Levantamento mostra que 65% consideram inadequado pedido de financiamento a Vorcaro; para 58%, senador pode estar escondendo participação no escândalo
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O Caso Master passou a produzir desgaste político direto sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo a nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10).
O levantamento mostra que 65% dos entrevistados consideram que o parlamentar errou ao pedir apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, enquanto 58% afirmam acreditar que ele pode estar escondendo algum tipo de envolvimento ilegal relacionado ao escândalo que atingiu o Banco Master.
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Esta foi a primeira rodada da Quaest realizada após as revelações envolvendo o senador e o dono do Banco Master. Diferentemente dos levantamentos anteriores, o instituto dedicou um capítulo específico para medir o grau de conhecimento da população sobre o caso e seus possíveis impactos políticos.
Os dados são divulgados no mesmo levantamento em que Flávio aparece em queda nos cenários eleitorais testados pela pesquisa. No primeiro turno da disputa presidencial, o senador caiu de 33% para 29% das intenções de voto. No segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recuou de 41% para 38%.
A pesquisa indica que o escândalo já alcançou parcela relevante da população brasileira. Segundo a Quaest, 42% dos entrevistados afirmam conhecer bem o Caso Master, enquanto 25% dizem já ter ouvido falar do assunto, mas sem informações detalhadas.
Outros 33% afirmaram desconhecer completamente o episódio.
Pedido de financiamento é reprovado
A reprovação à atuação de Flávio Bolsonaro aparece de forma expressiva quando os entrevistados são questionados sobre as negociações entre o senador e Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com a Quaest, 65% consideram que Flávio “errou e deveria ter evitado” pedir financiamento ao banqueiro.
Já 17% avaliam que o senador “acertou e não há nada demais” na conduta, enquanto 18% não souberam ou preferiram não responder.
A percepção negativa também se repete quando o instituto pergunta sobre o conteúdo das conversas entre Flávio e Vorcaro. Para 60% dos entrevistados, as negociações levantaram suspeitas. Outros 19% classificaram os contatos como normais, enquanto 21% não souberam opinar.
Maioria suspeita de envolvimento ilegal
A Quaest também mediu diretamente o grau de desconfiança da população em relação ao senador.
Segundo a pesquisa, 58% acreditam que Flávio Bolsonaro pode estar escondendo algum envolvimento ilegal relacionado ao Caso Master. Outros 27% afirmam que ele não está envolvido, enquanto 15% não souberam responder.
O levantamento mostra ainda que 62% dos entrevistados acreditam que o senador sabia que Daniel Vorcaro estava envolvido em práticas de corrupção. Apenas 26% avaliam que Flávio desconhecia a situação do banqueiro.
Família Bolsonaro passa a ser mais associada ao escândalo
Outro dado que chama atenção é a mudança na percepção sobre quem foi mais prejudicado politicamente pelo Caso Master.
Em março, 11% apontavam a família Bolsonaro como principal afetada pelo escândalo. Em maio, esse percentual havia recuado para 9%. Agora, em junho, chegou a 16%.
Apesar disso, a maioria dos entrevistados continua avaliando que o episódio atingiu diversos atores políticos e institucionais simultaneamente. Para 44%, “todos eles” foram prejudicados pelo caso.
Impacto eleitoral
A Quaest também procurou medir se as revelações envolvendo Flávio Bolsonaro alteraram a disposição do eleitor em apoiá-lo na disputa presidencial.
Metade dos entrevistados (50%) afirmou que as notícias não mudaram sua posição porque já não votaria no senador. Outros 26% disseram que continuam apoiando sua candidatura mesmo após tomarem conhecimento do episódio.
Entre aqueles que admitiram alguma mudança de percepção, 12% afirmaram que o caso diminuiu a vontade de votar em Flávio Bolsonaro. Já 6% disseram que passaram a ter mais disposição para apoiá-lo.
Os números sugerem que o Caso Master já integra o conjunto de fatores que influenciam a imagem pública do senador. Embora a Quaest não estabeleça relação direta entre o episódio e a queda registrada por Flávio nas intenções de voto, o levantamento indica que o escândalo passou a produzir efeitos mensuráveis na percepção do eleitorado sobre o principal nome do bolsonarismo na corrida presidencial de 2026.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.
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