Governo contesta relatório da oposição e defende investimentos na saúde de Pernambuco

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Governo contesta relatório da oposição e defende investimentos na saúde de Pernambuco


Secretária Zilda Cavalcanti rebateu relatório da oposição, destacando que rede ganhou capacidade de atendimento e que críticas ignoram investimentos


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O Governo de Pernambuco reagiu, nesta quarta-feira (27), às denúncias apresentadas por deputados da oposição sobre a situação da saúde pública estadual. Em coletiva de imprensa, a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, negou redução de leitos na rede hospitalar e afirmou que os dados divulgados pelos parlamentares do PSB refletem uma “interpretação equivocada” sobre reorganizações realizadas na estrutura da assistência.

A resposta ocorre um dia após deputados estaduais da oposição apresentarem o relatório “Saúde de Fachada: realidade do atendimento em PE”, em que apontam perda de 226 leitos, redução de investimentos, superlotação, problemas estruturais e obras concentradas em fachadas de hospitais.

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Segundo Zilda Cavalcanti, o governo trabalha “com transparência” e os números apresentados pela oposição não demonstram, de forma objetiva, onde teria ocorrido a suposta redução de leitos.

“Eu precisaria que eles expressassem onde é que esses 200 e poucos leitos diminuíram. Não foi esclarecido. Nós trabalhamos com transparência, nós dizemos a verdade. Eu só preciso que seja dito onde estão esses 200 leitos que foram reduzidos, porque eu vou explicar que não foram”, afirmou.

A secretária sustentou que parte da divergência decorre da substituição de unidades antigas por novas estruturas hospitalares. Um dos exemplos citados pela equipe do governo foi a troca do Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru, que possuía 119 leitos, pelo Hospital da Mulher do Agreste, inaugurado com 198 leitos.

Outro caso mencionado foi o do Hospital de Retaguarda em Neurologia, cuja assistência, segundo a secretaria, passou a ser absorvida pelo Hospital Alfa e pela rede complementar credenciada.

Durante a coletiva, a Secretaria Estadual de Saúde apresentou números para sustentar a tese de ampliação da rede e aumento dos investimentos.

Segundo os dados divulgados pelo governo, Pernambuco registrou, em 2025, o maior investimento da série histórica da saúde estadual, com R$ 518,1 milhões aplicados em infraestrutura, equipamentos e requalificação hospitalar.

A gestão também afirmou que o Estado atingiu o maior volume histórico de recursos próprios destinados à saúde, com R$ 6,2 bilhões investidos no ano passado.

De acordo com a pasta, o total de investimentos em saúde chegou a R$ 11,4 bilhões.

A secretaria também destacou a abertura de novos leitos e a expansão da capacidade hospitalar. Segundo Zilda Cavalcanti, cerca de 1.700 novos leitos deverão ser incorporados à rede estadual com obras em andamento e novas unidades previstas.

“Nós ganharemos, na rede do Estado de Pernambuco, cerca de 1.700 novos leitos”, disse.

Entre os projetos citados estão a ampliação do Hospital Otávio de Freitas, no Recife, a construção do Hospital Mestre Dominguinhos, em Garanhuns, e reformas em unidades como o Hospital Agamenon Magalhães, Hospital da Restauração e Hospital Barão de Lucena.

Secretária admite superlotação, mas diz que problema é histórico

Apesar de contestar os números da oposição, Zilda Cavalcanti reconheceu que os hospitais estaduais enfrentam superlotação.

Segundo ela, o problema não é exclusivo de Pernambuco e envolve fatores estruturais do SUS, como envelhecimento populacional, sazonalidade de doenças e aumento de acidentes de trânsito, especialmente com motocicletas.

“A superlotação é uma questão histórica na saúde, não só de Pernambuco, mas do Brasil como um todo”, afirmou.

A secretária disse que o governo trabalha com reforço de equipes, reorganização de fluxos hospitalares e ampliação da retaguarda para enfrentar a pressão sobre emergências.

Ela também afirmou que o Estado mantém o sistema de “vaga zero”, em que nenhum paciente deixa de ser atendido nas unidades de urgência.

“Todos os que vierem serão acolhidos e cuidados”, declarou.

Governo rebate críticas sobre “obras de fachada”

Outro eixo da resposta do governo foi a acusação da oposição de que as intervenções nos hospitais estaduais estariam concentradas apenas em fachadas, sem resolver problemas internos das unidades.

Zilda Cavalcanti afirmou que as requalificações começaram pelas áreas internas e que as fachadas representam apenas a etapa mais visível das obras.

“Nós não começamos nenhuma requalificação pela fachada. Nenhuma”, disse.

Segundo ela, as reformas incluem troca de pisos, portas, janelas, climatização, parte hidráulica e adequações estruturais voltadas também à segurança sanitária.

A secretária afirmou que a substituição das esquadrias, por exemplo, permite climatização, isolamento acústico e melhora das condições de limpeza hospitalar.

“Não dá para lavar uma porta que está estufada e se desmanchando”, declarou.

Ao comentar imagens divulgadas pela oposição mostrando infiltrações, mofo e problemas estruturais em hospitais, Zilda reconheceu que ainda existem áreas pendentes de requalificação, mas afirmou que as obras seguem cronogramas compatíveis com o funcionamento das unidades.

“O tempo da requalificação não é o tempo que a gente queria, mas o tempo possível dentro da condição de manter os hospitais funcionando 24 horas”, afirmou.

Gestão evita embate político direto, mas vê disputa eleitoral no debate

Questionada sobre declarações recentes do prefeito do Recife, João Campos, que também passou a citar dados sobre a situação da saúde estadual, Zilda Cavalcanti evitou aprofundar o embate político, mas sinalizou incômodo com o tom adotado pela oposição.

“Nós aqui falamos de política de saúde. A governadora diz que não estamos fazendo campanha política, estamos fazendo política de saúde”, afirmou.

Ao longo da coletiva, integrantes da equipe estadual reforçaram a defesa da gestão da governadora Raquel Lyra e afirmaram que as críticas ignoram investimentos estruturais realizados desde 2023.

A secretária também afirmou que o governo está aberto à fiscalização da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).

“Nós estaremos sempre disponíveis para prestar qualquer esclarecimento”, disse.

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