Maduro, Trump e Lula

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Maduro, Trump e Lula


Não é fácil destituir ditaduras através do diálogo. A ação dos EUA é compreensível quanto ao objetivo, qual seja, retirar um ditador do poder

Por

ADRIANO OLIVEIRA


Publicado em 04/01/2026 às 9:10
| Atualizado em 04/01/2026 às 9:12



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A intervenção na Venezuela já era esperada desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos. A diplomacia de variados países, inclusive do Brasil, não foi suficiente para remover Maduro da aventura ditatorial.

Não é fácil destituir ditaduras através do diálogo e do convencimento. A ação dos Estados Unidos é compreensível quanto ao objetivo, qual seja, retirar um ditador do poder. Se não fosse a América, o que impediria Maduro de seguir comandando a Venezuela? As evidências revelam que ninguém.

Suspeito que maduro foi apanhado pelos americanos em decorrência de informações de atores que faziam parte do seu governo. Portanto, Maduro não liderava fortemente o seu governo. Era uma ditadura com força fraca ou razoável.

Foram diversas eleições na Venezuela recheadas com acusações de fraudes. Se a eleição é instrumento da democracia para garanti-la com liberdade e instituições fortes, este não é o caso da Venezuela. Para a democracia, a deposição de Maduro, teoricamente, fará bem.

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O que virá depois da era Maduro? Esta é a grande dúvida. Aliados de Maduro seguirão no poder sob a influência dos Estados Unidos? Se assim ocorrer, a Venezuela seguirá como uma ditadura com respaldo americano.

Neste caso, Trump mostrará ao mundo que a sua ação na Venezuela não tinha o interesse de restituir a democracia, mas de garantir, apenas, os lucros com o petróleo venezuelano. O ideal é uma nova eleição. Mas se nesta nova eleição, um aspirante a ditador vier a ser eleito? A saída de Maduro não garante, de imediato, democracia aos venezuelanos.

O presidente Lula foi coerente ao se posicionar contra a ação dos Estados Unidos em virtude de que assim sempre fez. Tal posicionamento não deve atrapalhar a sua relação com o presidente americano em razão do excesso de pragmatismo de ambos. Todavia, as próximas ações de Trump em relação à Venezuela dirá se o pragmatismo de ambos não virará contrariedade e conflito.

A defesa da soberania dos países por parte do presidente Lula é louvável, pois Trump não pode ser o general do mundo, onde os seus objetivos são garantidos pela força. Pois se assim ocorrer, todas as nações estarão ameaçadas e a lei do mais forte tende a predominar. Portanto, o respeito à soberania deve ser princípio das lideranças mundiais. Não podemos voltar ao passado de guerras que envolvam um gama de países.

A oposição a Lula colocou, como esperado, a pauta Maduro na eleição presidencial vindoura. De um lado, teremos o presidente Lula sendo acusado de apoiar ditadores; do outro, o lulismo defendendo a soberania. Adianto, que a estratégia da oposição não tem efeito para conquistar novos eleitores, mas sim para manter forte o antilulismo. Por outro lado, alerto que a popularidade de Trump no Brasil é fraca, por consequência, o discurso da defesa da soberania poderá fazer com que Lula conquiste um pouco mais de eleitores.

As consequências do vazio político na Venezuela não estão claras, ainda. Teremos grande saída de venezuelanos para o Brasil e crise humanitária? Donald Trump conseguirá promover transição pacífica na Venezuela, e, com isto, a democracia será estabelecida com acelerada recuperação econômica em razão dos lucros do petróleo?

O presidente Lula liderará frente ampla em defesa de eleições limpas e transparentes na Venezuela com o apoio de Trump, e fortalecerá a sua imagem de líder com consequências positivas para o seu desempenho na eleição presidencial brasileira? O presidente Trump, contrariado com o presidente brasileiro, interferirá de algum modo na eleição do Brasil? O líder americano declarará apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial? Dúvidas que o tempo responderá.

*Adriano Oliveira, Cientista político. Professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência: Pesquisa Qualitativa & Estratégia.





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