Eleição aberta em 2022 criou bases sólidas que agora competem entre si em um cenário limitado e de alta pressão política ao Senado
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A eleição de 2022 em Pernambuco não produziu apenas uma vencedora, que todo mundo conhece como a atual governadora Raquel Lyra (PSD), aquela disputa produziu vários grupos políticos consistentes, com base eleitoral própria, liderança definida e capacidade real de disputa. Isso tudo se formou ao longo daquela eleição onde antes só havia o PSB e os restos do que já foi o “jarbismo”.
A fragmentação daquele pleito, com vários candidatos competitivos e jovens prefeitos de cidades importantes no estado, não foi um episódio circunstancial, mas a reorganização estrutural do poder no estado.
O resultado prático aparece agora em um “congestionamento”. Esses mesmos grupos, que nasceram ou se fortaleceram naquele ambiente competitivo de 2022, se comprimem em torno de apenas duas vagas ao Senado em 2026, criando um cenário de engarrafamento político novamente, agora para a Casa Alta.
Ruptura
O ciclo iniciado em 2022 representou o fim de uma hegemonia de 16 anos do PSB e a ausência de um sucessor natural capaz de organizar o campo político naquele momento. A saída simultânea de prefeitos competitivos para disputar o governo abriu o jogo e produziu uma eleição de alta densidade. Raquel Lyra, Anderson Ferreira (PL) e Miguel Coelho (União) deixaram seus cargos para entrar na disputa, enquanto Marília Arraes (SD) ocupava o espaço de liderança natural à esquerda. O estado passou a operar com múltiplos polos de poder, todos com legitimidade eleitoral.
Polarização
O cenário de 2026 reorganiza esse quadro no topo. A disputa pelo governo se concentra em duas candidaturas naturais. Raquel Lyra, com a força da máquina estadual, e João Campos (PSB), com forte presença política e digital, estruturam uma polarização que reduz drasticamente o espaço para os outros.
O que era disperso se torna concentrado no Executivo. O efeito colateral é imediato. As lideranças que não encontram espaço nessa disputa precisam migrar para outros campos e querem ser senadores.
Senado
O Senado se transforma no principal destino desse excedente político. O problema é aritmético e estratégico. Existem duas vagas e um número significativamente maior de candidatos competitivos. Humberto Costa (PT) e Fernando Dueire (MDB) representam a lógica da reeleição. Marília Arraes, Anderson Ferreira e Miguel Coelho carregam bases próprias consolidadas. Silvio Costa Filho (Republicanos) e Eduardo da Fonte (PP) operam com capital político relevante e inserção institucional. Não há espaço formal suficiente para acomodar todos nos palanques principais. O que fazer então?
Estratégia
Diante dessa limitação, emerge aqui e em Brasília a possibilidade um modelo de candidatura que tende a marcar esta eleição. As campanhas “por fora” dos palanques oficiais. Não são candidaturas isoladas, avulsas, mas de estratégias híbridas.
O candidato constrói sua própria campanha ao Senado, enquanto se associa seletivamente a nomes majoritários. Marília Arraes pode vincular sua imagem a João Campos e Lula (PT) sem integrar formalmente a chapa. Anderson Ferreira pode apoiar Raquel Lyra no estado e um nome bolsonarista, como o de Flávio Bolsonaro (PL) no plano nacional, mantendo autonomia na disputa.
Projeção
Esse arranjo cria uma eleição mais complexa e ainda menos previsível. O eleitor será exposto a combinações políticas não tradicionais, com campanhas que cruzam palanques e fragmentam a mensagem. A disputa pelo Senado tende a se tornar o centro real da eleição em Pernambuco, não apenas pela quantidade de candidatos, mas pela capacidade de cada um testar sua força individual.
O estado se aproxima de um modelo em que a lógica das chapas perde centralidade. Pernambuco entra em 2026 como um laboratório de adaptação política diante de um sistema que já não comporta o volume de atores que ele próprio ajudou a criar. Se vai dar certo, aí já é assunto para outra coluna.

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