Tecnologia, genética e mudanças no estilo de vida transformam combate ao câncer de mama e abrem caminho para terapias cada vez mais individualizadas
Cinthya Leite
Publicado em 28/03/2026 às 15:49
| Atualizado em 28/03/2026 às 16:06
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RIO DE JANEIRO – Imagine uma paciente de apenas 44 anos. Ela seguiu todos os protocolos: fez cirurgia, seguiu protocolo de tratamento e compareceu religiosamente às consultas. Mesmo assim, um ano e meio depois, o câncer de mama (do tipo receptor hormonal positivo, o mais comum) encontrou um caminho para o fígado (metástase).
Até pouco tempo atrás, esse tipo de evolução da doença levaria a um tratamento relativamente padronizado. Hoje, porém, casos como esse abrem espaço para uma discussão valiosa: a individualização da terapia.
Para a oncologista clínica Candice Lima, da Oncologia D’Or Pernambuco, esse caso clínico recente, debatido durante o 11º Congresso Internacional Oncologia D’Or – Onco in Rio, ilustra uma transformação importante na forma de tratar o câncer na medicina. “O microscópio aumentou”, resumiu Candice, ao recordar essa frase usada por uma patologista.
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“Antes, o médico apenas apalpava ou via uma mancha no ultrassom. Hoje nossas lentes chegaram ao DNA. Conseguimos dividir o câncer em subgrupos moleculares e buscamos a molécula exata que faz a célula crescer para, então, bloqueá-la.”
O tumor como organismo vivo
Um dos grandes avanços da oncologia moderna é que o câncer não é uma entidade estática. Ele evolui, adapta-se e interage com o ambiente e com o próprio organismo.
A oncologista clínica Jurema Telles, da Oncologia D’Or Pernambuco, explica que a doença é dinâmica e pode mudar ao longo do tempo. “Quando biopsiamos a metástase, descobrimos que, em cerca de 25% dos casos, ela é diferente do tumor original”, afirma.
Essa transformação, de acordo com a médica, está ligada à chamada epigenética, conjunto de fatores ambientais e comportamentais que influenciam a expressão dos genes.

“A doença é dinâmica e pode mudar ao longo do tempo”, destaca Jurema Telles – CINTHYA LEITE/JC
Segundo a especialista, o envelhecimento é hoje o principal fator de risco, pois está associado a processos como inflamação crônica, obesidade e inatividade física. “O exercício tem papel importante nesse contexto, porque pode ajudar a ativar ou silenciar mecanismos de proteção no organismo”, explica Jurema.
Nesse cenário também ganham espaço terapias mais modernas, como a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e destruir células tumorais que escaparam do controle natural do corpo.
O desafio do diagnóstico precoce
Apesar de todos os avanços tecnológicos, o maior inimigo ainda é o diagnóstico tardio, que continua associado a pior prognóstico.
Nesse sentido, Jurema costuma dizer que gostaria que cada paciente tivesse um ‘chipzinho’ para que os médicos nunca perdessem o acompanhamento do tratamento. Na prática, porém, os obstáculos muitas vezes são humanos.
“Nem sempre é falta de acesso. Muitas vezes é o fator psicológico. Há pessoas que preferem não procurar exames por medo de descobrir alguma doença”, lamenta.
Quando o risco começa antes
O futuro da oncologia aponta para ferramentas cada vez mais precisas de avaliação de risco, como o escore poligênico, capaz de identificar predisposições antes mesmo do surgimento da doença.
Para mulheres com mutações genéticas conhecidas, como as relacionadas ao gene BRCA, que ganhou notoriedade após a atriz Angelina Jolie tornar público seu caso de câncer, o acompanhamento precisa ser ainda mais rigoroso.
“Para essas pacientes, o rastreamento deve começar muito mais cedo”, explica Candice. Ela acrescenta que a recomendação segue a chamada regra dos dez anos: iniciar os exames dez anos antes da idade em que o familiar mais jovem recebeu o diagnóstico.
“Se alguém na família teve câncer aos 33 anos, por exemplo, a investigação deve começar por volta dos 23, com mamografia e ressonância”, orienta.

“Antes, o médico apenas apalpava ou via uma mancha no ultrassom. Hoje nossas lentes chegaram ao DNA”, diz Candice Lima – CINTHYA LEITE/JC
Personalizado
No fim das contas, a mensagem central da oncologia moderna é clara: o tratamento precisa ser cada vez mais personalizado.
Não se trata apenas de combater o tumor, mas de entender quem é aquela paciente, seu histórico familiar, seu ambiente e como seu organismo reage à doença.
Como resume Jurema Telles, o objetivo da medicina hoje é alcançar o equilíbrio mais preciso possível. “Não queremos nem supertratar nem subtratar. Queremos a dose certa de tratamento para cada vida”, frisa.
*A colunista acompanha o congresso, no Rio, a convite da Rede D’Or.
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