Em entrevista ao Passando a Limpo, economista Werson Kaval afirmou que sistema reduziu espaço das bandeiras de cartão e ampliou inclusão financeira
Pedro Beija
Publicado em 21/07/2026 às 12:59
| Atualizado em 21/07/2026 às 13:11
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As críticas dos Estados Unidos ao Pix têm relação com interesses comerciais, regulatórios e geopolíticos, e não significam que o sistema brasileiro de pagamentos esteja sob risco de ser extinto. A avaliação é do economista e especialista em gestão pública e industrial Werson Kaval, em entrevista concedida nesta terça-feira (21) ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.
Segundo Kaval, o Pix alterou a dinâmica do mercado de pagamentos ao reduzir a participação das operadoras de cartões nas transferências financeiras e eliminar parte das receitas obtidas por essas empresas durante o intervalo entre a realização e a compensação das transações.
“A maioria das bandeiras de cartões é americana. O Pix acabou com essa fricção bancária que existia”, afirmou.
Pressão envolve regras do sistema brasileiro
Na avaliação do economista, o foco das críticas dos Estados Unidos está menos na existência do Pix e mais nas regras que disciplinam seu funcionamento. Entre os pontos citados por ele estão a participação obrigatória das instituições financeiras no sistema e a exigência de que os bancos ofereçam o Pix com destaque em seus aplicativos.
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“Os Estados Unidos criticam até a forma como o Pix é oferecido para a população. Existe uma obrigação dos bancos participarem e até mesmo de disponibilizarem destaque para o sistema”, disse.
Para Kaval, eventuais mudanças podem ocorrer apenas em aspectos regulatórios e de forma limitada.
“É possível flexibilizar algumas regras mais básicas, mas a ponto de que não prejudiquem o próprio sistema brasileiro”, afirmou.
Pix não corre risco de acabar, diz economista
Durante a entrevista, o especialista avaliou que não existe possibilidade de o Pix deixar de existir em razão das críticas americanas. Segundo ele, a ampla utilização do sistema inviabiliza qualquer cenário de descontinuidade.
“Isso é impossível pela grande aceitação. Com certeza não está em cogitação”, declarou.
Kaval afirmou que o Pix é utilizado por cerca de 82% dos brasileiros e movimenta aproximadamente R$ 36 trilhões por ano. Na avaliação dele, esses números ajudam a explicar a reação de empresas ligadas ao setor de meios de pagamento e o interesse dos Estados Unidos em discutir aspectos regulatórios do sistema brasileiro.
“O que está por trás disso tudo, basicamente, é dinheiro. Estamos falando de um sistema que movimenta um volume enorme de recursos e alterou a forma como os pagamentos são feitos”, afirmou.
Inclusão financeira e educação
Além do impacto econômico, Kaval destacou que o Pix ampliou o acesso da população aos serviços financeiros ao facilitar a abertura e o uso de contas digitais.
Segundo ele, a popularização do sistema também reforça a necessidade de ampliar a educação financeira no país, para que as pessoas compreendam melhor as diferentes formas de pagamento e administrem seus recursos de maneira mais consciente.
“O brasileiro não é preparado para saber qual é a melhor forma de pagamento, nem para controlar receitas e despesas. Esse aprendizado deveria começar ainda na educação básica”, defendeu.
Na avaliação do economista, o avanço dos meios digitais de pagamento exige que a educação financeira acompanhe a evolução tecnológica, permitindo que os consumidores utilizem ferramentas como o Pix de forma planejada e consciente.












