Mestres desvalorizados

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Mestres desvalorizados



Para a maioria dos estudantes da rede pública de ensino fundamental no Brasil, os professores não são dignos de respeito e valorização

Por

JC


Publicado em 15/09/2025 às 0:00

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Há uma dissonância afetiva nas escolas brasileiras. Estudantes do fundamental perderam a conexão com a figura da professora e da professora como referência de conduta, além de responsável pela transmissão do conhecimento necessário ao desenvolvimento pessoal. A desvalorização dos mestres pelos adolescentes é triste sintoma de um país paralisado no principal pilar de qualquer nação – a educação. O desgaste da imagem do ensino se acopla ao desrespeito dos alunos aos educadores, à escola e ao sistema educacional.
Pesquisa em um universo de mais de 2 milhões de estudantes do 6º a 9º anos da rede pública no Brasil detectou a antipatia preocupante, pois pode significar motivo de afastamento que dificulta ainda mais o aprendizado, e ameaça a permanência dos adolescentes nas escolas. O levantamento é do governo federal, em parceria com o Itaú Social, e foi realizado em 21 mil unidades escolares. As perguntas giraram em torno do ambiente escolar, dos conteúdos e atividades disponíveis, do aprendizado e da convivência com os colegas.
Sobre a questão do respeito e valorização dos professores, os resultados são desanimadores. Apenas 39% dos alunos do 6º e 7º anos disseram respeitar e valorizar os profissionais do ensino, percentual que é ainda mais baixo, de 26%, para aqueles do 8º e 9º anos. O que está acontecendo na relação entre estudantes e professores no Brasil, não é de hoje. A falta de admiração por quem se dedica à transmissão do conhecimento é notória, resultando em comportamentos de desconfiança e indisciplina que prejudicam o aprendizado, e podem levar a consequências para a vida adulta – sem os ensinamentos e sem os exemplos que costumaram nortear gerações anteriores, algumas décadas atrás.
O que ainda não foi pesquisado, no entanto, foi a raiz do problema. Se os adolescentes apresentam essa visão, cabe indagar o nível de valorização e respeito que recebem como parâmetros de suas famílias, em casa, assim como dos governos que deveriam zelar pela preservação e exaltação dos mestres no imaginário coletivo. Os pais dessas alunas e alunos respeitam os professores de seus filhos? E os gestores públicos, estão fazendo a sua parte na valorização de mulheres e homens dos quais depende a educação de crianças e jovens para a conquista de uma realidade melhor para a nação?
Vista como uma missão e encarada com resiliência, a profissão docente para os brasileiros é cada vez menos exercida com sinais de reconhecimento, seja individual ou coletivo. Continuam faltando políticas públicas que mudem esse cenário de maneira consistente, nas condições de trabalho que abranjam a qualificação da infraestrutura nas escolas, e a remuneração dos dedicados mestres. Se a desvalorização persistir de ano a ano, sem um movimento nacional em prol dos professores como personagens essenciais para as conquistas vislumbradas pela educação, dificilmente sairemos da estagnação que nos acompanha há séculos.



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