Livraria da Travessa abrirá unidade em praça criada pela família Setúbal em Pinheiros

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Livraria da Travessa abrirá unidade em praça criada pela família Setúbal em Pinheiros


A carioca Livraria da Travessa vai abrir uma unidade em Pinheiros, bairro onde encontrou sua identidade paulistana e agora busca se adaptar à transformação acelerada da paisagem urbana, cada vez mais verticalizada.

A rede de livrarias tradicional do Rio de Janeiro terá nova loja na futura praça Igarapé, espaço privado de uso público idealizado pelo núcleo familiar de Alfredo Egydio Setúbal, CEO da Itaúsa.

A poucos metros dali funciona desde 2019 a primeira Livraria da Travessa de rua da capital paulista, instalada em um imóvel da rua dos Pinheiros que hoje tenta resistir aos empreendimentos imobiliários no seu entorno. Ao redor dela, casas desapareceram, terrenos foram cercados por tapumes e o quarteirão entrou na rota dos novos prédios que transformaram o bairro em um dos principais polos de adensamento de São Paulo.

“A loja ficou isolada. Parece o filme Aquarius“, brinca Rui Campos, sócio e CEO da Travessa, citando o longa de Kleber Mendonça Filho estrelado por Sonia Braga sobre especulação imobiliária. “Falta só colocar um display dela na frente da livraria”, ri.

A incorporadora que comprou tudo em volta da livraria propôs incorporar a Travessa na fachada ativa do prédio já pronto. Mas, segundo Campos, a construtora responsável pelo projeto vendeu o empreendimento para outra empresa, e o futuro da livraria agora parece indefinido. “Diziam que queriam a Travessa antes, durante e depois da obra. Mas o projeto mudou de mãos, e tudo ficou em suspenso.”

Nesse intervalo de incerteza, surgiu um convite tão improvável quanto interessante, a poucos metros dali —de ocupar a futura praça Igarapé. Prevista para abrir parcialmente já em novembro deste ano, antes da inauguração completa da praça, em 2027, a livraria funcionará integrada ao café, ao auditório e à área de convivência do projeto.

“Eles disseram que tinham o sonho de ter uma livraria ali, mas achavam que jamais toparíamos porque fica muito perto da loja atual”, conta Campos. “Mas enxergamos justamente o contrário: algo complementar.”

A nova unidade deve ocupar um térreo amplo, aberto para a rua e para a praça, com foco em literatura infantil no andar térreo e conexão direta com os demais espaços culturais do complexo. No piso superior ficará o acervo principal da loja. A proposta é que os ambientes conversem entre si, transformando a livraria em extensão do espaço público.

A parceria ocorre em um momento de expansão silenciosa, mas consistente, das chamadas “livrarias de rua” na capital paulista. Depois de anos de retração do setor e fechamento de grandes redes, bairros como Pinheiros, República e Santa Cecília passaram a concentrar novos espaços independentes ou de médio porte que combinam curadoria, cafés, eventos e ocupação cultural.

“Estamos vivendo um momento muito interessante em São Paulo”, diz Campos. “Existe uma efervescência bonita. O público voltou a abraçar as livrarias.”

A própria chegada da Travessa à cidade nasceu dessa percepção. Antes da unidade de Pinheiros, a rede mantinha apenas a loja do Instituto Moreira Salles na avenida Paulista, voltada majoritariamente às atividades do centro cultural.

A decisão de abrir uma livraria autônoma em São Paulo veio depois de sucessivas visitas ao bairro, muitas delas guiadas por Mauro Munhoz, cofundador da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) e diretor artístico e cultural da Associação Casa Azul, com sede em Pinheiros.

“Depois das reuniões da Flip, ele fazia uma turnê comigo por Pinheiros”, lembra Campos. “Mostrava as lojas, os restaurantes, o clima das ruas. No fundo, estava provocando a gente a abrir uma livraria ali.”

A escolha parecia ir na contramão da lógica dominante do mercado livreiro, historicamente associado a megastores e grandes centros comerciais. Mas fazia sentido naquele pedaço da cidade. “Pinheiros tinha essa linguagem de pequenas lojas de design, moda, cafés. A livraria precisava interpretar esse contexto”, conta Campos.

Agora, a Travessa prepara uma segunda leitura do mesmo bairro em novos tempos. Campos reconhece que a verticalização responde à infraestrutura urbana da região e considera o adensamento “inexorável”. Talvez por isso tenha sido ainda mais sedutora a ideia de abrir uma nova unidade em Pinheiros numa praça concebida como contraponto à lógica imobiliária que avança ao redor.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *