Pesquisa indica que percentual recorde de 82% das famílias brasileiras encontra-se com dívidas, e cresce a parcela da renda comprometida
JC
Publicado em 08/08/2026 às 0:00
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A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou nova rodada relativa à Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor referente ao mês de julho. O resultado aponta um nível de endividamento recorde: 82% das famílias no Brasil estão com dívidas a vencer. Ou seja, falta dinheiro para dar conta das despesas em casa – e o pior é que está aumentando a fatia da renda comprometida com as dívidas, gerando risco de inadimplência e dificuldade para captação de crédito. A tendência é preocupante para o sistema financeiro, que já dá sinais de adotar medidas preventivas devido à conjuntura. A nação deveria se preocupar também, coletivamente, cobrando dos governos, especialmente do governo federal, mas não somente, iniciativas e exemplos que estimulem a responsabilidade com os gastos, sem deixar de incentivar ações que levem a ganhos reais para a renda da população e o crescimento da economia.
O percentual de inadimplência no país continua em cerca de 30%, apesar de três meses completados pelo programa lançado em maio pelo governo federal, o Desenrola 2.0, voltado à renegociação das dívidas. Sem maiores alterações no cenário desde o começo do ano, e o comprometimento orçamentário se tornando maior, as perspectivas para a economia não são animadoras – no que coincidem com os problemas divisados para o ano que vem, diante do nível estratosférico da dívida pública. O que não é estranho, pois o mau exemplo que vem dos governantes, notadamente do governo federal, mas também do Congresso, que controla parcela importante do orçamento público, pode ser visto com naturalidade pela população, que afunda nos débitos domésticos enquanto os governos não fazem questão de enfrentar o problema da dívida pública – cuja conta é sempre paga, de algum modo, pelos cidadãos.
Chega a quase 20% a fração de famílias com mais da metade da renda mensal separada para quitar dívidas. A média nacional é de comprometimento de quase 30% da renda com esses gastos. O semestre que passou fez a situação se agravar. “Completar seis meses seguidos de novos níveis recordes negativos no endividamento da população tem impactos que são sentidos em curto e médio prazo, não só no comércio”, comentou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, para quem os bons indicadores gerais da economia, como o baixo desemprego, não anulam tais impactos. “Os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhora do setor produtivo”, avalia.
Sem surpresa, a população de baixa renda está mais inadimplente e insolvente, na conjuntura atual. A dificuldade para quitar as dívidas é obviamente maior para quem ganha menos. Para essas famílias e seus componentes, programas de alongamento do prazo e redução de juros abrem espaço para outras dívidas, enquanto não forem criadas condições estruturais para rendas maiores e sustentáveis. O volume de endividamento dos que recebem acima de dez salários mínimos mensais também aumentou, revelando que as despesas continuam mais altas que as receitas, nesse segmento da população, em resposta a um histórico de contínua incapacidade para pagar as dívidas.













