ENMU vai orientar a mobilidade urbana nas regiões metropolitanas. São projetos para serem viabilizados em parceria com a iniciativa privada
Roberta Soares
Publicado em 02/07/2026 às 11:05
| Atualizado em 02/07/2026 às 11:16
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– Fernando Frazão/Agência Brasil
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Após dois anos de mapeamentos e estudos técnicos, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do Brasil (ENMU) foi concluído, estabelecendo um marco para a infraestrutura do País. Resultante de uma parceria entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério das Cidades, o trabalho indica uma carteira de 187 projetos prioritários a serem viabilizados em 21 regiões metropolitanas – a do Recife entre elas. O objetivo central é expandir o transporte público de média e alta capacidade em mais de 3 mil quilômetros, atendendo às projeções de demanda para os próximos 30 anos.
O contexto do programa reflete a necessidade urgente de interromper um ciclo de subinvestimento que compromete a eficiência das cidades brasileiras. Ao propor uma carteira estruturada, o governo federal defende estar buscando garantir que as intervenções tenham foco social, climático e econômico, indo além da simples construção de vias. Mas tudo isso via concessão privada, sob o entendimento de que o Estado Brasileiro não consegue mais, sozinho, financiar e garantir a qualidade da infraestrutura do País – principalmente os sistemas de transporte público coletivo e sobre trilhos.
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É tanto que a viabilização financeira dos projetos elencados se baseia em um modelo de parceria onde 80% dos recursos viriam de aportes públicos e 20% da iniciativa privada. Por isso, o governo federal tem apostado alto nos efeitos do EMNU. Durante o lançamento, na quarta-feira (1º/7), o ministro das Cidades, Vladimir Lima, ressaltou a dimensão da iniciativa: “Será um verdadeiro Minha Casa Minha Vida para a mobilidade urbana”, destacando que o foco é devolver tempo de vida à população.
PERNAMBUCO TEM 11 PROJETOS VALIDADOS


A RMR tem 11 projetos validados de corredores de BRT elétrico, VLTs e a concessão do Metrô do Recife, que beneficiariam 1,42 milhão de passageiros e representariam investimentos públicos e privados no valor de R$ 23,78 bilhões. Além disso, os projetos resultariam em 276 quilômetros de sistemas de transporte coletivo.
São projetos de corredores de BRT elétrico e/ou VLTs em importantes ligações do Grande Recife, como a Avenida Norte e as conexões Boa Viagem-Olinda; Centro do Recife-São Lourenço da Mata; Igarassu-Joana Bezerra; e Abreu e Lima-Cajueiro.
Confira os projetos para a Região Metropolitana do Recife AQUI
VIABILIZAÇÃO TÉCNICA E PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

Após dois anos de mapeamento, BNDES e Ministério das Cidades apresentam 187 projetos estratégicos para a mobilidade urbana brasileira – DIVULGAÇÃO
A parte técnica do estudo estima um investimento total entre R$ 396 bilhões e R$ 433 bilhões para a execução integral das propostas. A viabilização financeira 80% investimento público e 20% privado é um modelo que, na visão do BNDES e do Ministério das Cidades, abre uma oportunidade de mercado superior a R$ 80 bilhões para empresas do setor. Para garantir a atratividade aos investidores, o ENMU propõe uma estrutura de mitigação de riscos em três camadas: nível do projeto, nível metropolitano e nível federal, assegurando estabilidade jurídica e financeira aos contratos de concessão e PPPs.
Em termos tecnológicos, o foco recai sobre sistemas de transporte sobre trilhos (metrôs e VLTs) e sobre pneus de alta capacidade (BRTs), preferencialmente elétricos. O estudo detalha a necessidade de modernização por meio da bilhetagem eletrônica baseada em conta (ABT) e interoperável, ou seja, que permite que o passageiro utilize múltiplos meios de pagamento em toda a rede única metropolitana – nada de sistemas limitados aos cartões de transporte.
Segundo a superintendente do BNDES, Luciene Machado, a estratégia da parceria com a iniciativa privada e a forte prioridade à tecnologia e à sustentabilidade nos projetos propostos, busca interromper o ciclo vicioso no qual o montante de receita disponível é progressivamente menor do que as necessidades. “Assim, conseguiremos garantir sustentabilidade ao sistema”.
CRONOGRAMA E GOVERNANÇA

– Divulgação

O cronograma de implementação prevê que os anos de 2026 e 2027 sejam dedicados exclusivamente à estruturação, planejamento e modelagem dos projetos. A partir de 2030, espera-se que os investimentos atinjam um patamar pleno de 0,35% do PIB das regiões metropolitanas, o que permitiria concluir mais de 70% das obras em até 15 anos. Essa velocidade de execução é considerada exequível para mobilizar a cadeia produtiva necessária, que inclui a demanda por 6,6 mil ônibus elétricos e 2,4 mil carros metroferroviários.
A governança é apontada como o eixo transversal que garantirá o sucesso do plano, exigindo a criação de autoridades metropolitanas e agências reguladoras independentes. O lançamento do portal “Mobilidade Brasil” complementa essa entrega, oferecendo transparência e dados georreferenciados para apoiar a tomada de decisão de prefeitos e governadores. Com a execução desses projetos, estima-se uma redução de 15% no tempo de deslocamento dos cidadãos e a prevenção de mais de 27 mil vítimas anuais em sinistros de trânsito.
Os principais pontos do ENMU:
Alcance: 187 projetos estruturantes em 21 Regiões Metropolitanas.
Média de Projetos: Aproximadamente 8,9 projetos por região metropolitana mapeada.
Investimento: Estimado em até R$ 433,7 bilhões.
Modais: Expansão de metros, trens urbanos, VLTs e corredores de BRT elétrico.
Inovação: Implementação de bilhetagem unificada e integração tarifária plena.
Impacto Social: Redução no tempo de viagem, aumento da acessibilidade e geração de 1,3 milhão de empregos por ano durante a implantação.
Fases: Estruturação (2026-27), Mobilização de recursos (2028-29) e Investimento Pleno (2030 em diante).














