São Paulo
Olivier Anquier gosta de relembrar o passado. É o que ele faz em “Diário do Olivier: 20 Anos Descobrindo o Brasil”, exposição de 55 fotos registradas por ele, grande parte feita nos bastidores das gravações do programa homônimo que ele apresentou no GNT entre 1998 e 2018. A mostra inaugura em 16 de setembro o Arquivo Anquier, espaço expositivo do chef e empresário na praça da Repúb lica, no centro da capital paulista.
O chef aprendeu a fotografar com seu pai, o médico François Anquier, depois disso, colecionou cliques variados. Uma série de 2001 registra o porto de Belém e o mercado Ver-o-Peso. Outra foto, de 2006, retrata um morador de rua na avenida Pedroso de Morais, na capital paulista, vestindo um traje improvisado que parece feito de tecidos remendados.
O apresentador Olivier Anquier, que abre espaço na praça da República
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Angelo Pastorello/Divulgação Arquivo Anquier
Anquier reconhece não ser curador ou galerista, e não planeja cruzar a linha; em vez disso, quer gerir um espaço dedicado à memória. Para esta primeira exposição, em cartaz até dezembro, seu objetivo é apresentar ao público um outro lado seu, diferente daquele frente às câmeras.
“O Brasil inteiro me conhece, mas não sabe quem sou eu, de onde eu venho”, afirma.

‘Mercado Vero Peso Belém do Pará’ (2001), parte da exposição Diário do Olivier
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Olivier Anquier/Divulgação Arquivo Anquier
A imagem que Anquier faz de si é de alguém de boa intuição, que sabe farejar as oportunidades e transformá-las em projetos de sucesso. Ao inaugurar um espaço diferente de tudo o que fez antes, diz ter conduzido sua vida por meio de decisões semelhantes, tomadas de supetão.
DJ na França, onde nasceu, veio ao Brasil em 1979, no começo da vida adulta, para breve estadia que nunca acabou. Foi modelo e, após a morte do pai em 1989, decidiu trabalhar com gastronomia.
Teve um primeiro restaurante no litoral capixaba, depois outro em Florianópolis (SC). Em 1995, abriu em São Paulo sua primeira casa de pães. De lá para cá, cuidou de uma porção de outros negócios, mas nunca deixou o centro da cidade, onde ainda mora.
Estreou na televisão na Record e ganhou projeção nacional na Globo, em especial no programa Diário de Olivier, no GNT. “Foi o primeiro programa moderno de culinária da TV brasileira. Eu mudei o comportamento de milhões de brasileiros”, afirma.
Anquier já programou mais duas exposições para o espaço que inaugura. Em dezembro, recebe uma mostra centrada no artista carioca Sergio Cezar, de quem foi mecenas. Em 2027, depois do Carnaval, recria no espaço a cozinha do sítio em que gravava as receitas de seu programa, na serra da Bocaina, divisa entre Rio de Janeiro e São Paulo, para contar a história do imóvel e, então, leiloá-lo.
Diário do Olivier
Arquivo Anquier – pça. da República, 36, República, região central. Abertura: qua. (16). Qua. a sex., das 12h às 20h. Sáb., dom. e feriados, das 10h às 21h. Até 6/12. Entrada grátis












