Registro de mortes de norte-americanos após mais ataques contra o Irã é um sinal de que o conflito prossegue – e pode se estender na região
JC
Publicado em 20/07/2026 às 0:00
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Depois de mais de uma semana com bombardeios diariamente sobre alvos iranianos, os Estados Unidos admitiram a perda de três militares envolvidos com as operações de guerra no Oriente Médio. Um deles morreu no Iraque, ao tentar desarmar um drone lançado pelo Irã. Outros dois foram vítimas na base dos EUA na Jordânia. Com as confirmações, chega a 17 o número de vidas perdidas do lado estadunidense desde o início dos confrontos que têm o Irã de um lado, e norte-americanos e israelenses de outro.
As baixas que vão se acumulando podem representar, sobretudo para a opinião pública global, que o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não detêm o controle que afirmam, nem a superioridade bélica suficiente para, como se esperava, subjugar o Irã em poucas semanas – já se vão quase seis meses, sem que os conflitos tenham cessado, e os iranianos não apenas se defendem, como também atacam, ainda que em menor escala e com arsenal muito inferior. Mas conseguem, por exemplo, manter a indefinição sobre o Estreito de Ormuz e os navios de petróleo que por lá passam, além de provocar a morte de soldados enviados por Trump a uma guerra que nem os cidadãos de seu país compreendem os motivos.
O cessar-fogo anunciado em junho como ponto alto de um processo de negociação comandado pela Casa Branca não demorou muito para se provar inconsistente e inefetivo. A pausa nos bombardeios recuperou a estabilidade nas bolsas de valores por alguns dias, mas logo se viu que a desconfiança, as ofensas e os ataques iriam continuar. O mais grave é que a duração estendida começa a levar a guerra para alvos não militares, como forma de pressionar o inimigo: norte-americanos destroem pontes no Irã, os iranianos apontam para uma usina de energia e dessalinização no Kuwait. Segundo Teerã, são mais de 50 as vítimas fatais, no país, em decorrência dos ataques ordenados de Washington.
A volta da escalada na guerra com a participação dos Estados Unidos no Oriente Médio é preocupante para a economia global, e não apenas pelo petróleo. A permanência de um conflito de proporções crescentes tende a deixar os mercados em polvorosa, paralisar investimentos e provocar dificuldades ainda não previstas de abastecimento nos próximos meses, em várias partes do planeta. As provocações lançadas por Trump à China, por sua vez, não ajudam a criar condições para um diálogo gerador da mediação dos chineses na região. Além disso, mais uma vez, o discurso diversionista parece integrar a estratégia da Casa Branca, mais uma vez, enquanto a guerra contra os iranianos ameaça afundar a popularidade do atual presidente e de seus governo, a poucos meses de eleições parlamentares de meio de mandato.
A Organização das Nações Unidas, por meio do porta-voz do secretário-geral Antonio Guterrez, exprimiu espanto diante das investidas contra a infraestrutura que serve às populações no Oriente Médio. O acúmulo de derrotas nas negociações parece indicar que o panorama ainda pode ficar pior do que está, antes de um avanço concreto na direção da paz.














