No Dia da Mulher, jovens do Nordeste contam como enxergam o mercado de trabalho

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No Dia da Mulher, jovens do Nordeste contam como enxergam o mercado de trabalho


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Elas têm entre 18 e 19 anos, vivem em diferentes cidades do Nordeste e estão começando a construir suas trajetórias profissionais. Em comum, carregam expectativas semelhantes sobre o futuro do trabalho. Querem estabilidade financeira, encontrar propósito no que fazem, ambientes mais respeitosos e oportunidades reais de crescimento.

Ao mesmo tempo, sabem que o início da vida profissional pode trazer desafios. Neste domingo (8), quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, suas histórias ajudam a revelar como a nova geração enxerga o mercado de trabalho e o que espera dele.

As experiências variam de cidade para cidade, mas revelam inquietações parecidas. Ingridy Vitória Reis Marques, de 19 anos, é moradora do bairro Santa Maria, em Aracaju. Desde janeiro de 2025 ela trabalha como assistente administrativa em uma empresa de transportes, seu primeiro emprego com carteira assinada. A oportunidade surgiu após participar de atividades de formação voltadas para quem está dando os primeiros passos na vida profissional.

Programas como esse são desenvolvidos pelo Instituto JCPM (IJCPM), braço social do Grupo JCPM presente em cidades como Recife, Salvador, Fortaleza e Aracaju. A instituição atua na formação profissional de moradores de comunidades populares e também apoia a inserção no mercado de trabalho, intermediando oportunidades de emprego e estágio.

Ingridy Vitória, 19 anos, trabalha como assistente administrativa e se prepara para tentar Psicologia na Universidade Federal de Sergipe – Arquivo pessoal

A rotina de Ingridy, no entanto, vai além do expediente administrativo. Ela também trabalha em um restaurante e em um quiosque enquanto se prepara para disputar uma vaga no curso de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe.

O ritmo exige esforço constante e provoca sentimentos mistos. Quando pensa no futuro profissional, a primeira palavra que lhe vem à mente é ansiedade. “Tenho certeza do que quero, mas é difícil conciliar tantas atividades”, conta.

A dificuldade de entrar no mercado de trabalho também aparece nas experiências que observa ao redor. “Muitas empresas querem contratar jovens, mas exigem experiência. Como vamos ter experiência se não tivermos oportunidade?”, afirma.

Apesar dos obstáculos, Ingridy acredita que sua geração tem uma postura diferente em relação ao trabalho. “Nossa geração conhece mais os direitos e não aceita desrespeito”. Ao mesmo tempo, ela reconhece que muitas empresas ainda precisam aprender a lidar com profissionais em início de carreira. “Quando a gente começa a trabalhar, precisa aprender. Muitas empresas não ensinam”, diz.

Diferentes caminhos

Arquivo Pessoal
Allana Brazil, do Recife, acredita que crescer profissionalmente também significa trabalhar em ambientes de respeito e aprendizado – Arquivo Pessoal

No Recife, Allana Brazil também pensa o trabalho como parte de um projeto de vida mais amplo. Ela participou de atividades de formação profissional e segue se preparando para construir uma carreira que junte crescimento profissional e qualidade de vida.

Conseguir um emprego é importante, mas não basta quando se fala de futuro. O ambiente e a forma como as pessoas são tratadas pesam nas escolhas profissionais. “Quero crescer, mas também trabalhar em um lugar onde exista respeito. Isso faz com que a gente consiga aprender mais e crescer com mais segurança”, diz.

Arquivo pessoal
Rita Bento, de Fortaleza, encontrou no teatro um caminho profissional e segue investindo na formação artística – Arquivo pessoal

Rita Bento, de Fortaleza, encontrou no teatro uma forma de expressão e também uma possibilidade de carreira. A decisão nem sempre foi simples de explicar dentro da própria família. O pai chegou a duvidar que seguir a arte pudesse trazer estabilidade profissional. Ele mudou de ideia quando viu a filha interpretar João Grilo na encenação do “Auto da Compadecida”.

Professora de teatro infantil, Rita segue se dedicando à formação artística e espera transformar o teatro em caminho profissional, com formação universitária na área. “Eu sempre senti que era isso que queria fazer”, conta.

Arquivo pessoal
Marília Cunha, de Salvador, diz que jovens da sua geração procuram profissões que tragam propósito e oportunidades de aprendizado – Arquivo pessoal

Em Salvador, Marília Cunha observa que muitas pessoas da sua geração procuram mais autonomia e sentido na vida profissional. Ela também busca construir um caminho que combine aprendizado e realização. Trabalhar deixou de ser apenas cumprir uma rotina. “A gente quer trabalhar, mas também quer sentir que aquilo faz sentido”, diz.

Mais do que estabilidade, ela acredita que o crescimento profissional também está ligado ao aprendizado. “Não é só ter um emprego. A gente quer aprender, entender como as coisas funcionam e sentir que está evoluindo”, destaca.

Arquivo pessoal
Isabelle Rodrigues, do Recife, destaca que mulheres trans ainda enfrentam mais obstáculos para entrar no mercado de trabalho – Arquivo pessoal

A diversidade das trajetórias também revela obstáculos específicos. Isabelle Rodrigues, jovem trans do Recife que participou das atividades do Instituto JCPM, lembra que algumas barreiras ficam ainda mais evidentes quando se fala de identidade de gênero.

Ela acredita que o início da vida profissional pode ser mais difícil quando preconceitos entram em jogo. “Se para muitas jovens já é complicado conseguir a primeira oportunidade, imagina para uma mulher trans.”

Mesmo assim, ela mantém expectativas positivas sobre o futuro. “Eu tenho boas expectativas, mas a gente sabe que o mercado ainda precisa avançar muito quando se fala de inclusão”, pontua.

O cenário

As experiências dessas jovens também encontram eco nos dados do mercado de trabalho. No Brasil, a taxa de desemprego entre mulheres continua maior que a dos homens. Dados do IBGE indicam que cerca de 9,8% das mulheres estão desempregadas, enquanto entre os homens o índice é de 6,5%. Mesmo quando conseguem trabalho, elas continuam recebendo menos. Em média, os salários femininos correspondem a cerca de 80% da remuneração masculina.

Entre os jovens em geral, a entrada no mercado também é desafiadora. O país tem aproximadamente 5,2 milhões de pessoas entre 14 e 24 anos sem emprego, muitas delas mulheres que enfrentam dificuldades para conquistar a primeira oportunidade. Ao mesmo tempo, pesquisas mostram que a geração que chega agora ao mercado traz novas prioridades.

Estudo global da consultoria Deloitte indica que profissionais da chamada geração Z valorizam cada vez mais equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, propósito nas atividades profissionais e ambientes respeitosos. A flexibilidade aparece entre as demandas mais citadas, com seis em cada dez jovens dizendo preferir modelos de trabalho menos rígidos. A carreira também é vista como um processo contínuo de aprendizado. Segundo o LinkedIn, 76% consideram essencial desenvolver novas habilidades ao longo da vida.

Competência é pouco

Para Mara Turolla, gerente de Desenvolvimento de Liderança e Head de Diversidade, Equidade e Inclusão da consultoria LHH, entrar no mercado de trabalho hoje exige mais do que competência técnica. Segundo ela, desempenho continua sendo importante, mas não basta para construir uma trajetória profissional consistente.

“Competência é base e visibilidade é estratégia. Fazer um bom trabalho é o mínimo. Performance é obrigação, não diferencial.”

A especialista explica que comunicar resultados e construir redes de relacionamento são passos importantes para quem está começando a carreira. Quem não aprende a dar visibilidade ao próprio trabalho corre o risco de permanecer invisível dentro das organizações.

Outro ponto essencial é o aprendizado contínuo. Ela alerta que a carreira deixou de ser um percurso linear e passou a funcionar como um portfólio em constante transformação. As mudanças tecnológicas, especialmente a expansão da inteligência artificial, reforçam a necessidade de atualização permanente.

Olhar adiante

Mesmo diante das incertezas, as jovens entrevistadas demonstram um olhar atento e, ao mesmo tempo, esperançoso sobre o futuro. Sabem que o mercado de trabalho está mudando rapidamente e que a trajetória profissional provavelmente será feita de adaptações.

Mas também compartilham uma convicção silenciosa. A de que construir uma carreira não significa apenas conseguir um emprego. Significa encontrar um lugar onde seja possível crescer, ser respeitada e transformar sonhos em caminho.



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