Estudo brasileiro mostra que comportamento pessoal do médico é um dos preditores da qualidade da orientação que paciente recebe no consultório
Cinthya Leite
Publicado em 05/04/2026 às 19:45
| Atualizado em 05/04/2026 às 20:06
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Clique aqui e escute a matéria
No tratamento do câncer de mama, existe uma ferramenta terapêutica de baixo custo capaz de aumentar a sobrevida das pacientes em até 40%: a adoção de um estilo de vida ativo. Ainda assim, uma pesquisa brasileira pioneira mostra que a entrega dessa prescrição pode depender diretamente do que o médico faz quando tira o jaleco.
O estudo brasileiro Influência do estilo de vida do médico na prescrição de hábitos saudáveis para pacientes com câncer de mama (em tradução livre), liderado pela oncologista Renata Cangussu, revela que o comportamento pessoal do médico é um dos principais preditores da qualidade da orientação que a paciente recebe no consultório.
Os achados foram publicados na revista científica internacional Supportive Care in Cancer, especializada em cuidados de suporte em oncologia, e chama a nossa atenção às vésperas do Dia Mundial da Atividade Física, celebrado em 6 de abril.
‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}
‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}
A ciência por trás do exemplo
A pesquisa avaliou 267 médicos brasileiros, entre oncologistas, mastologistas e radioterapeutas. O resultado trouxe um dado que chamou a atenção da comunidade científica: profissionais que não praticam atividade física regularmente apresentam risco 2,48 vezes maior de não aconselhar pacientes sobre a importância de hábitos saudáveis.
Para Renata Cangussu, oncologista da Rede D’Or e autora principal do trabalho, o estilo de vida do médico funciona como um filtro para sua prática clínica.
“Nosso estilo de vida influencia diretamente na forma como fazemos essa recomendação para a paciente”, afirma.
Ela destaca que, na era da informação e das redes sociais, a percepção da paciente sobre a saúde do próprio médico pode validar ou enfraquecer o tratamento proposto.
“Se você está lá mandando a pessoa fazer atividade física, mas você mesmo não faz nada, está acima do peso e sedentário, a paciente se pergunta se realmente vale a pena se o próprio médico não adere à recomendação.”

“Nosso estilo de vida influencia diretamente na forma como fazemos essa recomendação para a paciente”, afirma Renata Cangussu – REDE D’OR/DIVULGAÇÃO
Para além do câncer: um fenômeno multidisciplinar
Embora o estudo tenha focado no câncer de mama, especialistas ressaltam que a relação entre o exemplo do médico e a adesão do paciente se estende a praticamente todas as doenças crônicas.
Segundo Renata, o exercício não atua apenas diretamente na célula tumoral, mas também no microambiente inflamatório do organismo. Esse efeito sistêmico beneficia pacientes com diferentes condições, como diabetes, hipertensão e doenças neurodegenerativas.
O impacto fisiológico é amplo. A contração muscular ajuda a regular hormônios, melhora a sensibilidade à insulina e reduz a inflamação crônica, que são fatores que interferem diretamente na evolução de diversas doenças.
No contexto da oncologia, há ainda um benefício particularmente relevante: o exercício físico é considerado o único tratamento comprovadamente eficaz para a fadiga oncológica, um dos sintomas mais incapacitantes do tratamento do câncer e que costuma responder pouco a medicamentos.
Não por acaso, no guideline do NCCN (National Comprehensive Cancer Network), uma das referências globais em oncologia, a prática de atividade física recebe recomendação categoria 1, o mais alto nível de evidência científica.
O gap na formação médica
O estudo também expôs gargalos estruturais na formação médica e no sistema de saúde.
Cerca de 45% dos médicos entrevistados afirmaram não se sentir devidamente treinados para manejar a obesidade de suas pacientes, um fator de risco importante tanto para o surgimento quanto para a recidiva de vários tipos de câncer.
Outro achado relevante diz respeito à experiência profissional. Médicos com 50 anos ou mais demonstraram probabilidade significativamente maior de aconselhar pacientes sobre estilo de vida e de encaminhá-las para especialistas, como nutricionistas.
Já entre profissionais que atuam predominantemente no Sistema Único de Saúde (SUS), as dificuldades são maiores. A sobrecarga de trabalho e a escassez de consultas especializadas frequentemente limitam esses encaminhamentos, o que reduz a possibilidade de acompanhamento multidisciplinar.
A força da “congruência” clínica
O conceito que conecta a prática pessoal à eficácia clínica é o da congruência. Para o profissional de educação física Cláudio Barnabé, fisiologista clínico do exercício, trata-se de um elemento fundamental da autoridade médica.

Cláudio Barnabé define o exercício físico como uma “farmácia endógena”. Quando bem prescrito, afirma, ele pode levar pacientes com diabetes e hipertensão à remissão ou a uma redução significativa da necessidade de medicamentos – RENATO RAMOS/JC IMAGEM
“Congruência significa: ‘eu faço, eu acredito e, por isso, eu ensino’. Não é simplesmente acreditar para depois fazer. É o fazer em mim”, explicou Barnabé, durante o episódio 81 do videocast Saúde e Bem-Estar, em 1º de abril, sobre o poder do exercício físico no tratamento de doenças crônicas. A oncologista Renata Cangussu, autora do estudo, também esteve na bancada do episódio.
Barnabé define o exercício físico como uma “farmácia endógena”. Quando bem prescrito, afirma, ele pode levar pacientes com diabetes e hipertensão à remissão ou a uma redução significativa da necessidade de medicamentos.
“O médico que se exercita tem muito mais capacidade de convencer o paciente de que o exercício é o aliado biológico mais poderoso que existe para tirar o corpo do estado pró-inflamatório e levá-lo para um ambiente anticâncer”, destacou.
Uma mudança que começa pelo médico
Os resultados do estudo liderado por Renata Cangussu sugerem que a educação médica pode precisar ir além do domínio técnico das doenças.
Incorporar estratégias de autocuidado e saúde para os próprios profissionais pode ter impacto direto na qualidade da orientação oferecida aos pacientes.
“Temos a oportunidade de ajudar nossos pacientes ajudando a nós mesmos primeiro”, finaliza.


/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-interior-de-geladeira-lim-2845950646.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)




/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-homem-grisalho-acima-de-5-2845892252.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)






/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-interior-de-geladeira-lim-2845950646.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)


