Grande problema para a maioria da população, a saúde pública recebe investimentos de porte, num sinal de que os desafios podem ser enfrentados
JC
Publicado em 29/04/2026 às 0:00
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Sem saúde não se vive – nem se prospera. A integridade física e mental é definidora do bem-estar individual e, do ponto de vista coletivo, da qualidade de vida de uma população. Quando a saúde pública anda mal das pernas, como se diz, a coletividade inteira sente: na oferta insuficiente ou inadequada de serviços, na longa fila que castiga os mais vulneráveis, na dificuldade para conseguir diagnóstico e tratamento corretos, nas sequelas e consequências que se prolongam depois de um sofrimento que poderia ter sido mais breve. E um importante gargalo aparece como sintoma de má gestão acumulada, que atrapalha o desenvolvimento de todos
Segundo a pesquisa Quaest divulgada no JC, a saúde representa o maior problema para 27% dos pernambucanos, em posição superior até mesmo à violência, que vem logo após, com a indicação de 23% dos entrevistados. Muito atrás das duas questões aparecem a infraestrutura (9%), o desemprego (5%), a educação (4%), seguida por corrupção, economia e enchentes, cada uma com 3% de menções. A pauta dos problemas é extensa, e a priorização não pode se ater a dois ou três. Mas a concentração de impressões sobre a fragilidade da saúde impõe a necessidade de abordagens emergenciais, que apontem o foco na melhoria dos serviços de saúde para a população do estado.
Há exemplos de que a sensibilidade da gestão pública se dirige para esse foco. No Congresso Brasileiro de Câncer Digestivo, que acontece esta semana no Recife, Pernambuco se destaca como referência nacional no tratamento da carcinomatose peritoneal em hospitais 100% vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A atenção conquistada se refere a “um procedimento que exige estrutura hospitalar adequada, equipe treinada e padronização. Quando esses requisitos são ofertados, os resultados aparecem. Pernambuco mostra que é possível fazer medicina de excelência também na rede pública”, diz o médico cirurgião oncológico Tarcísio Reis.
O Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), onde se faz o procedimento, está entre as principais unidades do SUS no país. Investimentos em reformas de grandes hospitais dão ao cidadão um sinal positivo de que os desafios existentes na saúde – e não são poucos – podem ser enfrentados. Como no Hospital da Restauração, para onde se voltam grandes expectativas, pela importância que detêm na história do atendimento à demanda que chega de todas as regiões do estado. No Recife, o Hospital da Criança, que acaba de ser entregue pela Prefeitura, igualmente todo vinculado à rede SUS, deve atender a 15 especialidades pediátricas, dispondo de leitos de internação e Centro TEA para atendimento a crianças com transtorno do espectro autista.
Para que a integridade da saúde seja respeitada, e a prosperidade conte com a base humana em sua plenitude, os desafios na saúde pública em Pernambuco ainda despontam em longo caminho. Mas iniciativas promissoras e uma tradição de cuidados eficientes mostram que o restabelecimento é possível.
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