Global Village do Rock in Rio lembra posto de gasolina e atrai desavisados e iniciados

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Global Village do Rock in Rio lembra posto de gasolina e atrai desavisados e iniciados


Era noite chuvosa do sábado (4), dia dedicado ao metal no Rock in Rio 2026, quando um grupo de metaleiros se reuniu em frente ao Global Village, espaço coadjuvante do festival. Diante de uma esvaziada apresentação de bailarinos dançando no palco, roqueiros acenderam sinalizadores e fizeram roda punk.

A cena chamou a atenção de Bernardo Pater, sócio do Micro Market, loja de mercado autônomo instalada ao lado do Global Village. “Tocaram música latina, salsa e mambo, e os metaleiros se divertiam”, diz.

O espaço existe desde 2022 e pretende ser dedicado à música global. Cada pedaço remete a um marco arquitetônico do mundo. O palco tem colunas de um teatro romano. A loja de Pater, que oferece chocolates, salgadinhos e refrigerantes com caixas automáticos, representa o Taj Mahal.

O Global Village tem 7.500 metros quadrados, segundo a organização do evento, e conta com lojas de diferentes marcas, especialmente comida pronta. Fica em frente à principal lanchonete patrocinadora do evento, que, não raro, tem filas.

Por isso, o Global Village tem um perfil de posto de combustível em beira de estrada —alta rotatividade de pessoas que param ali para comer e beber em um lugar sossegado, e ir ao banheiro antes de voltar à batalha por espaço nos palcos principais.

Na sexta-feira (11) de k-pop, o gramado em frente ao Global Village serviu de parada de lanches. Famílias —boa parte do público deste dia— estenderam cangas no gramado artificial e comeram no fim da tarde, antes da sequência de shows de Nexz, Hwasa, Alok e Stray Kids.

Enquanto isso, no palco, Marcos Suzano, considerado por pares como o maior percussionista do país, apresentava-se com o Rio Bronx, projeto em parceria com DJ Marcelinho da Lua, Guilherme Gê e o baterista norte-americano Will Calhoun, em reunião especial para o Rock in Rio.

As versões experimentais de Tim Maia, James Brown e outros nomes do soul e funk atraíam transeuntes da Cidade do Rock, como um artista de rua em estação de metrô.

“Vim ver o Jamiroquai e soube já aqui dentro que o Marcelinho da Lua ia tocar. Vivi muitas noitadas com ele de DJ na pista de dança e vim conferir”, disse a empresária Rita Lopes, 47.

Faceta importante do Global Village é a curadoria das atrações, que parece priorizar quem é atraído pela cena independente da música e pela parte um tanto mais funda da música brasileira. Tocaram nesta edição Paulinho Moska, João Bosco e Wanda Sá, além de Joyce com Leila Pinheiro e Fernanda Takai. Neste sábado (12), se apresentam Hamilton de Holanda e Mestrinho, e, no domingo (13), Lucy Alves.

Brasileiros mais novos, como Giovanna Moraes, e a banda nacional de metal Korzus reuniram seus fãs. Fez sucesso a sequência “família Gilberto Gil” no chuvoso domingo (6), com os netos Bento Gil e Flor Gil, e a nora Mãeana na sequência. O patriarca tocou no palco Mundo na segunda (7).

Bernardo Pater, sócio da loja na vizinhança, tem gostado do resultado da rotatividade de público. “Fechamos com o Rock in Rio a um mês para o evento e só tinha esse espaço, mas gostamos muito da experiência e já entramos em acordo para estarmos nas próximas edições do The Town e do Rock in Rio”.



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