Almirón e Hincapié foram punidos por cobrir a boca durante discussões em campo, regra que a Ifab aprovou após episódio de racismo contra Vinícius Júnior na Champions League
O zagueiro equatoriano Piero Hincapié foi expulso nos acréscimos do segundo tempo da derrota por 2 a 0 para o México, na terça-feira (30), no Estádio Azteca, depois de cobrir a boca durante uma discussão com o atacante Santiago Giménez. O lance, revisado pelo VAR, resultou no segundo cartão vermelho aplicado nesta Copa do Mundo pela chamada “Lei Vini Jr.”, protocolo que pune jogadores que escondem a fala do rosto durante confrontos em campo.
Notícias Relacionadas
Giménez e outros atletas mexicanos perceberam o gesto e reclamaram imediatamente à arbitragem. O esloveno Slavko Vincic interrompeu a partida, revisou as imagens no monitor lateral e decidiu pela expulsão de Hincapié ainda nos minutos finais do jogo. O México confirmou a vitória por 2 a 0 e avançou às oitavas de final da competição.
O paraguaio Miguel Almirón havia sido o primeiro jogador expulso pela mesma regra nesta edição do torneio, durante a fase de grupos, em partida contra a Turquia. Os dois casos consolidam a aplicação do protocolo logo na estreia da medida em um Mundial.
Origem da regra
A “Lei Vini Jr.” nasceu de um episódio de racismo ocorrido na Liga dos Campeões da temporada 2025/26, durante um jogo entre Real Madrid e Benfica. Na ocasião, o argentino Gianluca Prestianni cobriu a boca com a própria camisa para dirigir falas racistas a Vinícius Júnior, que denunciou o caso à arbitragem e à Fifa. Prestianni foi punido disciplinarmente pelo episódio, que impulsionou o debate sobre esse tipo de conduta dentro de campo.

A International Football Association Board, a Ifab, entidade responsável pelas regras oficiais do futebol, aprovou o novo protocolo em reunião especial realizada em Vancouver, no Canadá, em abril. A partir dali, qualquer jogador que cobrir a boca durante uma discussão com um adversário passou a estar sujeito à expulsão direta.
Pierluigi Collina, presidente do Comitê de Arbitragem da Fifa, defendeu tolerância zero para esse comportamento em declarações à imprensa após a aprovação da regra. Segundo o dirigente italiano, o gesto de cobrir a boca é interpretado como intencional, já que busca impedir que árbitros e câmeras identifiquem o conteúdo da fala, o que justifica o enquadramento como infração passível de cartão vermelho.
O protocolo surge em um momento de repetidos episódios de racismo enfrentados por Vinícius Júnior ao longo da carreira no futebol espanhol, que já haviam motivado sanções a clubes e campanhas de entidades esportivas em defesa do atacante brasileiro. A medida da Fifa transforma um caso individual em mudança estrutural nas regras do jogo, com efeito direto sobre a proteção de atletas negros em campo.
A aprovação pela Ifab, entidade que regula as leis oficiais do futebol e reúne representantes da Fifa e das quatro federações britânicas, deu ao protocolo o mesmo peso normativo de outras infrações clássicas do esporte. Qualquer seleção de qualquer confederação passa a estar sujeita à mesma punição caso um atleta seja flagrado cobrindo a boca durante uma discussão em campo, o que uniformiza a aplicação da regra em todos os jogos do Mundial.
Repercussão internacional
A expulsão de Hincapié ganhou destaque em jornais de diferentes países horas depois do apito final. O espanhol As classificou a aplicação da regra como implacável e descreveu como o lance foi identificado pelos jogadores mexicanos antes da revisão do VAR. O Marca, também da Espanha, deu ênfase ao fato de o zagueiro ter descumprido diretamente o novo protocolo.

O Mundo Deportivo recordou que Almirón havia sido o primeiro expulso pela regra e classificou Hincapié como mais um nome na lista. Na Argentina, o Olé detalhou a sequência do lance, da discussão entre os dois jogadores até a decisão de Vincic após a análise no monitor. Já o americano The Athletic associou diretamente a expulsão à nova norma da Fifa criada após o caso envolvendo Vinícius Júnior.
O caso de Hincapié deve reabrir a discussão sobre a efetividade do protocolo nas oitavas de final, fase em que o volume de jogos decisivos tende a aumentar a pressão emocional entre os atletas em campo. A Ifab ainda não indicou se fará ajustes na regra após o Mundial, mas o histórico das duas primeiras aplicações deve compor a avaliação da entidade sobre a permanência do protocolo em competições futuras.
Notícias Recentes
Comments














