Em entrevista à Rádio Jornal, presidente da ANJ defende atuação e credibilidade da imprensa contra fake news e deep fake em ano eleitoral
JC
Publicado em 03/01/2026 às 0:00
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A manipulação de informações com o objetivo de confundir o eleitorado, denegrindo candidaturas ou simplesmente inventando fatos que jamais existiram, embora já venha sendo alvo de preocupações há algumas décadas, surge em 2026 com alerta ainda maior. O ano de eleições presidenciais e para governos estaduais, além dos parlamentos nesses dois níveis de poder, vai encontrar tecnologias mais apuradas com a inteligência artificial, com potencial muito superior para entregar vídeos, imagens e até vozes forjadas sem correspondência com a realidade. Se a guerra política migrar para o campo minado das fake news, com a utilização da chamada deep fake, difícil de discernir de mensagens verdadeiras, sobretudo em casos de rápido compartilhamento, a população brasileira pode se transformar em massa de manobra das principais campanhas e suas tropas de produção digital de mentiras.
Para o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, os riscos da desinformação no processo democrático exigem do cidadão e das instituições que sejam tomados cuidados essenciais para a proteção da comunicação pública, evitando-se a contaminação por conteúdos manipulados. Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, Rech afirmou que, nesse contexto, cresce o papel do jornalismo e da imprensa na certificação da realidade, através de dados confiáveis, fontes seguras e perspectivas diversas, mas verdadeiras, de um mesmo fato.
O que não significa afastar a possibilidade do contraditório, da polêmica e do debate genuíno entre pontos de vista diferentes – especialmente numa campanha polarizada, como tem sido a brasileira. “Pode haver discussão sobre causas, responsabilidades e soluções, mas sobre o fato em si não pode haver dúvida. Se isso se perde, não é mais possível discutir os problemas e como resolvê-los”, afirmou o presidente da ANJ. O que ele nomeou como “falsidades profundas”, conhecidas como deep fake, no termo em inglês, podem construir fatos alternativos para os quais não haja meio de contestação ou verificação, a não ser por sua produção. Para públicos inflamados pelo radicalismo, a facilidade do uso da comunicação, ao invés de vantagem, passa a ser um elemento de distorção do real – distorcendo junto a democracia, pois cria personagens e discursos embasados em falsas premissas.
Na linha de frente da defesa coletiva, além de instituições sólidas que rechacem as mentiras, está o jornalismo profissional, comprometido com o interesse coletivo e os princípios democráticos. “A melhor forma de combater a desinformação é ir a quem verifica a realidade, a quem tem como profissão a busca da verdade, a contextualização e a divulgação responsável de diferentes versões”, disse Marcelo Rech. O Jornal do Commercio e demais veículos do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, em todas as plataformas, apoiam a posição da ANJ de fortalecimento do jornalismo e da imprensa livre como um dos pilares do sistema democrático. A verdade da notícia e a responsabilidade dos profissionais envolvidos com a divulgação, constituem o maior patrimônio do jornalismo.
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