Alvo de uma operação recente da Polícia Federal, o senador baiano Jaques Wagner (PT), atual líder do governo no Senado, agora corre em duas frentes para tentar reverter o revés sofrido em ano eleitoral. Na ala jurídica, o parlamentar recorreu ao STF para anular as investigações que o relacionam ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, enquanto que na política ainda tenta se sustentar no cargo com pressões de alas do PT e do próprio Executivo.
A defesa do senador, capitaneada pelo advogado Pablo Domingues, acionou formalmente o Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (22), com um pedido de anulação da operação da PF que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Wagner na semana passada.
Os advogados apontam o que chamam de “erros graves” na decisão que autorizou a ação policial e sustentam que o parlamentar jamais atuou no Congresso para beneficiar o Banco Master — foco da investigação. A defesa argumenta publicamente que a única emenda de Wagner sobre o tema de empréstimos consignados ia na contramão dos interesses da instituição financeira e que os valores em espécie apreendidos em sua residência possuem origem lícita e declarada, incluindo diárias pagas pelo próprio Senado para missões oficiais no exterior.
PRESSÃO PARA AFASTAMENTO
Apesar do tom combativo na esfera judicial, a situação de Jaques Wagner no governo tornou-se delicada. Conforme apuração do jornal Folha de S.Paulo, o senador vem manifestando forte resistência em se afastar voluntariamente da liderança do governo no Senado. Wagner reage de forma defensiva aos bastidores que sugerem sua saída, avaliando que entregar o cargo logo após a operação policial soaria como um recibo de culpa e fragilizaria sua imagem pública.
No entanto, o imbróglio ganhou contornos de desgaste inevitável. Segundo a Folha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve recomendar formalmente a saída do correligionário do posto de liderança. O diagnóstico da cúpula do governo é o de que, embora Wagner seja um aliado histórico e de extrema confiança, a permanência de um líder sob forte investigação da PF contamina a agenda do Planalto no Congresso, tensiona a base aliada e dá combustível para a oposição em um momento de votações econômicas cruciais.
Lula e seus interlocutores políticos buscam agora uma saída negociada para que o afastamento ocorra com o menor dano possível à biografia do senador e à estabilidade da articulação política.














