Consumidor vai pagar menos pelas “blusinhas”, mas produtores veem risco de desemprego, retração econômica e concorrência impossível de enfrentar.
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O debate nacional sobre as chamadas “blusinhas” deixou de ser apenas uma disputa tributária entre governo e plataformas internacionais como foi no início desse governo Lula (PT). Na época, a gestão petista criou uma taxa para evitar a concorrência desleal dos produtos chineses com a indústria local. Agora, quando a eleição se aproxima e o presidente busca a reeleição num contexto de baixa aprovação, a pauta retorna. Mas ela retornou de cabeça pra baixo. A ideia agora é liberar geral, pra conseguir apoio popular.
Em Pernambuco, o tema nacional já é visto como uma ameaça econômica concreta para milhares de famílias que dependem diretamente do Polo de Confecções do Agreste. O problema não está apenas na chegada de produtos chineses baratos ao mercado brasileiro. O ponto central é que essas mercadorias passaram a competir diretamente com a base de consumo popular que sustentou durante décadas cidades como Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru.
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O efeito disso vai muito além do comércio virtual. Ele atinge produção, emprego, circulação de renda e estabilidade econômica regional. O mais sensível é que esse choque acontece justamente depois de anos de investimento dos produtores locais em modernização industrial, renovação de maquinário, melhoria de acabamento, qualificação da produção e adaptação da moda regional para um consumidor mais exigente.
O Agreste pernambucano deixou há muito tempo de produzir apenas peças populares de baixa qualidade, ficou mais produtivo. Parte importante do setor passou a investir em design, modelagem, tecnologia têxtil e ampliação de escala. Ainda assim, vem mais uma eleição e o setor enfrenta a possibilidade, outra vez, de uma concorrência considerada quase impossível de vencer.
Concorrência
As plataformas asiáticas operam com uma lógica completamente diferente da indústria nacional. Trabalham com produção em escala gigantesca, custos reduzidos, forte subsídio industrial indireto e carga tributária muito inferior à enfrentada por empresas brasileiras. Aqui é tudo ao contrário: muito imposto, mão de obra cara e pouco subsídio. No Brasil, quando o governo não atrapalha já é uma vitória.
Isso cria um desequilíbrio severo para produtores locais que precisam lidar com impostos internos elevados, custos trabalhistas, energia cara, logística difícil e burocracia permanente.
O problema se agrava porque a disputa ocorre exatamente nas faixas de renda mais baixas do consumo brasileiro. São consumidores extremamente sensíveis a preço. Quando encontram peças importadas mais baratas nas plataformas digitais, parte relevante migra rapidamente de fornecedor.
O impacto econômico disso tende a ser profundo em Pernambuco porque o Polo do Agreste movimenta comércio, transporte, alimentação, serviços financeiros, pequenas oficinas, facções de costura e milhares de empregos indiretos.
Política
O tema ganhou dimensão política ainda maior porque o governo Lula passou a discutir redução de taxas sobre produtos importados justamente num momento de pressão inflacionária e busca por popularidade junto ao consumidor de baixa renda.
A lógica política é relativamente simples. Produtos mais baratos ajudam a reduzir pressão sobre consumo e ampliam sensação de poder de compra. Na prática, se o povo compra barato, fica parecendo que a renda melhorou. Problema resolvido? Não. O desemprego aumenta e a economia vai estagnar no médio prazo. Contanto que isso aconteça depois da eleição, há setores do governo Lula que não veem problema.
Empresários do setor têxtil argumentam que o governo corre o risco de sacrificar cadeias produtivas inteiras em troca de um benefício imediato no consumo e voto.
Brasil
Pernambuco talvez seja apenas o caso mais visível desse conflito, mas ele está longe de ser isolado. Outros polos têxteis do país também enfrentam dificuldade crescente para competir com o avanço das plataformas internacionais.
A diferença é que o Agreste pernambucano possui enorme dependência econômica desse setor. Por isso, qualquer retração mais forte tende a produzir efeitos sociais e políticos muito rápidos.
O debate sobre as “blusinhas” acabou revelando um dilema maior da economia brasileira. O país tenta ampliar acesso ao consumo barato sem resolver antes seu problema estrutural de competitividade, como falamos aqui na coluna de ontem.
Quando você conversa com qualquer produtor do setor têxtil, obrigado a concorrer com as “blusinhas” chinesas, a fala é uma só: “a questão não é taxar ou não taxar os chineses, mas nos entreguem as mesmas condições”. Que tal liberar a taxa das blusinhas, mas zerar impostos para o setor têxtil brasileiro, por exemplo? O governo topa abrir mão dessa arrecadação? Um aviso: isso também pode dar voto.
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