psicológico. Há pessoas que preferem não procurar exames por medo de descobrir alguma doença”, lamenta.  

Quando o risco começa antes

O futuro da oncologia aponta para ferramentas cada vez mais precisas de avaliação de risco, como o escore poligênico, capaz de identificar predisposições antes mesmo do surgimento da doença.

Para mulheres com mutações genéticas conhecidas, como as relacionadas ao gene BRCA, que ganhou notoriedade após a atriz Angelina Jolie tornar público seu caso de câncer, o acompanhamento precisa ser ainda mais rigoroso.

“Para essas pacientes, o rastreamento deve começar muito mais cedo”, explica Candice. Ela acrescenta que a recomendação segue a chamada regra dos dez anos: iniciar os exames dez anos antes da idade em que o familiar mais jovem recebeu o diagnóstico.

“Se alguém na família teve câncer aos 33 anos, por exemplo, a investigação deve começar por volta dos 23, com mamografia e ressonância”, orienta.


CINTHYA LEITE/JC

“Antes, o médico apenas apalpava ou via uma mancha no ultrassom. Hoje nossas lentes chegaram ao DNA”, diz Candice Lima – CINTHYA LEITE/JC

Personalizado

No fim das contas, a mensagem central da oncologia moderna é clara: o tratamento precisa ser cada vez mais personalizado.

Não se trata apenas de combater o tumor, mas de entender quem é aquela paciente, seu histórico familiar, seu ambiente e como seu organismo reage à doença.

Como resume Jurema Telles, o objetivo da medicina hoje é alcançar o equilíbrio mais preciso possível. “Não queremos nem supertratar nem subtratar. Queremos a dose certa de tratamento para cada vida”, frisa. 

*A colunista acompanha o congresso, no Rio, a convite da Rede D’Or.






Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *