Falta de infraestrutura em moradias trava adaptação climática no Brasil

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Falta de infraestrutura em moradias trava adaptação climática no Brasil



O enfrentamento da crise climática nos centros urbanos brasileiros esbarra em um obstáculo estrutural: o déficit habitacional qualitativo. Mais do que a falta de novas moradias, a ausência de infraestrutura, saneamento e segurança em residências já existentes impede que as cidades resistam a eventos extremos. Em Pernambuco, o cenário é crítico, com mais de 70% dos domicílios apresentando algum tipo de inadequação.

Segundo Socorro Leite, diretora executiva nacional da ONG Habitat para a Humanidade Brasil, o problema é reflexo de décadas de ocupação de áreas de risco sem suporte estatal. “O diagnóstico desloca o debate da falta de moradias para a necessidade urgente de qualificar e tornar seguras as cidades que já foram construídas pela própria população”, afirma.

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Recursos disponíveis, execução limitada

Embora o governo federal tenha destinado R$ 11,7 bilhões em 2025 para obras de drenagem e contenção de encostas, a aplicação dessa verba enfrenta gargalos na gestão municipal. O programa Urbanização de Favelas – Periferia Viva contratou apenas R$ 4,7 bilhões, beneficiando somente 32 municípios no País.

Em Pernambuco, dos 77 municípios elegíveis, apenas Paulista buscou e acessou o financiamento federal de R$ 11,2 milhões para obras estruturais na comunidade Nossa Senhora de Fátima, no bairro de Jardim Maranguape. Nenhum dos municípios elegíveis buscou recursos específicos para drenagem urbana.

Baixa preparação e risco humano

A negligência na prevenção reflete-se nos dados do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE). O órgão aponta que 75% dos municípios do estado estão despreparados para lidar com desastres. Além disso, 69% não possuem sistemas de monitoramento e 56% carecem de abrigos adequados.

A urgência é acentuada pela proximidade da quadra chuvosa (maio a julho) e pela previsão do fenômeno La Niña em 2026, que deve trazer chuvas acima da média. A transição de uma agenda de “gerenciamento de crises” para uma de “planejamento permanente” é também uma questão econômica: estimativas indicam que cada R$ 1 investido em prevenção economiza R$ 7 em reconstrução.



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