Maré baixa estrutural

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Maré baixa estrutural



Na abertura da estação de veraneio, ao invés da beleza natural das praias, acúmulo de problemas chama a atenção no litoral pernambucano

Por

JC


Publicado em 22/12/2025 às 0:00

Clique aqui e escute a matéria

O cenário se repete como numa viagem de roteiro conhecido. Poluição, lixo na areia e na zona urbana, infraestrutura precária, fiscalização rara dos serviços prestados, erosão e despreparo para o avanço da maré são algumas das paradas ao longo do caminho. Em novo balanço sobre a situação estrutural das praias em Pernambuco, o JC expôs, no domingo, a lista de problemas que fazem parte das férias de quem frequenta ou visita o nosso litoral, há muitos anos. São quase 200 quilômetros de céu espelhado nas ondas, com desafios em boa parte dessa extensão.
O lixo e o esgoto que vão direto para o mar constituem imagens – e odores – que afastam qualquer turista. Mas em locais badalados como Porto de Galinhas e São José da Coroa Grande, destinos bastante procurados, o saneamento passa longe. Os dejetos na praia também despontam como questão de educação dos frequentadores, e a prefeitura de Tamandaré afirma que promove campanha de conscientização ambiental para minimizar o problema. Ao recorrer à educação de quem vai à praia, o poder público atesta incapacidade para lidar com a demanda da limpeza em sua dimensão ampliada, durante as férias de veraneio.
Em Itamaracá, o avanço da linha d’água causa erosão e prejuízos a estabelecimentos que estavam instalados na areia há anos. Em Ponta de Pedras, o drama é o mesmo, e o indesejável cartão-postal de ruínas na praia toma conta da vista. Jaboatão dos Guararapes e Paulista entraram oficialmente em situação de emergência devido à erosão costeira, em reconhecimento do governo federal. Um estudo em andamento deve fazer o diagnóstico em municípios da Região Metropolitana, para que o governo do Estado busque soluções em parceria com as prefeituras.
O descontrole na ocupação do espaço público e no ordenamento de estabelecimentos é outro problema que não é novidade. Sem a fiscalização adequada, a segurança de banhistas e de turistas em geral fica comprometida. Há queixas de falta de pontos de salva-vidas do Corpo de Bombeiros, em quantidade suficiente para o fluxo turístico na alta estação. Apenas este ano, já foram registradas 385 ocorrências dos Bombeiros nas praias pernambucanas. Esse número seria muito maior, se houvesse equipe suficiente para atendimento.
Com a consolidação do Aeroporto dos Guararapes como hub de recepção de turistas na região Nordeste, e a recuperação iniciada na economia estadual, a população poderia aproveitar mais e receber melhor os turistas, se atrasos estruturais não continuassem a atrapalhar o desfrute do sol. Mais uma vez, o aumento do turismo abre oportunidades para que o poder público perceba os focos de atenção, implemente ações emergenciais e planeje medidas de médio e longo prazos, com investimentos de maior alcance e profundidade, para que tudo não volte a acontecer no verão dos próximos anos.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *