Candidato da Rede ao Senado criticou juros elevados, defendeu maior participação dos bancos públicos no financiamento e revisão da política fiscal
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O candidato ao Senado Paulo Rubem Santiago (Rede) defendeu, nesta terça-feira (8), uma mudança na condução da política econômica brasileira, com fortalecimento da capacidade de planejamento do Estado e ampliação dos investimentos públicos em áreas estratégicas. Durante o Diálogo da Indústria, promovido pela Federação das Indústrias de Pernambuco (FIEPE), o ex-deputado federal criticou o que chamou de “opção improdutiva” pelo rentismo e afirmou que o país precisa voltar a priorizar produção, infraestrutura, ciência, tecnologia e geração de empregos.
A FIEPE também recebeu Mendonça Filho (PL), Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) para discutir propostas para o setor produtivo. Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), que estavam na programação, não participaram dos encontros.
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Crítica ao modelo econômico
Ao longo da sabatina, Paulo Rubem sustentou que a política monetária adotada no país tem favorecido a remuneração do capital financeiro em detrimento da atividade produtiva. Para o candidato, a manutenção de juros elevados dificulta o acesso ao crédito e reduz a capacidade de investimento da indústria.
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“O Brasil precisa recuperar a sua capacidade de planejar o seu desenvolvimento”, afirmou. Segundo ele, o Estado não pode assumir uma posição passiva diante das transformações da economia internacional nem deixar decisões estratégicas exclusivamente sob influência do mercado financeiro.
A crítica foi acompanhada da defesa de uma atuação mais ativa do poder público na definição das prioridades econômicas. Paulo Rubem argumentou que a arrecadação deve retornar à sociedade por meio de serviços, investimentos e políticas capazes de estimular o desenvolvimento.
Crédito e papel dos bancos públicos
Questionado sobre alternativas para ampliar o financiamento de longo prazo para a indústria pernambucana, o candidato defendeu uma atuação mais agressiva de instituições como BNDES e Banco do Nordeste. Para ele, os bancos públicos precisam exercer uma função distinta da banca privada, especialmente no financiamento de investimentos produtivos.
Paulo Rubem criticou o mecanismo pelo qual instituições financeiras podem obter remuneração por meio de títulos públicos e afirmou que o modelo reduz o incentivo à concessão de crédito para empresas. “Não há nenhuma justificativa para nós termos bancos públicos que não se diferenciem dos bancos privados na oferta do crédito”, disse.
Na avaliação do candidato, a mudança precisa estar associada a uma revisão da política monetária. Ele defendeu a redução do custo do dinheiro como condição para recuperar a formação bruta de capital fixo e aumentar a competitividade da indústria brasileira diante de economias como a chinesa.
Ciência, tecnologia e universidades
Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Paulo Rubem também colocou a expansão do financiamento à ciência, tecnologia e inovação entre as prioridades de um eventual mandato no Senado.
Ele defendeu que o orçamento destinado ao setor seja protegido das limitações impostas pela política fiscal e que as universidades públicas tenham maior participação na estratégia nacional de inovação.
O candidato afirmou que Pernambuco dispõe de uma rede de universidades e institutos federais capaz de aproximar a pesquisa acadêmica das necessidades do setor produtivo.
A proposta inclui a criação de uma articulação entre empresas, instituições de ensino e centros de pesquisa para transformar conhecimento em inovação aplicada.
“Não adianta a universidade produzir conhecimento que não alavanca a produção. Não adianta a produção querer se virar sozinha sem a contrapartida das universidades”, afirmou.
Reforma tributária
Na discussão sobre os efeitos da reforma tributária para Pernambuco, Paulo Rubem defendeu a recuperação da capacidade de planejamento do Estado. Para ele, o fim gradual do ICMS como instrumento de atração de investimentos exige que Pernambuco encontre novas formas de estruturar políticas de desenvolvimento regional.
O candidato criticou o desmonte de estruturas de planejamento estaduais e defendeu a retomada de organismos capazes de produzir diagnósticos e dados para orientar decisões públicas. Na avaliação dele, a política de incentivos não deve ser conduzida de maneira isolada, mas integrada a estratégias para fortalecer cadeias produtivas locais.
Entre os exemplos citados estiveram atividades econômicas do interior, como a produção de mel, milho, couro e produtos da agricultura irrigada, além da cadeia produtiva da cultura.
Infraestrutura e logística
A situação da infraestrutura pernambucana também ocupou espaço na sabatina. Ao responder sobre investimentos federais, Paulo Rubem criticou a perda da capacidade de planejamento do poder público e citou a devolução do ramal ferroviário entre Salgueiro e Suape como exemplo de problemas decorrentes, segundo ele, de um modelo que transferiu atribuições ao setor privado sem garantir uma atuação estatal eficiente.
“O Estado tem que ter o diagnóstico para não jogar dinheiro fora”, afirmou. Para o candidato, Pernambuco precisa de uma estratégia de infraestrutura vinculada às cadeias produtivas existentes no Estado.
A recuperação da malha ferroviária, a melhoria das conexões logísticas e a integração entre litoral, Agreste e Sertão foram apresentadas como condições para ampliar a competitividade e reduzir desigualdades regionais.
Contas públicas
Na última rodada de perguntas, sobre responsabilidade fiscal e reforma administrativa, Paulo Rubem se contrapôs à ideia de que o principal problema das contas públicas brasileiras seja simplesmente o tamanho da despesa estatal. Segundo ele, a discussão deveria se concentrar na qualidade e na finalidade dos gastos. “O nosso problema não é o excesso de gastos do Estado, é com quem que o Estado gasta”, afirmou.
Nas considerações finais, Paulo Rubem também direcionou críticas às emendas parlamentares e defendeu a suspensão do mecanismo, além do fim do chamado orçamento secreto.
O candidato argumentou que a definição de investimentos públicos deve obedecer a critérios de planejamento e às políticas estruturadas de cada área, citando o Sistema Único de Saúde (SUS) como exemplo.
“Mandato não pode ser expressão de privilégio. Eu não estou lá por uma função patrimonial, eu estou lá por uma função pública, eu quero ser uma voz no Senado que vai rediscutir a política econômica na perspectiva do investimento, do emprego, da competitividade”, afirmou.












