Após três mandatos como presidente do Brasil, o medo pode vir a ser o maior aliado de Lula. Embora ele pareça não ter mais nada para oferecer.
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A nova pesquisa Quaest sobre intenções de voto para 2026 confirma o que já vinha sendo percebido nas ruas e nos números: existe um cansaço generalizado com Lula e com Bolsonaro. Então, por qual motivo o petista lidera todos os cenários do levantamento divulgado nestaterça-feira (18)? Você pode perguntar.
É que o desgaste não abre espaço para alternativas sólidas. Ao contrário, reforça a ideia de que, na falta de opções confiáveis, o eleitor tende a se apegar ao que já conhece.
A liderança de Lula é um movimento que não nasce da convicção, mas do medo de errar e apostar no desconhecido. Uma campanha eleitoral pode mudar isso, sim, mas por enquanto o atual presidente terá grande vantagem.
Liderança desconfortável
Lula aparece à frente em todos os cenários de primeiro turno, mesmo com a maioria desaprovando seu governo. Isso não é entusiasmo, é resignação. O eleitor olha o quadro e não enxerga alguém que consiga simbolizar uma mudança real.
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Esse tipo de comportamento já ocorreu em Pernambuco, em 2018, quando Paulo Câmara foi reeleito no primeiro turno mesmo com altíssima rejeição (chegava a mais de 60%).
A explicação não estava em uma súbita aprovação repentina ao seu governo, mas na ausência de concorrentes que convencessem a população de que podiam fazer algo diferente. No fundo a expressão que melhor caracteriza isso é: “ruim por ruim, melhor o que eu já conheço”.
Números da disputa
Nos cenários testados, Lula lidera de forma consistente. Contra Bolsonaro (PL), tem 32% a 24%, com Ciro Gomes (PDT) em 11%, Ratinho Júnior (PSD) em 8% e outros nomes ainda menores.
Com Michele Bolsonaro (PL), Lula sobe a 33% contra 18%.
Quando o adversário é Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula vai a 35%, o melhor desempenho nesse recorte.
Com Eduardo Bolsonaro (PL), Lula mantém 32%, enquanto Ciro cresce e empata com 14% contra Eduardo.
E em simulações em que Tarcísio e Eduardo aparecem juntos, Lula chega a 40%. O patamar máximo registrado é de 43%, em cenários contra Eduardo Bolsonaro e Ronaldo Caiado (União).
O peso da falta de opção
A rejeição aos dois principais nomes não significa que o eleitor encontrou alternativa. Significa apenas que, diante de opções vistas como frágeis ou comprometidas com o passado, a escolha recai no que já é conhecido e está no cargo atualmente.
O bolsonarismo aparece marcado por confusão, brigas e rejeição, enquanto Lula é criticado pela falta de entregas claras e ausência de visão de futuro.
O eleitor, cansado, tende a preferir a estabilidade imperfeita do presente ao risco do incerto.
Desejo de novidade
A Quaest mostra ainda que 59% dos brasileiros não querem Lula candidato em 2026, contra 39% que apoiam sua reeleição. Geraldo Alckmin aparece como o mais lembrado para sucedê-lo, mas com apenas 9%. Simone Tebet e Fernando Haddad surgem em níveis ainda menores.
Do outro lado, a pressão sobre Bolsonaro cresce: 76% defendem que ele desista e apoie outro nome, contra 65% no mês anterior. Há desejo por renovação, mas ninguém preenche esse espaço e é difícil imaginar que consiga preencher.
Medos que crescem
O eleitor também expressa seus temores de forma equilibrada. Em agosto, 47% diziam ter mais medo da volta de Bolsonaro e 39% temiam a continuidade de Lula. Agora, ambos cresceram: 49% temem o retorno do ex-presidente e 41% temem a permanência do atual.
A soma desses sentimentos mostra que nenhum dos dois lados consegue se consolidar como resposta para o futuro.
Entre o conhecido e o desconhecido
Trata-se muito do receio de apostar no desconhecido, de colocar o país em mãos de aventureiros ou repetir a instabilidade dos últimos anos. Por isso, o eleitor, mesmo desconfortável, tende a se apoiar no que já sabe como funciona, embora não veja futuro.
Até 2026, o grande desafio é o surgimento de um nome que consiga transmitir confiança sem cair no oportunismo. Do contrário, a escolha será feita não pela esperança, mas pelo medo de mudar.
Quem é mais antigo lembra das campanhas que eram feitas contra Lula usando o medo do que ele poderia fazer se fosse presidente. Após três mandatos, o medo pode ser o maior aliado do petista. Embora ele pareça não ter mais nada para oferecer.

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