Crianças não devem ter redes sociais porque o simples ato de se expor em busca de aprovação pública já altera a forma como se percebem e se relacionam
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No início de agosto, um vídeo rompeu as barreiras das bolhas digitais e se espalhou por grupos de família, rodas de conversa e manchetes de jornais. O youtuber Felca, conhecido pelo humor, decidiu tratar de um assunto grave: a adultização infantil na internet. Ele mostrou como algoritmos e plataformas favorecem a exposição precoce de crianças a conteúdos sexualizados, disfarçados de entretenimento, e chamou esse fenômeno de “algoritmo P”.
O impacto foi imediato. Em poucos dias, as denúncias de exploração infantil online saltaram 114%, e o assunto chegou ao Congresso Nacional, resultando até na prisão de um influenciador acusado de produzir conteúdo sexualizado com menores.
Mais que um debate momentâneo
O episódio foi mais do que um debate momentâneo. Foi um alerta sobre o tipo de mundo que estamos oferecendo para as novas gerações. Vivemos em um ambiente digital que já não se define pela estabilidade, mas pela fluidez.
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Os temas surgem, viralizam e desaparecem antes que possamos compreendê-los em profundidade. Ontem foi o “morango do amor”, antes disso bonecos virais e danças coreografadas; hoje é a adultização infantil. Essa sucessão de tendências dá à criança a sensação de que nada é realmente permanente ou digno de atenção por muito tempo. O risco é crescer acreditando que a vida é feita de temas descartáveis e que a importância de algo é medida pela sua capacidade de viralizar.
>> Conheça a coluna Enem e Educação, com Mirella Araújo
Hoje, a pornografia já não está escondida nos cantos da internet. Ela dança nas telas das crianças, disfarçada de entretenimento. O soft porn, como é chamada essa sensualização sutil, desafia o pensamento crítico dos pais e a liberdade de expressão dos indivíduos.
Influenciadores mirins imitam adultos e ganham curtidas às custas da inocência que se perde cedo demais. Em muitos jogos online, o perigo não é o monstro virtual. É a conversa no chat, carregada de insinuações adultas.
Filtros e padrões irreais estão ensinando crianças a se comparar e se achar insuficientes antes mesmo de saberem quem são. E não podemos ignorar que a adultização não é apenas sexualização precoce. É também a imposição de comportamentos, padrões de consumo e estilos de vida que roubam etapas essenciais da infância.
Crianças não devem ter redes sociais
O que agrava o cenário é que, muitas vezes, essa exposição é promovida pelos próprios pais, que transformam filhos em personagens de redes sociais. Crianças não devem ter redes sociais, nem mesmo supervisionadas por adultos, porque o simples ato de se expor repetidamente em busca de aprovação pública já altera a forma como se percebem e se relacionam com o mundo. A lógica da audiência não combina com a lógica do desenvolvimento infantil.
A consequência é sentida na saúde mental. A Organização Mundial da Saúde alerta que transtornos como ansiedade e depressão crescem em ritmo alarmante entre jovens. No Brasil, um em cada quatro adolescentes apresenta sintomas de ansiedade ou depressão.
A lógica das redes, combinada à pressão estética imposta por filtros e influenciadores, à comparação constante com vidas editadas e à exposição contínua a conflitos e tragédias, cria um ambiente emocionalmente instável.
Famílias percebem filhos oscilando entre euforia e apatia; escolas recebem alunos mentalmente exaustos, incapazes de se concentrar ou se engajar. Quando a mente está fragilizada, o aprendizado e a convivência sofrem.
Famílias e escolas precisam trabalhar juntas
Para enfrentar essa realidade, famílias e escolas precisam trabalhar juntas, mas essa aliança nem sempre é simples. Há barreiras de comunicação, agendas sobrecarregadas e, em tempos de polarização, até desconfiança mútua.
Muitos pais sentem que a escola invade assuntos que deveriam ser tratados em casa; muitas escolas sentem que os pais delegam demais e se ausentam da vida escolar. Enquanto isso, as crianças ficam vulneráveis, expostas a conteúdos e interações para as quais não estão preparadas.
Unir esforços exige diálogo constante, clareza sobre os papéis de cada um e atualização permanente sobre o mundo digital. É preciso reconhecer que a vida online das crianças é parte real da vida delas, e não um universo paralelo que pode ser ignorado.
Letramento digital é indispensável
Nesse contexto, o letramento digital se torna ferramenta indispensável e aliada da educação socioemocional. Ele não é apenas aprender a usar tecnologia, mas compreender, avaliar e produzir conteúdo de forma segura e crítica.
As escolas precisam incluir no currículo discussões sobre como funcionam os algoritmos, como identificar conteúdo impróprio, como evitar interações perigosas e como avaliar a veracidade de informações e tendências. Em casa, os pais podem reforçar esse aprendizado, incentivando o questionamento e ajudando os filhos a entender que nem tudo que aparece na tela merece atenção ou crédito.
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Pais, não basta proibir. É preciso acompanhar, conversar e proteger. Porque a infância não tem botão de replay. Proteger a infância hoje não é apenas evitar o contato com conteúdos nocivos; é criar condições para que as crianças vivam plenamente cada etapa do seu desenvolvimento, com tempo para brincar, se entediar, se encantar e construir referências sólidas. A infância é curta e preciosa. Se a internet quer apressar, cabe a nós desacelerar.
Proteja hoje, para que amanhã eles possam ser o que ainda têm direito de ser: crianças. A era digital não vai desacelerar sozinha. Cabe a nós criar momentos de pausa, reflexão e presença. É urgente um pacto entre famílias, escolas e sociedade para oferecer raízes firmes em meio a um mundo fluido. Porque, se não cuidarmos agora, corremos o risco de formar uma geração que conhece todas as tendências, mas não reconhece a si mesma.
*Jaime Ribeiro, CEO e cofundador da Educa Saúde Emocional


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